– Um industrial com grande espírito de solidariedade
Lousadenses com alma – por José Carlos Carvalheiras
Empresário, presidente-fundador da Associação Industrial de Lousada, jogador de futebol federado e amador, Joaquim Rafael de Sousa Ferreira assumiu-se como um dos agentes mais preponderantes no desenvolvimento económico de Lousada com uma perspetiva moderna do mundo empresarial. Como homem solidário que era, teve a estima de todos e por isso foi imenso o pesar em Lousada quando faleceu de forma repentina e inesperada em 2002.
Nasceu em 1949 na freguesia de Macieira, mas radicou-se em São Fins do Torno, onde estabeleceu residência nas proximidades do Santuário de Senhora Aparecida.
Ainda era adolescente e já trabalhava ao balcão na Casa Valinhas, onde seu pai, Adriano Rafael, era sócio de Manuel Valinhas Cerdeira. Muito novo para o efeito mas revelando desde logo potencial para investir e gerir, estabeleceu-se por conta própria, tornando-se mais tarde num dos mais importantes industriais de confeções de Lousada e da região. Foi, por exemplo, proprietário da fábrica Golf, em Macieira, que abriu em sociedade com outro destacado empresário do setor, Fernando Machado. Com Arménio Moreira foi um dos sócios da Felpos Cinco.
Joaquim Rafael assumiu-se como um dos agentes mais preponderantes no desenvolvimento económico de Lousada. Com uma perspetiva moderna do mundo empresarial, contribui, com devotada energia, e de forma decisiva, para a consolidação da vertente industrial do nosso concelho.
Impulsionador da Associação Industrial de Lousada
Na qualidade de primeiro Presidente da Associação Industrial de Lousada (AIL), fundada em 1987, manteve sempre uma postura positiva e animadora no difícil contexto económico de finais da década de 1980. A sua ação de liderança permitiu alcançar resultados francamente animadores na formação profissional, cujos inovadores cursos da AIL muito dinamizaram e fortaleceram vários setores profissionais. Merece também uma especial referência a parceria estabelecida com a Câmara Municipal de Lousada, que permitiu a aquisição e recuperação do património imobiliário da antiga Estofex. Desta forma ficou solucionado um dos mais importantes problemas socioeconómicos vividos na história moderna de Lousada, pela consequente manutenção de centenas de postos de trabalho e a laboração de um conjunto apreciável de unidades industriais.
Foi um desportista praticante e um jogador de futebol de nível assinalável para um jogador amador. Foi colaborador generoso de variadas coletividades concelhias e patrono de estabelecimentos de ensino, Joaquim Rafael de Sousa Ferreira deixou, ao longo da sua curta mas inextinguível existência, uma marca impressiva de humanidade e altruísmo, que justificou, merecidamente público reconhecimento.
A Câmara Municipal de Lousada conferiu-lhe a Medalha de Prata de Mérito Municipal, a título póstumo, conforme deliberação de 7 de Julho de 2003.
Tinha também como características peculiares a cordialidade e um grande sentido de humanismo, características que eram bem visíveis na sensibilidade que patenteava face aos problemas dos outros”.
O amigo de longa data e antigo vereador da Câmara Municipal de Louzada, António Mesquita, referiu que “é claro que há no concelho pessoas de elevado valor moral e social, mas pessoalmente acho que jamais encontrarei alguém como ele”. Acrescentou que “como cidadão, como amigo, como homem de família e como avô babado, era uma pessoa notável e admirável”.
Com sua esposa, Maria Rosa Coelho Pacheco de Freitas, foi progenitor de Carla Filipa Coelho de Freitas Rafael Ferreira e Carlos Filipe Coelho de Freitas Rafael Ferreira. Era avô de Nídia Rafaela de Freitas Rafael Sampaio Nunes e de Joaquim Rafael de Freitas Rafael Sampaio Nunes.
Um apaixonado pelo futebol
Faleceu a 17 de Setembro de 2002, com 53 anos de idade, vítima de uma síncope cardíaca durante um jogo de futebol de salão, disputado no pavilhão gimnodesportivo de Caíde de Rei. Era um apaixonado pelo futebol e pela camaradagem que resultava do convívio na equipa de velhas guardas ou de veteranos do Aparecida. Numa entrevista ao Jornal de Lousada de 16 de Agosto de 1991, referiu que dias antes tinha chegado da Alemanha e seguiu diretamente do aeroporto para o campo de futebol para um jogo entre amigos.
O seu grande amigo António Teixeira Mesquita recorda com pesar que “o seu falecimento foi um abalo e uma dor muito forte, sobretudo para quem lhe era próximo, mas também a sociedade em geral sentiu muito a sua falta porque ele era um cidadão extraordinário e ainda tinha muito para dar ao mundo”.
Este aparecidense aponta como características principais em Joaquim Rafael “a capacidade de comercializar e a predisposição para dar”, explicando que “era senhor de uma grande solidariedade e o que não vendia ele gostava de dar, tinha gosto nisso”.
Como industrial deixou na história da indústria de Louzada uma marca que fez sucesso pela novidade e qualidade do produto, os polos da marca Golf GTI. “Eram fabricados num tecido inovador, com um design atrativo, padrões e cores fortes”, recorda António Mesquita.
Este seu amigo conta que a origem dessa marca de sucesso remonta a um Volkswagen Golf GTI descapotável, de cor branca, que Joaquim Rafael teve com muita estima e predileção.
A sua solidariedade, que lhe era tão característica, ficou bem patente quando em 1990 foi o primeiro empresário a aderir ao programa municipal, em colaboração com o Ministério da Educação, de apadrinhamento de escolas locais, tornando-se mecenas e promotor de obras de melhoramento de duas escolas, entre as quais a escola primária de Caíde de Rei. Numa reportagem da RTP da altura, transmitida no Jornal de Domingo,de 1 de Abril de 1990, viram-se buracos no soalho da sala de aula e outras lacunas. Nesse vídeo que está disponível nos arquivos online da RTP e do qual retiramos a fotografia que ilustra este texto, Joaquim Rafael justificou assim o seu apadrinhamento: “os alunos do ensino primário merecem todo o nosso apoio, pois são os homens do futuro, de preferência os empresários do futuro e possivelmente bons padrinhos se mais tarde derem bons empresários”. Foi seguramente bem empregue o apoio que prestou àquelas crianças.












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