por | 9 Abr, 2023 | Sociedade

Páscoa 2023: Como será a celebração pós-covid?

A Páscoa é uma celebração do calendário religioso cristão em memória à crucificação e à ressurreição de Jesus Cristo, ou seja, relembra-nos os últimos atos de Jesus Cristo. É uma festividade aguardada com muita expectativa pelos fiéis e, este ano, pode afirmar-se que mais dado as tradições estão a voltar. A data da Páscoa é móvel e comemora-se a 9 de abril. Saiba o que o Padre Paulo Godinho prega sobre a época e, ainda,  as expectativas de um Juiz da Cruz e de uma família. 

Padre Paulo Sérgio Silva GodinhoPároco de Boim, Cristelos, Pias e Silvares

  1. Qual é o significado da Páscoa para os cristãos?

Para os cristãos a Páscoa tem um significado muito especial, dada a sua enorme importância, seja em todo o ano litúrgico, seja na experiência e no crescimento da fé. A celebração da Páscoa na vida cristã está dotada de uma centralidade imensa. Nela está contida a experiência da eternidade da vida. Quando pensamos na Páscoa, pensamos no mistério da Ressurreição de Jesus, pensamos na “passagem” da morte à vida, pensamos na vida que vence as barreiras do tempo cronologia, dos anos, dos meses e dos dias e se abre ao que fica para sempre. Celebrar a Páscoa é descobrir, viver e experimentar a grandeza do dom da vida. Viver é Páscoa é abraçar Cristo vivo, é caminhar agarrados a Ele e com Ele viveremos.

  1. Como incentiva os membros das suas Paróquias a celebrar a Páscoa de uma forma significativa e pessoal?

A Páscoa, como qualquer celebração dominical da Eucaristia, ou mesmo outros momentos propostos e vividos ao longo do ano, são sempre uma ocasião e uma oportunidade de Encontro e de expressão familiar. O incentivo / convite é sempre dado e oferecido, na esperança do melhor acolhimento do mesmo. É tão bom quando dotamos as nossas vidas destas oportunidades de encontro, partilha e comunhão de vida. De alguma forma, é deste modo que partilho o desejo de fazermos deste tempo, como de todo o tempo também, um caminhar juntos, na certeza que para além de juntos sermos mais fortes, também enriquecemos o coração de belas e profundas experiências de vida. Estar juntos, celebrar juntos, viver juntos…um belo motivo para celebrar a Páscoa.

  1. Como é que a sua paróquia está a preparar-se para celebrar a Páscoa num contexto pós-covid?

O tempo do Covid trouxe muita coisa, a necessidade na altura de corresponder e cumprir todo um conjunto de recomendações era uma realidade. Com o tempo vamos adquirindo a normalidade que buscamos, ansiamos e desejamos. Hoje, essa normalidade tornou-se realidade e estamos a preparar-nos para viver intensamente o Tríduo Pascal e o Domingo de Páscoa. O ano que passou, ditou uma grande mudança no espaço celebrativo, espaço esse que este ano voltamos a escolher, o Pavilhão Municipal de Lousada, espaço mais amplo e capaz de receber mais pessoas ao longo dos dias do Tríduo Pascal, nestes dias em que procuramos num espírito de comunhão inter paroquial ser uma COMUNIDADE DE COMUNIDADES.

  1. A celebração será totalmente sem restrições ou os cuidados são para manter?

Posso responder simplesmente que sim. As celebrações sempre acompanharam o evoluir da situação, sempre procuraram ser espaço de expressão de responsabilidade cívica, social e humana. Neste momento, e dado o tempo presente que estamos a viver, creio que tudo faremos e viveremos sem restrições, mas sempre agindo e vivendo de modo responsável e com espírito fraterno.

  1. Quais são as mensagens principais que destaca nas suas homilias de Páscoa?

Muita da mensagem a transmitir depende muito da inspiração do momento. Contudo, procuro sempre que a mensagem a transmitir seja dotada de actualidade, quer no que à leitura actual do mundo diz respeito, quer no que diz respeito à sua aplicabilidade. Seria tão bom que a Palavra de Deus fosse mais escutada e vivida. Por ela, fazemos do caminho da nossa vida um constante marco de esperança, de caridade e de fé. Vale a pena sentir que o eterno enche de beleza, grandeza e sentido a nossa vida de ontem, de hoje e de sempre (e para sempre!!).

Miguel Freire Juiz da Cruz em Casais

Miguel Ângelo da Silva Freire, de 44 anos, concedeu uma entrevista na qualidade de Juiz da Cruz de Casais. “A Páscoa, sem dúvida, é um dia de alegria e de serviço à comunidade”, principia. Aliás, este confessa que é a época mais bonita do ano (à exceção do Natal). 

“Sou cristão”, declara. O lousadense não era muito praticante devido à sua vida profissional, mas, hoje em dia, vai com maior regularidade à casa do senhor. Contudo, acredita que às vezes o ser muito assíduo não significa que a pessoa esteja de corpo e alma. 

