por | 8 Jul, 2022 | Cultura

Metade dos concorrentes são estrageiros no Concurso de Canto Lírico de Lousada

Organização da Associação de Cultura Musical de Lousada

Este é um evento com dimensão cultural e artística que projeta Lousada no panorama do canto lírico e afins a nível nacional e internacional. A entidade organizadora é a Associação de Cultura Musical de Lousada (ACML) e o coordenador técnico é o consagrado  professor de Canto, José Corvelo. Foram efetuadas cerca de 80 inscrições, dos 18 aos 36 anos até ao final do prazo para o efeito (31 de Maio). Por várias contingências, o número que foi reduzido para 60 participantes.

Metade dos inscritos nesta edição inaugural do Concurso Internacional de Canto Lírico de Lousada (CICLO) são de países estrangeiros, facto que demonstra a capacidade para uma maior internacionalização do evento nas próximas edições. Disso fez alusão Pedro Araújo (presidente da ACML) na sessão de abertura, no início da tarde de segunda-feira.

A cerimónia decorreu sob o tórrido calor de Verão que entrava pelas vidraças do teto do Centro Interpretativo da Rota do Românico, local escolhido para a realização do concurso.

No uso da palavra, o presidente da ACML congratulou-se com a presença e patrocínio da empresária lousadense Sónia Costa e do Novo Banco.

Convidada a proferir algumas palavras acerca do concurso, aquela patrocinadora justificou o seu apoio pelo “gosto pela cultura” e teceu elogios ao evento e aos seus promotores.

Por último, no que a discursos e felicitações diz respeito, o anfitrião sublimou o  apoio do Município de Lousada, que esteve amplamente representado na sessão, com o vereador do pelouro da Cultura, Manuel Nunes e dos vereadores da Ação Social e da Juventude, Maria do Céu Rocha e Nélson Oliveira, respetivamente.

No decurso da sua intervenção, Manuel Nunes saudou a excelência do conjunto de jurados convidados, vindos nomeadamente de Lisboa, Espanha e Itália, tendo-os instado a visitar Lousada que, segundo o vereador “tem muito que se lhe diga”, mormente no que ao Românico diz respeito.

A prosa dos discursos deu então lugar a um lúdico momento de canto, pois disso se trata este evento. A protagonista é uma promissora vocalista formada no Conservatório de Música do Vale do Sousa  (CMVS), Inês Araújo, que interpretou a ária de Mozart intitulada Come Scoglio, com acompanhamento de Ana Pereirinha ao piano.

Júri de renome internacional

A presença de figuras destacadas do canto lírico nacional e estrangeiros na formação do júri confere ao Concurso Internacional de Canto Lírico de Lousada um estatuto de prestígio. Segundo declarações de vários concorrentes, esse foi um dos fatores para a sua participação na prova.

Uns mais nervosos que outros, aqueles mais jovens e os outros mais experientes, os concorrentes foram-se perfilando no acesso à audição da primeira eliminatória, submetendo-se ao escrutínio do categorizado naipe de jurados.

“Foi empolgante ser avaliada por um júri tão ilustre”, disse após a sua audição a primeira concorrente, Verónica Soares da Silva, de 23 anos, natural de Marco de Canaveses e formada no Conservatório de Vila Nova de Gaia.

O presidente dos jurados é o maestro Cesário Costa, um dos mais ativos maestros portugueses da sua geração. Depois de concluir, em Paris, o Curso Superior de Piano, estudou Direção de Orquestra, completando a Licenciatura e o Mestrado na Escola Superior de Música de Würzburg (Alemanha). Recentemente, obteve o Doutoramento pela Universidade Nova de Lisboa, com a tese “Noble et Sentimental: Pedro de Freitas Branco e a problemática da interpretação na música de Maurice Ravel”.

Cesário Costa dirigiu, entre muitas outras, a Royal Philharmonic Orchestra, a Berliner Symphoniker, a Nürnberger Symphoniker, a Orquestra da Ópera de Gotemburgo, a Orquestra Sinfónica Portuguesa, a Orquestra Gulbenkian, a Orquestra Sinfónica do Porto – Casa da Música,  entre outras mais.

Colaborou com solistas como Patricia Kopatchinskaja, David Geringas, António Meneses, Jan Lisiecki, António Rosado, Branford Marsalis, Boris Berezovky, David Russel, Elisabete Matos, Ute Lemper, entre outros, e trabalhou com encenadores como Terry Jones, Luís Miguel Cintra, Beatriz Batarda, João Pedro Vaz, Maria Emília Correia, Ricardo Neves-Neves, António Pires, António Durães, os coreógrafos Olga Roriz, Fernando Duarte, Victor Hugo Pontes, Vasco Wellenkamp, Miguel Ramalho e com La Fura dels Baus.

