por | 3 Mai, 2023 | Opinião

A propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

A liberdade de todos depende da liberdade de imprensa,

António Guterres, Secretário-Geral da ONU.

Celebrar a liberdade de imprensa diz muito da sua importância e do flagelo com que se depara perante o abuso de poder que dela se tenta apropriar, com objetivos de censura, distorção ou manipulação.

A elaboração e publicação de informações precisas e relevantes está na base deontológica de qualquer jornalista. São estas o pilar para a correta formação da opinião pública. Uma sociedade livre, que se quer responsável, transparente e justa, só o será se todos tiverem liberdade de expressão e o acesso a informações rigorosas e verdadeiras.

Vem-me à memória o postulado da teoria da racionalidade limitada, de Herbert Simon, que nos diz que os seres humanos são limitados na sua capacidade de processar informações e tomar decisões racionais, porquanto estão sujeitos à falta de informações completas e precisas, entre a sua própria limitação cognitiva. Ora, cada um é capaz de formular opinião e tomar decisão com base na informação que detém e capacidade de a processar. Se a informação disponível for insuficiente, estiver distorcida ou, no limite, for errada, é claro que a opinião pública ficará, para além de pobre e condicionada, limitada, para não dizer manipulada. Isto é tão verdade e preocupante que em causa estará a própria democracia.

Sem liberdade de imprensa não é possível combater a corrupção, proteger direitos humanos, promover a igualdade, garantir transparência, reivindicar responsabilidades. A sua ausência é sinónimo de descrédito e regressão.

Hoje, perante um panorama multifacetado de novos media e novas ferramentas de informação, precisamos mais do que nunca de filtrar as fontes de informação e dar voz ao cidadão; promover uma base ativa de informação e não nos quedar pelo facilitismo das fontes passivas de informação; fomentar uma pedagogia social crítica e exigente dos media; educar para a verdade.   Como refere António Guterres, Secretário-Geral da ONU, na sua mensagem, “os jornalistas que defendem a verdade têm o apoio do mundo inteiro.” Eu não diria tanto (há sempre aqueles a quem a verdade não interessa), mas quero acreditar que a “verdade” ainda é o móbil pelo qual vale a pena dirigir um jornal, ser jornalista, ou simplesmente dar uma opinião.

Carlos Manuel Nunes,

Diretor do jornal O Louzadense

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Foi hoje inaugurado, na Escola Secundária de Paços de Ferreira, um projeto inovador e sustentável:...

Lousadense Beatriz Ferreira mobiliza comunidade para apoiar escolas em Cabo Verde

A solidariedade volta a ganhar voz em Lousada pelas mãos de Beatriz Ferreira, jovem lousadense que...

Na última sessão da Assembleia Municipal de Lousada, perguntei ao executivo que estratégia tem...

“Contas certas não significam contas justas nem desenvolvimento real”

Na mais recente Nota de Imprensa do PSD Lousada, o partido "manifesta a sua profunda preocupação e...

Crédito Agrícola perde em tribunal

O Supremo Tribunal condenou a Caixa Agrícola a pagar e reintegrar Susana Faria, mantendo a decisão...

AGRADECIMENTO

COM ETERNA GRATIDÃO, eu, Maria Irene Monteiro, venho, através d’ O Louzadense, agradecer o imenso...

Montalegre voltou a ser palco de mais uma jornada intensa do Campeonato Nacional de Rallycross...

Os maiores inimigos da liberdade, ironicamente, são, precisamente, aqueles que dizem ser os seus...

Editorial 163 | Pseudo Abrilistas

São 52 anos de Abril, 50 anos da Constituição da República e, muito em breve, 50 anos do Poder...

Quando a igualdade falha, a democracia enfraquece

Fala-se frequentemente de democracia e liberdade como valores adquiridos, quase garantidos, em...

Siga-nos nas redes sociais