“Quando eu vou, estou lá, na totalidade e com toda a devoção possível”, sublinha. Para mais, considera que para rezar não é necessário ir à Igreja, conforme faz de forma regular. 

Este ano, 2023, será a 1º vez que ocupará a posição de Juiz da Cruz. O lousadense foi convidado em 2020 por um antigo Juiz da Cruz e ponderou pois não fica propriamente barato e exige uma logística grande. Porém, com os incentivos por parte de várias pessoas, aceitou com o maior respeito pela paróquia e pela comunidade. 

Conforme referido, o convite foi feito em 2020 mas só este ano é que irá representar o cargo. Questionado acerca das restrições, de imediato, refere que irá reunir com Pe. Mota para saber de tudo ao pormenor. Todavia, acredita que não haja limitações porque é bom voltar aos costumes e hábitos de sempre. 

O ano passado, em 2022, o compasso saiu. No entanto, com várias restrições como o beijar da cruz. A questão que se coloca: Será que este ano tudo vai regressar à normalidade? Bem, pelo Juiz da Cruz de Casais, regressava-se ao habitual. 

“A expectativa é que tudo irá correr bem”, salienta. Uma boa organização, um  bom dia de sol, uma boa equipa … são fatores para que tudo corra na perfeição. Este é um grande desafio para Miguel, na medida em que está a servir a comunidade e a ajudar a paróquia. 

Ao Juiz da Cruz compete nomear um Juiz de Campainha. Este tem que arranjar cerca de 4 pessoas para andar com as cruzes e percorrer a casa de toda a gente. Para mais, organiza o almoço e jantar e, ainda, asseia a igreja e respetivas cruzes. 

“Se algum dia na paróquia não houver ninguém, eu estou disposto, pois é um dever enquanto membro cristão”, remata Miguel Freire. 

Maria da Glória de Sousa Magalhães e Belmiro Teixeira MagalhãesFamília 

Maria da Glória de Sousa Magalhães, de 76 anos, e Belmiro Teixeira Magalhães, de 79 anos, são mulher e homem. Residem em Boim e a Páscoa para esta família é sinónimo de cumplicidade e união. 

“A Páscoa é uma festividade bonita e, uma vez que somos religiosos, exerce bastante valor”, sublinham. O casal foi criado desta forma e, assim sendo, criaram os filhos de maneira igual. No fundo, de geração em geração, a beleza da época vai passando e já se encontra nos bisnetos. 

Questionados acerca da celebração, de imediato, entusiasmam-se a contar. “No domingo de Páscoa juntamo-nos todos em nossa casa”, contam. Os filhos, os netos, os bisnetos, os cunhados, as noras, os genros, os irmãos … estão presentes ao almoço ou na hora do Compasso Pascal que, nesta família, acontece por volta das 16 horas da tarde. 

A tradição é o domingo ser celebrado com muita gente e, este ano, irá voltar tudo ao habitual. Contudo, devido à pandemia, apenas não foi tanta gente a casa do casal. “Não foi tanta gente como o costume, ou seja, só mesmo os nossos filhos. Porém, agora vamos retomar a família alargada”, referem. 

Por norma, 24 pessoas juntam-se à mesa para comemorar. Contudo, o que acontece nesta época faz jus ao que acontece todos os domingos em casa do casal, um almoço com toda a família. Às 7h30m começa o dia com a ida à missa e, de seguida, Maria da Glória dirige-se a casa para fazer o almoço. Para mais, durante todo o dia, assiste-se ao Compasso Pascal na casa de todos (seja filhos, cunhados, irmãos). Às 16h da tarde, hora habitual da passagem do Compasso Pascal na casa da família, prepara-se um lanche bem recheado para receber todos. 

De acordo com o casal, ainda não se vai poder beijar a cruz. Todavia, será uma Páscoa mais livre de restrições (pelo menos na casa de Maria e Belmiro). Na Sexta-Feira Santa respeitam o jejum, ou seja, a abstenção de carne. No Domingo de Páscoa o prato tradicional é o cabrito.

“Já fui Juiz da Cruz por 2 vezes”, conta Belmiro. Segundo o próprio, é preciso saber ocupar esta posição pois é uma responsabilidade. Após 1 ano da 1º vez, foi novamente Juiz da Cruz porque não havia ninguém, acabando por assumir a função na véspera de Páscoa às 20h da noite. 

Maria da Glória adorou ver o marido na posição e, se fosse mais nova, desejava vê-lo novamente. “Foi um dia muito feliz”, conta. O casal confeccionou tudo em sua casa e ofereceu pequeno-almoço, almoço e jantar. 

Neste seguimento, as memórias dos domingos na qualidade de Juiz da Cruz ficam para sempre porque eram domingos diferentes e, ainda, com mais gente. “Desejamos a todos uma Páscoa feliz e que a tradição perdure por muitos e longos anos”, finalizam.

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