A Associação Social Recreativa e Cultural “Ao Encontro das Raízes” tem como objetivo ajudar e proporcionar o bem-estar às famílias mais carenciadas. Nascera para dar auxílio aos moradores do Bairro Dr. Abílio Moreira, mas, ajudando sem olhar a quem, abrange hoje famílias dos diversos pontos do concelho.
O Bairro Dr. Abílio Moreira, em Cristelos, nasceu em 1981, com pessoas vindas do meio rural. Sem qualquer experiência num meio urbano, esta comunidade sentiu a necessidade de criar uma instituição de apoio a estes moradores, para que se criassem regras e para a sua gerência. Então, em 1988, nasce a Associação Social Recreativa e Cultural “Ao Encontro das Raízes”.
A associação tem como meta ajudar quem mais necessita, tendo um protocolo com a Segurança Social, onde têm “um ATL para 60 crianças e o centro comunitário, que é para apoio às pessoas que precisam”, refere Paulo Teixeira, presidente desde 2012, a cumprir o seu terceiro e último mandato.
“Temos, ainda, duas carrinhas onde fazemos esse transporte para a escola e para o ATL e um protocolo, com prazo, que serve para distribuir alimentos que são pagos pelo fundo europeu”, explica.
Para além desta ajuda alimentar, todas as sextas-feiras, a associação vai recolher ao supermercado “Pingo-Doce” os excedentes. A curto prazo, a associação vai realizar um protocolo com a autarquia para residências partilhadas. “Para as pessoas que não conseguem ter dinheiro para se sustentarem e terem uma casa, a associação irá ter dois apartamentos aqui no bairro”, explica o presidente.

Indo mais longe, “Ao Encontro das Raízes” terá, brevemente, uma creche para cerca de 66 crianças. Têm, ainda, um protocolo com o Centro de Apoio Familiar e Parental (CAFP) para ajudar crianças em situações de divórcios dos pais, entre outras situações.
Para além destes apoios, a associação faz feiras sociais, onde recebem roupas para depois distribuírem pelas diferentes entidades “e, se por algum motivo, alguma instituição necessitar, basta ligar para cá”, informa.
“As instituições têm de tentar ser autónomas, mas temos de ter sempre esta bengala.”
Paulo acredita que a ajuda do Estado e da autarquia são um dos motivos para estas instituições se manterem de pé. No entanto, acredita que estas instituições “devem pedir ajuda quando necessário. Esta ajuda é essencial, porque nós não fazemos isto para receber qualquer tipo de rendimento, eu não tenho ordenado. Por vezes, temos de gastar dinheiro, não podemos pensar só em servir e em ter lucro, isto não resulta. Sabemos que em algumas situações iremos ter prejuízo, daí termos este apoio por trás. As instituições têm de tentar ser autónomas, mas temos de ter sempre esta bengala e, se necessário, recorrermos à sua ajuda”.
Estabilidade financeira é o principal desafio
Para conseguir ser autónoma, a associação tenta, sempre que possível, “aproveitar todas as candidaturas que existem e todas as possibilidades de angariar dinheiro, tentamos de tudo”, explica o presidente. Antes da pandemia, a Associação Social Recreativa e Cultural “Ao Encontro das Raízes” realizava embrulhos no Pingo Doce como voluntários, “e o dinheiro que as pessoas iam dando, era para a associação”.
Para manter uma associação destas em funcionamento, “é preciso muita força de vontade e determinação, porque as dificuldades aparecem”, afirma. E para esta instituição, a maior dificuldade são os recursos humanos: “aqui trabalham seis pessoas, que fazem um pouco de tudo, e nós não temos capacidade financeira para contratar mais pessoas”, lamenta o presidente.
“Esta não é uma instituição do bairro, mas sim de toda a comunidade lousadense.”
Os objetivos a que esta instituição se propõe são: “termos uma boa capacidade financeira e qualidade para quem está aqui. Esta não é uma instituição do bairro, mas sim de toda a comunidade lousadense”, confirma.
Os projetos que têm em mente são inúmeros, começando pela creche, mas pretendem também contratar mais pessoas para que mais tarde seja possível continuarem com esta estabilidade.
Por último, o presidente Paulo Teixeira relembra que esta associação é de todos os lousadenses, não só do bairro de Lousada: “as pessoas normalmente pensam que as pessoas que aqui estão, no bairro, não são boas pessoas, volto a relembrar que isto é como se fosse um condomínio fechado, é um sítio como outro qualquer. Isto é uma associação de todos. Estas associações têm de ser mais valorizadas”.












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