por | 16 Dez, 2021 | Cultura, LouzaRock

As alcunhas dos músicos lousadenses

Paulo Red Man, Luís Ginja, Joe Kapiador, Nelo Terrível, Luís Tucka, etc.

LousaRock – por José Carlos Carvalheiras

Ter um nome artístico ou pseudónimo ou uma alcunha é muito comum em vários meios, para marcar a pessoa, com propósitos depreciativos, nuns casos, e elogiosos, noutros casos. Acontece numa equipa de futebol de bairro ou de rua (já não há disso, pois não?), na escola, na catequese e nas bandas de música. Depois de abordar na edição anterior os nomes das bandas, hoje passo em revista alguns dos nomes artísticos da música rock lousadense.

A antropóloga Maria Filomena Saraiva de Carvalho * refere que “desde tempos muito remotos, em documentos muito antigos, existem alcunhas, que exibem características, funções individuais e coletivas muito parecidas com as de hoje. Ontem como hoje, os processos mentais e sociais da sua prática permanecem. Sempre houve “artistas” ou especialistas na observação e criação de alcunhas”. Chega a ser uma arte, sim senhor. Que se baseia em traços físicos, psíquicos ou relacionais que caracterizam o indivíduo e podem ser captados no dia a dia.

Paulo (Redman) Magalhães

No «mundo» do rock isso acontece muito frequentemente. O artista tem que ter nome sonante. Muitas vezes o músico chega ao estúdio ou a uma banda com nome próprio, mas o agente ou o chefe da banda trata logo de o rebatizar. É o que se chama de “name coining” ou “branding” (gravação ou fixação de um nome). Aconteceu com Bono Vox (boa voz), dos U2, cujo nome verdadeiro é Paul Hewson. Nomes fortes, com significado para os fãs, é uma regra do rock, que o diga Billy Idol, membro fundador da banda punk, Generation X, de 1977; o seu nome artístico é um trocadilho com o adjetivo “idle” (vagabundo, indisciplinado) que caracterizava o vocalista durante os anos de escola. Outro caso que se pode referir a título de exemplo é o de Sting, vocalista dos Police: quando ainda tocava numa banda de jazz, Gordon Summers usava uma camisa amarela com listas pretas que mais lembrava uma abelha e o seu apelido Sting (ferrão de abelha) veio dali.

Os nomes artísticos ou alcunhas de músicos lousadenses nem sempre surgiram em contexto musical, mas sim antes disso, nas vivências pessoais, sobretudo em contexto escolar. Quando se tem um nome ou sobrenome muito frequentes, torna-se necessário aplicar uma alcunha diferenciadora, por forma a distinguir as pessoas. 

Aconteceu certamente assim com Luís «Falcão» Teixeira, que assim é apelidado desde os tempos dos Leugim’s, banda de São Miguel, por ser do lugar de Falcão daquela freguesia do concelho de Lousada. 

Falar de Luís Gomes, dos Alcatrão, pode não dizer nada a muitas pessoas, mas se em vez disso dissermos “Luís Ginja”, ou simplesmente “Ginja”, dos Alcatrão, passa a ser do conhecimento geral de quem se está a falar. Neste caso a alcunha surgiu muito cedo, em contexto familiar, quando a irmã na brincadeira assim passou a chama-lo e já lá vão cinquenta e tal anos.

Joaquim Barbosa, dos Boca Mansa, tem mais que uma alcunha. Joe e Kapiador são as mais conhecidas e definem o artista que chegou a Portugal na década de 1980 ainda com sotaque inglês.

Mas há muitos mais. Só para citar alguns, aqui ficam os nomes e respetivos “nicknames”: Carlos “Cafi” Sousa (Sun Mammtuh), Daniel “Bandido” Nunes (Vacas Loucas), Luís “Tucka” Costa (No Way), Bruno “Mez” Fernandes (Omodo), Bruno “Atleta” Sousa (Entretela), Nuno “Spock” Almeida (Alcatrão), Paulo “Red Man” Magalhães (The Symphonix), Paulo “Bruto” Soares (Asfixia), Pedro “Seco” Matos (Secos & Feios), Ricardo “Tília” Silva (Tília Petakius), Ricardo “Lua” Sousa (Entretela), Vítor “Stones” Pascoal (Asfixia e Serguth’s Tale), Luísa “Ziza” Almeida (Baco), Luís “Gusto” Agostinho (Canis Lupus) e Zé Pedro “Peter Maui” Moreira (Mudha).

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