Completam o júri o notável barítono açoriano José Corvelo, há vários anos a lecionar Canto no Conservatório de Música do Vale do Sousa, que é também o coordenador técnico do concurso;  Ana Paula Russo, Soprano e Professora de Canto da Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa;  o siciliano Carmelo Corrado Caruso, afamado barítono não só em Itália mas um pouco por todo o mundo; Aquiles Machado, distinto tenor venezuelano radicado em Espanha; André Cunha Leal, Programador do Centro Cultural de Belém (Lisboa) e Curador de Conteúdos da RTP Palco; e, Elisabete Matos, Soprano e Diretora Artística do Teatro Nacional de São Carlos (Lisboa). “Por motivos de força maior”, os dois últimos não estiveram presentes na sessão inaugural.

Prémios monetários aliciantes

Nos dias 4 e 5 realizaram-se as eliminatórias, das quais foram selecionados os concorrentes para a semi-final, que se realizou na quarta-feira. A final decorre no sábado, 9 de julho e os vencedores participarão num Concerto de Laureados, na Casa da Música, no Domingo.

Além do prestígio do júri como fator motivacional para inscrição de muitos concorrentes, outro fator foi admitido pelos candidatos como tendo suscitado interesse considerável: os prémios monetários.

A juntar ao respetivo certificado, quem vencer o concurso arrecadará um prémio de seis mil euros, cabendo ao segundo classificado um montante de quatro mil euros. Para a terceira posição na classificação está destinado um pecúlio de dois mil euros.

O público é chamado a participar com o seu voto, estando prevista a atribuição de um prémio de mil euros ao concorrente eleito por quem assiste às audições.

Por último, refira-se que os pianistas acompanhantes estarão também em avaliação e o vencedor receberá um prémio de mil euros e um certificado.

Os premiados poderão ter acesso a outros Prémios Especiais atribuídos por diversas instituições promotoras de Espetáculos de Ópera em Portugal.

Refira-se que, conforme estipula ao regulamento do concurso, sete candidatos (todos portugueses) foram diretamente admitidos à semi-final, sem passar pelas eliminatórias, por terem vencido (1º prémio) um concurso internacional de ópera nos últimos dois anos.

Vários orientais no concurso

Com um certo nervosismo, que nem sempre conseguiu esconder durante a atuação, Verónica Soares da Silva, de 23 anos, protagonizou a primeira audição da prova. Os nervos e o calor fizeram transpirar, mas ainda assim no cômputo geral “estou satisfeita comigo própria, pois acho que não estive mal nesta que foi a  minha primeira experiência em concursos”, disse a jovem.

“Sou daqui de perto, de Marco de Canaveses, e por isso não tinha nada a perder, vim estrear-me e ganhar experiência neste tipo de concursos”, acrescentou a cantora, que também elogiou a organização pela autoria do evento.

A primeira estrangeira a prestar provas foi uma alemã radicada em Inglaterra, mas que quer deslocar-se para Portugal. É soprano e chama-se Milena Knauss, de 28 anos. No final da sua prestação mostrou-se gradada com o desempenho, mas sublinhou que “nunca se consegue ser perfeito, é sempre possível fazer melhor e isso é um dos dos fatores mais interessantes do canto”.

“Quero muito trabalhar em Portugal e por isso estou a concorrer a este concurso nesta bonita localidade”, disse a simpática e efusiva cantora.
Um dos aspetos que mais se destacou na primeira eliminatória foi a presença de vários concorrentes asiáticos, nomeadamente da China e da Coreia do Sul. Na segunda-feira prestaram provas Shuang Yang, Jun Huang, Xinxin Zhao e Boru Yi. Esta última é uma jovem chinesa, natural de Pequim (China), mas reside há alguns anos em Itália e adotou o nome europeu Olivia.
“Vim a este concurso em Lousada porque adoro viajar, principalmente para países e localidades interessantes com concursos de canto que é a minha maior paixão”, referiu a jovem de canto lírico.

Ao contrário dos candidatos orientais, que se apresentaram maioritariamente através de homens, este género está sub representado no concurso. De facto, um aspeto que parece recorrente é a baixa percentagem de concorrentes masculinos na generalidade de concursos de canto lírico, em Portugal.

A primeira eliminatória contou com a presença de 25 candidatos, dos quais apenas cinco eram do sexo masculino.

Debate na Biblioteca Municipal

O docente José Corvelo referiu que na quinta e sexta-feira serão dias sem audições, alguns dos renomados intérpretes que integram o Júri irão proporcionar a realização no CMVS de Workshops para alunos de canto ou cantores já formados.
Na quinta-feira, às 10h00 realiza-se na Biblioteca Municipal de Lousada uma tertúlia intitulada “O Canto Lírico em Portugal: Atualidade e Perspetivas de Futuro”, com a presença dos jurados com moderação de Ana Paula Russo.

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