por | 30 Nov, 2022 | Cultura, LouzaRock

Os sítios do rock

Muitas vezes sem as condições adequadas para a realização de concertos, mesmo que fossem acústicos, muitos cafés e bares deram um impulso importante às bandas rock. Muitos desses espaços transformaram-se em café-concerto ou clubes de música, e tornaram-se locais de culto, ajudando à proliferação de bandas e ao surgimento de novos intérpretes. O Sunny Side e a Fonte do Baco foram dois desses sítios onde o rock lousadense proliferou.

Na região podemos referir as discotecas Dinossaurus e Mama Deixa (Felgueiras), a Tocata (Freamunde), o De Bandeja (Rebordosa), o Rock Bar (Lordelo); o Aladino Bar, o Diferenças e o Ribeira (Paredes), Contrasto Bar e Canecas Bar (Paços de Ferreira), Discoteca Abreus (Frazão, Paços de Ferreira), West Bar (Termas de S. Vicente), Starlight (Vila das Aves), Espaço A (antigo Leny’s Bar, em Freamunde), etc.

Em Lousada tornaram-se míticos os nomes Fonte do Baco, Sunny Side, Arcada, Alvela (de Paulo Hostílio), Country Bar (de Filipe “Cenoura” Nunes), o Velhote Bar, o Adeskabir (e mais recentemente o First Pub/Will’s Bar e o o Puro Flow), entre outros, foram palcos de concertos, mas acima de tudo foram sítios de partilha, de empréstimo de equipamentos e instrumentos, de experimentação e de transmissão de conhecimentos.

Muitas influências, não apenas musicais, radiaram para a região a partir do Luís Armastrondo, um bar e café-concerto, situado na Ribeira do Porto, institucionalizado como o equivalente local ao mítico Rock Rendez-Vous (sala de concertos na cidade de Lisboa). Tudo começou com a vontade de Manuel Sousa e João Faiões, de animarem o bar. A sua paixão pela Música Moderna Portuguesa deu origem a concertos quase diários de jazz, tendo como base o Quarteto de Rui Azul e, algum tempo depois, também de rock ao fim-de-semana. O “Armastrondo” veio ocupar um lugar de destaque no panorama musical português já que se tornara, em 1987, no primeiro local da cidade onde os concertos aconteciam semanalmente, possibilitando dessa forma uma rodagem importante para a nova vaga de músicos e de bandas a despontar na altura. Foram muitos os que lá atuaram: organizado por Luís Freixo, que se tornaria o mentor dos concertos de fim-de-semana, o primeiro foi com os Essa Entente; seguiram-se entre muitos outros os Mão Morta, Repórter Estrábico, Sitiados, Academia da Euphoria, Ecos da Cave, Komintern, Lobo Meigo, General Inverno, Entes Queridos, Zen, Melleril de Nembutal, Bramassaji, Terra Mar, Linha Geral, Emílio e a Tribo do Rum, João Phalo & The Box, SPQR, Ocaso Épico, Easy Gents, D’Age, Fiori del Fiume, Falecido Alves dos Reis, Fé de Sábio, Les Fleurs du Mal, Objectos Perdidos, Depressão Total, Cagalhões, Peste & Sida, Ella Sing, K4 Quadrado Azul, Requiem Pelos Vivos e U Nu. A atenção pelo novo rock galego foi evidente na programação da casa, que organizou o I Festival Luso-Galaico de Rock ao Vivo[2] e apresentou no seu palco nomes como o Sporting de Transylvania, El Metodo Sueco, Los XXIV Ancianos, Alguién e La Traición. Entretanto o espaço detido pelos sócios fundadores mudou de mãos e o colaborador-programador Luís Freixo afastou-se. Em finais de 1988 a nova gerência muda o nome da casa para Louis Armstrong e apenas um ano depois, na noite de Natal de 1990 (com a casa vazia, felizmente), um desabamento de terras na encosta em que se apoiava a traseira do edifício faz com que a estrutura se desmoronasse irremediavelmente e para sempre. Apenas dois dias antes tinham atuado no seu famoso palco os Último Reduto.

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