por | 9 Mai, 2023 | Sociedade

Falta de exercício e maus hábitos alimentares na origem da corrida aos medicamentos

PROBLEMAS NEUROLÓGICOS TAMBÉM ESTÃO EM ALTA

Falta de exercício físico e hábitos alimentares com excesso de gorduras e hidratos de carbono parecem explicar o elevado consumo de medicamentos para o colesterol e para a diabetes. Também os problemas cardiovasculares motivam uma grande busca pelos respetivos fármacos. A exemplo do que acontece em Portugal, também as questões neurológicas motivam o elevado consumo de antidepressivos e calmantes. O aumento do custo de vida afeta os orçamentos familiares e a ida à farmácia fica muitas vezes em causa.

Segundo Paula Tavares, diretora técnica da Farmácia da Vila, “as cinco classes de medicamentos mais usados em 2022 foram os analgésicos (dor), psicolépticos (moderadores ou calmantes), agentes reguladores dos lípidos ou preparações anti-ateroma (ateroesclerose), agentes ativos no sistema renina-angiotensina (pressão arterial) e fármacos usados na diabetes”.

Com a crise económica, a conta da farmácia tem um peso significativo no orçamento de muitas famílias, sobretudo com idosos. “Tem impacto e as pessoas são muito mais criteriosas nas escolhas que fazem, priorizando necessidades”, afirma.

Aquela farmacêutica acrescenta que “para dar resposta aos casos de manifesta privação, as farmácias fundaram a Associação Dignitude e, através dela, o Programa Abem: Rede Social do Medicamento, que apoia as pessoas em situação de carência económica no acesso, sem custos, na farmácia, de modo totalmente anónimo e normalizado, aos medicamentos de que precisam. A rede está presente também em Lousada, de que é entidade referenciadora a Câmara Municipal”.

Também Sandra Pedra, da Farmácia de Meinedo, destaca o consumo de três classes de medicamentos: para o tratamento da hipertensão, da diabetes e da dislipidemia (colesterol). “Este aumento de consumo, em idades cada vez mais precoces, está diretamente relacionado com o estilo de vida da população, que é cada vez mais sedentário e que, aliado a uma dieta rica em alimentos processados, contendo um teor de gordura, açúcar e sal elevado, aumentam o risco de surgimento das patologias referidas”.

A diferença mais significativa na procura de medicamentos entre homens e mulheres, na opinião de Sandra Pedra está baseado na venda de antidepressivos e ansiolíticos: “reparamos diariamente que o consumo desta classe de medicamentos é muito mais notória por parte das mulheres. Na nossa opinião, esta conclusão pode estar relacionada com o facto de ainda hoje a mulher ser a mais destacada para várias tarefas domésticas, acoplado ao facto de ter horários de trabalho alargados e exigentes, o que não lhe permite um bom auxílio familiar”.

“A população está cada vez mais recetiva aos medicamentos genéricos, situação que gerava muitas dúvidas e desconfianças quanto à sua eficácia aquando da sua introdução no mercado, devido às diferenças de preços em relação aos medicamentos de marca”, salienta Sandra Pedra.

A especialista declara que “infelizmente, a crise económica que atravessamos tem um impacto negativo em todos os setores e as farmácias não são exceção. Na parte do atendimento ao utente, verificamos diariamente que a população tem de fazer opções, tais como optarem pelos genéricos mais baratos; adquirirem os medicamentos essenciais e apenas para uso mensal ou então vêm várias vezes à farmácia buscar apenas um medicamento de cada vez; diminuição da compra de vitaminas e cosméticos”.

Recolhemos também a opinião de Virgínia Neto, da Farmácia de Aveleda. No seu entender, “os medicamentos mais consumidos vão de encontro ao panorama nacional, ou seja, os medicamentos que mais se vendem em Lousada são para colesterol elevado, anti-hipertensores e antidiabéticos. De seguida vêm os antidepressivos e ansiolíticos. Também se toma muitos medicamentos modificadores da secreção gástrica, em grande parte devido a polimedicação que muitos utentes fazem. Os anticoagulantes, para prevenção de AVCs e enfartes, também são bastantes prescritos”.

A técnica releva também “o grande consumo de ansiolíticos e antidepressivos e também de estupefacientes, quer para dores crónicas, quer para défice de atenção e hiperatividade”.

Da crise económica e seu impacto no consumo farmacêutico, Virgínia Neto diz que “as pessoas não levam alguns medicamentos, especialmente aqueles que não são comparticipados, mesmo sendo prescritos pelo médico, nomeadamente produtos como probióticos, suplementos para as articulações, medicamentos para Insuficiência Venosa Crónica, um ou outra pomada mais cara para as dores”.

Complemento Solidário (CSI)

O Complemento Solidário para Idosos (CSI) é um apoio em dinheiro pago mensalmente aos idosos de baixos recursos, com idade igual ou superior à idade normal de acesso à pensão de velhice do regime geral de Segurança Social, ou seja, 66 anos e 4 meses e residentes em Portugal. Os recursos do casal têm de ser inferiores ou iguais a 10.252,60€ por ano e os recursos da pessoa que pede o CSI inferiores ou iguais a 5.858,63€ por ano. Se não for casado nem viver em união de facto há mais de 2 anos, os seus recursos têm de ser inferiores ou iguais a 5.858,63€ por ano. Residir em Portugal há pelo menos 6 anos seguidos na data em que faz o pedido. Ser cidadão português e não ter tido acesso à pensão social por ter rendimentos acima do valor limite de 192,17€ se for uma pessoa ou de 288,26€ se for um casal. Têm direito ao CSI os titulares de: Pensão de velhice ou de sobrevivência que tenham idade igual ou superior à idade normal de acesso à pensão do regime geral de segurança social; Pensão de Invalidez do Regime Geral que não sejam titulares da Prestação Social para a Inclusão. Quem recebe o complemento solidário para idosos tem direito a comparticipação na medicação (prescrita no âmbito do SNS). O CSI também permite apoio para óculos e próteses e dentaduras. No entanto, terão de levar cópias de receitas e recibos junto do centro de saúde.

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