Opinião de Maria Neto
O aumento populacional esperado até 2050 desencadeia inquietações, nomeadamente, no que reporta à escassez de alimentos, em particular, de proteína animal. Perante este panorama, a carne celular tem sido alvo de atenção e encarada como uma opção para fazer face a esta problemática. A carne celular (carne in vitro, sintética ou cultivada em laboratório), pode ser definida como carne artificial obtida de células-tronco e multiplicadas com engenharia celular.
Entre as soluções, a carne celular parece ser uma alternativa sustentável para os consumidores que não pretendam alterar a composição da sua dieta. Contudo, apesar de se contornar o sacrifício animal e de se esperar um impacto positivo para a saúde, algumas questões basilares estão, ainda, por clarificar.
Acresce que, várias questões do cômputo regulamentar, bem como, desafios do ponto de vista de rentabilidade económica, têm dificultado o posicionamento da carne celular no mercado, nomeadamente, o impacto que o desenvolvimento de carne celular poderá ter no ambiente e nas condições climáticas.
Dado que, as instalações e os equipamentos necessários, bem como, o elevado grau de processamento, requerem eminentes gastos energéticos e de água. Adita como desafio para o sucesso da carne celular, os aspetos nutricionais, a biodisponibilidade dos nutrientes e os aspetos sensoriais.
Para o desenvolvimento da carne celular e seu respetivo posicionamento no mercado, têm surgido inúmeras start-ups. Concludentemente, a Singapura foi o primeiro país do mundo a autorizar a venda de carne celular, obtido em cultura de células – “nugget de frango”, sendo um marco na indústria alimentar, em que consistiu na aprovação e regulamentação para a sua comercialização. Já existem algumas empresas de investigação que preveem começar a vender estes produtos em 2021, presumivelmente a um preço premium e em escala limitada.
A escolha do consumidor e as necessidades alimentares determinarão o sucesso comercial, no futuro, desta opção alimentar.












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