por | 24 Mar, 2023 | Opinião

Ser Mulher
  1. Os talentos e as competências das mulheres têm o mesmo reconhecimento fora de Portugal?

Flávia Sousa: Infelizmente, existe um maior reconhecimento do talento e das competências das mulheres fora de Portugal. Ao longo destes anos de carreira sempre senti ser mais reconhecida e valorizada fora de Portugal. Existem mais oportunidades para progressão contínua anual na carreira, mais financiamento também, valorização laboral e um excelente balanço entre a vida pessoal e profissional.   

  1. Ser mulher, e não homem, ajuda ou prejudica na construção de uma carreira, ou na materialização de um projeto?

Flávia Sousa: Ser mulher continua a ser prejudicial na construção de uma carreira. Infelizmente ainda existem discrepâncias salariais graves relativas ao género e é difícil para uma mulher conseguir conciliar a vida pessoal com a vida profissional competitiva que existe na ciência. As posições de chefia e de poder ainda são maioritariamente ocupadas por homens e eu sinto que é muito desafiante conseguir alcançar essas posições. Na academia, existe muita competição e não se pode parar de publicar, escrever projetos e arranjar financiamento. O crescimento de uma mulher na ciência ainda é mais lento do que o de um homem porque, por exemplo, uma licença longa de parto pode ser prejudicial para materializar um projeto. Contudo, nos últimos anos e fora de Portugal já começam a existir alguns projetos dedicados apenas a mulheres cientistas, como é o caso do projeto que ganhei no ano passado no Adolphe Merkle Institute (Suíça). É um projeto para 2 anos que é exclusivo para mulheres cientistas. 

  1. Como manter o foco no que realmente deseja e manter-se atualizada com o mercado?

Flávia Sousa: O meu principal foco é a minha paixão pelo trabalho que faço. Não sinto que trabalhe durante os meus dias mas sinto que estou a trabalhar para um bem maior, para deixar uma marca neste mundo. Até pode nem acontecer mas, pelo menos, dei o meu melhor e tentei. E é nisso que me foco nos momentos mais difíceis. Acredito que tenho um propósito de vida e é por ele que luto diariamente.  Para me manter atualizada com o mercado leio bastantes artigos científicos, tenho reuniões com colaboradores de outros laboratórios internacionais e vou a conferências internacionais.

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