Por todo o concelho, em março de 2020, foram canceladas todas as festas e romarias tal como as conhecemos. Sem concertos, marchas ou procissões e outras tradições tão típicas de Lousada. A paragem forçada, que já dura há mais de um ano, parece não ter fim à vista e as Comissões de Festas pairam na incerteza do que poderá ser realizado este ano.
Aquelas que são as “Festas Grandes” do concelho, em honra do Senhor dos Aflitos, foram canceladas já o ano passado, tendo ficado decidido que a mesma Comissão de Festas, constituída em 2019, realizaria o evento, “sendo que todos os contratos transitaram para o corrente ano”, afirma Leonel Vieira, presidente da Comissão.
“Nos próximos dias, reuniremos para tomar decisões. No entanto, atendendo à evolução da pandemia e às informações provenientes da Direção Geral de Saúde o mais provável é não podermos realizar as festas, ainda este ano, tal como todos desejaríamos”, refere.
“Se o problema da pandemia estiver ultrapassado e que permita ainda a realização das festas, obviamente que o programa ficará condicionado pela angariação de fundos.” – Leonel Vieira, Festa do Senhor dos Aflitos
Com as limitações provocadas pela pandemia e “com os poucos recursos financeiros de que disponhamos”, no ano de 2020 a data foi assinalada através do apoio às atividades religiosas: “iluminamos a Capela do Senhor dos Aflitos e procedeu-se ao lançamento de sessão de fogo-de-artifício”, lembra.

“Se o problema da pandemia estiver ultrapassado e que permita ainda a realização das festas, obviamente que o programa ficará condicionado pela angariação de fundos. Mas, se não houver dinheiro para contratar grupos ou artistas famosos, a festa acontecerá na mesma com quem esteja disponível para participar. Contudo, antecipamos que dificilmente a festa acontecerá”, lamenta o presidente.
Festa em Honra da Senhora Aparecida
Também a Comissão de Festas da Romaria da Senhora Aparecida, no Torno, que lidera as festividades desde 2017, composta por 30 elementos, cancelou a maioria do programa.
“Para assinalar a data, o ano passado colocamos o andor em exposição, na rua. O Sr. Padre passou a imagem pelo circuito que habitualmente decorria a procissão, sem anunciar nada e, na noite de dia 14, a noite mais forte, fizemos uma sessão de fogo em que cada um tinha uma caixa de foguetes em sua casa. No dia 15, aconteceu, como habitualmente, de forma mais restrita, a Bênção das Motas”, lembra André Faria, presidente da Comissão.
“Não nos vamos comprometer com nada, porque os fundos não estão fáceis de arranjar.” – André Faria, Festa da Senhora Aparecida
“Deixamos para trás a corrida de cavalos, a corrida de motas, os artistas, os grupos folclóricos, as desgarradas, tudo isso que faz parte da nossa romaria. Mesmo a parte católica, aconteceu, mas com muitas restrições”, testemunha.

Para as Festas de 2021, “estamos a aguardar que a pandemia deixe fazer alguma coisa e que possamos arranjar fundos para, mediante o que se puder fazer, fazermos. Não nos vamos comprometer com nada, porque os fundos não estão fáceis de arranjar, não tem sido possível trabalhar e não sabemos o que nos vão deixar fazer”, menciona.
Festa em Honra de Senhora da Ajuda
Nomeados em 2019 para realizar as festas do ano seguinte, a Comissão de Festas, composta por 10 elementos e que realiza as Festas em Honra de Nossa Senhora da Ajuda, em Nevogilde, em 2020 tentaram simbolizar o dia “mediante o que era permitido naquela altura. Foi mesmo algo simbólico relativamente ao que é habitualmente a grandiosidade das nossas festas. Cancelamos marchas, procissão, percorrer a freguesia com o grupo de bombos”, expõe Ricardo Moreira, presidente das Festas.
A tradicional passagem da burra também não aconteceu, uma vez que o grupo de trabalho se manteve por mais um ano na esperança de conseguir “fazer a festa este ano, mas acho que não vai ser possível”, lamenta.
“Para fazermos a festa temos de trabalhar o ano inteiro, todas as semanas temos um evento ou vamos para a lenha.” – Ricardo Moreira, Festa da Senhora da Ajuda
Este ano, “vai ser complicado por causa das receitas. Para fazermos a festa temos de trabalhar o ano inteiro, todas as semanas temos um evento, ou vamos para a lenha, ou fazemos um peditório, é preciso um ano inteiro para angariar a verba da festa. Mesmo que, no fim de agosto estivesse 100% seguro, não conseguiríamos fazer uma festa ao nível do que é tradicional na freguesia por falta de verbas e falta de tempo para o angariar”, explana.

Quanto à continuidade na liderança das festividades, o presidente afirma que o grupo ainda vai ponderar e “ainda não temos nada decidido”. Por enquanto, pensa-se o que será possível fazer para assinalar a data neste próximo agosto. “O ano passado ainda conseguimos ter um cantor a percorrer a freguesia num camião, num trio elétrico, realizamos uma sessão de fogo de artificio e fizemos a Eucaristia. Acho que este ano nem isso vamos conseguir, depende de como estiver a situação pandémica”, confessa.
Festas em Honra de São Tiago Maior
Em Lustosa, as Festas em Honra de São Tiago Maior, apesar de verem as tradicionais celebrações canceladas, o ano de 2020 teve um sabor especial para a comunidade. Manuel Linda, Bispo do Porto, esteve presente no dia em que se celebram as Festas para inaugurar o Memorial de S. Tiago e de Nossa Senhora Virgem do Pilar.
“Realizamos uma sessão de fogo de artificio e, como não podíamos fazer muito mais, ajudamos as realizar as celebrações para receber o Sr. Bispo. Fizemos um bom asseamento na Igreja, que foi notável, que este ano pensamos também em fazer. Só conseguimos manter as celebrações religiosas e, mesmo essas, foi muito aquém daquilo que é habitual”, revela João Sérgio Costa, presidente da Comissão de festas.
“Não vai dar para a festa que tencionávamos, quando aceitamos, mas dará para assinalar a data.” – João Sérgio Costa, Festa de São Tiago
Para trás, ficam tradições como “a procissão, a marcha popular que aconteceu em 2019, que queríamos manter, e os concertos, que dão outra alegria. Com os valores que já temos queremos fazer uma grande sessão de fogo de artificio e o restante será conforme o que for possível na altura. Se conseguirmos, queremos fazer alguma coisa diferente, mas passará por ter um cantor num carro pelas ruas da freguesia”, esclarece o presidente.

Sem os peditórios, o pedido de patrocínios, os leilões, a passagem dos bombos, e outras atividades que mantinham para angariação de fundos, a realização das festas complica-se. “Ainda não está nada fixado, vamos reunir também nos próximos dias para percebermos o que será possível. Não vai dar para a festa que tencionávamos quando aceitamos, mas dará para assinalar a data”, termina.












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