por | 18 Mai, 2022 | Cultura, LouzaRock

A (longa) experiência de Jorge Afonso como técnico de som: “O vocalista tem que ser alguém com mania”

A História da Música Rock de Lousada não pode ser contada apenas pelos intérpretes. Outros protagonistas devem ser ouvidos, pois possuem histórias e opiniões valiosíssimas para retratar o fenómeno musical lousadense da era moderna. Refiro-me a pessoas que trabalham na sombra das luzes ou atrás do palco.

São os técnicos e os agentes do espetáculo, que passam despercebidos à maioria, mas ainda assim, que possuem um protagonismo fundamental para a realização do espetáculo. Os técnicos de luz e som, por exemplo, são imprescindíveis. Fernando Nicolau é o mais antigo destes especialistas em Lousada. O seu braço-direito, Paulo Nuno também foi uma figura dos bastidores e do front stage. Aquele cofundador da Rádio Lousada e proprietário da empresa Louzarádio, organizou uma infinidade de concertos. Também Henrique Sousa, de Macieira, através da LousaSom, montou palcos luz e som para inúmeros espetáculos rock. Mais recentemente a GilSom é outra empresa do setor.

Embora não sendo um profissional do espetáculo (mas sim das artes gráficas), Jorge Afonso da Silva, de 56 anos, é um dos lousadenses com mais currículo na organização das componentes de luz e som dos concertos de música rock em Lousada.

Este antigo técnico de som dos Baco e dos Alcatrão, colaborou na realização de inúmeros festivais, concursos, festas, bares, etc.

“Por volta de 1979 ou 1980, o António Garcez, um dos maiores músicos do rock português, casado na altura com uma vizinha minha em Castelo de Paiva, pediu ao meu pai a carrinha da gráfica para levar material de som para a sala de ensaios da banda dele na altura, os ROXIGÉNIO, penso que numa sala do Grupo desportivo do Viso no Porto. Eu quis logo ir com ele. Foi a minha estreia e fiquei fascinado porque foi a primeira vez que vi um PA, uma aparelhagem de som para grandes concertos”, relata Jorge Afonso.

Este especialista em som e luz conta que “por essa altura, através do amigo Luís Ginja conheci o Manuel Almeida, do conjunto Baco e pouco tempo depois fiquei a fazer parte do staff”. E a partir daí palavras como “input, output, send, efect, delay, reverb, crossover, multicor começaram a fazer parte do seu vocabulário“. Durante vários anos, Jorge Afonso passou as noites de sábado e muitas vezes todo o fim de semana, a trabalhar nesse hobby (passatempo) que, pela especificidade e tempo que acarretava, tornava-se muitas vezes numa segunda profissão.

Na modéstia que o caracteriza afirma: “fiz apoio técnico em tantos concertos que já perdi a conta, mas consigo destacar alguns pela grande dimensão e outros mais pequenos, mas que foram uma surpresa positiva, como em 1988, em Figueiras, com os Boca Mansa”, numa festa do Partido Comunista organizada pelo Cherina, de Freamunde.

Na sua memória ficaram diversos concertos do Baco, “principalmente o que se realizava anualmente em Pisões, Montalegre e em Moimenta de Vinhais, distrito de Bragança, onde o Baco atuou nas festas locais e onde éramos tratados como reis, pois cada músico e técnico de som e luz era levado por um membro da comissão de festas para jantar em sua casa, antes do concerto e obviamente que toda a gente vinha tão bem regada e comida que o concerto começava tarde e acabava altas horas da noite”.

A experiência adquirida na estrada, fazendo principalmente assistência de som e luz a grandes ou pequenas bandas, permite a Jorge Afonso afirmar que “o meu trabalho era sempre mais fácil quando os músicos eram bons” e acrescenta: ”músicos maus não ajudam um técnico de som”.

Além de técnico de som, é também e obviamente um apaixonado pela música e assistiu como espectador a uma infinidade de concertos, realizados na altura nos pavilhões Infante Sagres e Académico no Porto e  a famosa atuação dos portugueses Trovante, na festa do Avante, em 1986. Quem o conhece sabe que é, como ele próprio afirma, “um aficionado do rock e um indefectível fã dos AC/DC”.

Para Jorge Afonso, “o rock lousadense teve excelentes bandas, como o Baco, os Alcatrão, os Boca Mansa, os Brutal Joke e outros”. No seu experiente entendimento, adquirido ao longo de décadas no meio musical, explica que “um dos segredos para ter sucesso em palco é ter bons protagonistas, e sobretudo o vocalista tem que ser alguém com mania, como se costuma dizer”, declara.

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