por | 23 Jan, 2023 | Opinião

Investir na Educação é investir no futuro

Desde o fim de dezembro que assistimos a escolas fechadas de norte a sul de Portugal. As escolas do concelho de Lousada também entraram na luta e, desde o início de janeiro, já encerraram vários estabelecimentos dos quatro agrupamentos, durante vários dias.

Nenhum professor ou assistente operacional deseja a greve. A greve é sempre um dos últimos recursos usados por qualquer trabalhador na luta pelos seus direitos. Então, o que está em causa nesta luta que une de forma inequívoca os profissionais da Educação numa guerra contra o Ministério da Educação, que parece não ter fim à vista? Em primeiro lugar, temos a precariedade dos assistentes operacionais e da maioria dos assistentes técnicos, a estagnação na carreira, os baixos salários e a falta de condições de trabalho. Depois, temos as reivindicações dos professores que já são antigas e que agora, com a municipalização da Educação, fez transbordar o copo: quotas para a progressão na carreira, estagnação na progressão, perda de poder de compra, a recusa do governo em contabilizar todo o tempo de serviço congelado, a falta de vinculação de milhares de professores contratados, as colocações longe da área de residência sem qualquer apoio financeiro, a burocracia, o envelhecimento dos profissionais e a falta de novos, etc. A lista é longa… Tão longa, que o Primeiro-Ministro até disse que responder a estas exigências era dar um passo maior do que a perna.

A semana terminou com as negociações falhadas entre o Ministério da Educação e os sindicatos. O Ministro da Educação só levou para a mesa da negociação as questões da vinculação, deixando de fora os problemas dos profissionais não docentes e as restantes questões ligadas à carreira docente, como progressões, tempo de serviço, condições de trabalho, entre outras. Foi uma ronda de negociações muito insatisfatória, pelo que não foi suficiente para apaziguar a classe e desmobilizar da greve.

É essencial que o governo veja a Educação pública como um investimento no futuro e no desenvolvimento do país e não como uma mera e incómoda despesa. Contudo, os sucessivos governos desde 2008 têm visto a Educação como um problema, quando ela é precisamente a chave para o desenvolvimento, para a saída do país da calamidade dos baixos salários que nos coloca na cauda da Europa. Todo o investimento custa dinheiro, mas a capitalização será a criação de empregos de maior valor acrescentado que nos retirará da rota dos países onde a força do trabalho é barata por ser pouco qualificada. E, para que a Educação seja uma solução para o desenvolvimento do país, os seus profissionais não podem ser precários nem mal pagos, têm de estar altamente motivados e ser valorizados para que respondam às exigências do dia a dia com profissionalismo e empenho naquela que é uma das carreiras mais exigentes da sociedade.

Assim, os professores e todos os outros profissionais da Educação precisam de um apoio da sociedade civil que permita levar o sonho da Educação pública de qualidade a bom porto. Continuaremos a luta e contamos com a solidariedade do país.

Filipa Pinto – Professora na Escola Secundária de Lousada

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Lousada ultrapassou os 50 mil habitantes, devido ao aumento da população estrangeira

Análise do jornal O Louzadense aos mais recentes dados provisórios e preliminares do Instituto...

Equipa de Shinkyokushin conquistou seis pódios

O WIBK Dojo Verdadeiro Espírito, do lousadense Paulo Rente Silva marcou presença no Torneio...

Atleta de Lousada convocada para Jogos do Eixo Atlântico

A jovem Daniela Pereira, natural da freguesia de Pias, em Lousada, foi convocada para integrar a...

"Talvez seja por isso que gosto tanto das nascentes. Porque, ao contrário dos rios, que toda a...

Campeões Nacionais de Natação Adaptada

Os atletas lousadenses do clube Lousada Século XXI estiveram em grande evidência no Campeonato...

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, foi uma das convidadas do...

Forte internacionalização do Inferno das Febras

O Inferno das Febras regressa ao Parque de Lazer e Merendas de Casais, em Lousada, nos dias 28 e...

O treinador penafidelense João Paulo Guedes Silvestre, de 36 anos, é referido por várias fontes...

Protocolo para projeto de turismo cultural assinado entre a CCDR-N e Vidas em Cena

A Associação Vidas em Cena, de Lousada, está entre as dez entidades culturais da Região Norte...

A celebração dos 100 anos dos Bombeiros Voluntários de Lousada constitui um momento de...

Siga-nos nas redes sociais