por | 26 Nov, 2021 | O Garante da Gestão, Opinião

A gestão ambiental, uma aposta cada vez mais futura

Opinião de Assunção Neto

Estamos perante cenários cada vez mais preocupantes, na esfera da vida, onde o hoje começa a dar sinais de incerteza de bem-estar, de saúde e, até a nível económico, pois prejuízos, fruto do ambiente, vão futuramente fazer tremer a nossa saúde, a do país que vivemos, e a do mundo. O valor da vida vai ser posto em causa e o dinheiro não vai poder estar à prova, em situações catastróficas. Temos de pôr os olhos nesta visão futura do ambiente, que inicia ser uma prioridade económica e de saúde cada vez mais central, e que nos diz a todos. Começa pelos nossos comportamentos/condutas em casa, nas escolas, nas empresas, no todo. Temos cada vez mais presente uma “guerra”, que já dá sinais e que vem aí, porém só juntos a combatemos, se encetarmos urgentemente ações que permitem minimizar e se possível evitar estragos de força maior. 

Com o desenvolvimento económico e as repercussões deste na sociedade, em paralelo com a evolução do tempo e em efeito, vivemos num mundo onde as alterações climáticas começam a afetar diversos aspetos das nossas vidas. Todos os dias assistimos a notícias que esbarram a tristeza e advertem para a necessidade de mudarmos os nossos comportamentos. Para Alvin Toffler é o choque do futuro que nos leva acelerar a mudança. O avanço das mudanças urgentes na política ambiental ainda estão longe de serem suficientes.

O sexto relatório Alterações Climáticas do IPPC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas mostra-nos vários cenários climáticos futuros, o muito que ainda há a fazer. Graças aos avanços na ciência, cada vez mais é possível ter uma visão, de como funciona o sistema climático e de como as nossas atividades quotidianas o afetam. Uma ferramenta essencial para ajudar os decisores políticos e outros, na definição de caminhos de sensibilização dos seus cidadãos na construção da mudança de paradigma económico e social. Os governos locais, municípios e juntas de freguesia, têm um papel importante neste contexto, pois têm conhecimento dos problemas dos seus territórios e podem construir os instrumentos de mitigação e adaptação indispensáveis à solução.

Em assento, não é apenas valioso estar informado é, também fundamental a atuação singular e/ou plural. Só assim, poderá ocorrer uma mudança positiva de forte impacto no combate às mudanças climáticas, rumo a ambientes sustentáveis. Afinca deste modo, ser urgente sensibilizar e incentivar as comunidades locais/municípios e os diversos atores económicos (setoriais) para a necessidade de promover medidas, ações e intervenções (quer técnicas, regulamentares e financeiras), para as questões da adaptação às alterações climáticas e desenvolver políticas de atuação. Contudo, só em rede é possível aumentar a capacidade dos municípios de incorporarem soluções às alterações climáticas nas suas políticas de atuação, nos seus instrumentos de planeamento e nas suas intervenções.

O relatório mais recente do Carbon Disclosure Project (CDP) aponta 25 cidades dos municípios portugueses, que fazem parte de uma lista de 148 que assumem boas práticas, com planos de adaptação para gerir as ameaças climáticas, essenciais a uma avaliação do risco climático e vulnerabilidade, como a identificação de ações para enfrentar os riscos decorrentes.

No que toca às alterações climáticas, é de lembrar que, segundo a União Europeia as perdas económicas devido a condições climáticas extremas mais frequentes, já ultrapassam os 12 mil milhões de euros por ano. É de reforço a devida atenção.

A capacidade de acelerar a mudança está a ser construída, contudo, caberá a todos a missão de compartilhar, discutir e desenvolver ideias, ferramentas e ações necessárias para uma nova visão do futuro e a aceitação da mudança. 

O envolvimento de cada um de nós no processo ambiental será cada vez mais relevante e significativo no futuro. Um compromisso capital com as novas gerações.

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