Amílcar Abílio Leite Neto, O Comandante

Nasceu em 9 de Dezembro de 1932, numa casa da Rua de Santo António (em frente à Farmácia Fonseca) A Vila desse tempo vivia entusiasticamente a fundação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada, fruto da necessidade e do bairrismo das gentes locais. Dessa Corporação haveria de ser um notável comandante. Amílcar Neto foi um devoto da causa pública, nomeadamente no Município, onde se destacou como um presidente de consensos e harmonia.

O seu pai foi um destacado lousadense do século XX, chamado Paulino Pereira Neto, natural de Lousada, que explorava um comércio de ferragens e drogaria no rés-do-chão de sua casa. Era um negócio familiar, que herdou de seus pais, António da Silva Neto e Josefina Reis, que em finais do século XIX fundaram uma mercearia e drogaria na esquina da rua Palmira Meireles com o Pelourinho.

A mãe de Amílcar chamava-se Albina Soares da Costa Leite. Era natural de Vale de Cambra, mas residia há alguns anos em Paços de Ferreira, onde tinha uma fábrica de lacticínios, mudando-se para Lousada após o casamento. D. Albina era perita em produtos pasteurizados e a sua especialidade era a manteiga, que foi famosa na primeira metade do século XX.

Além de Amílcar, este casal teve mais três filhos: José Neto Pereira Leite, Maria Albertina Leite Neto e Maria Josefina Leite Neto.

Foi um exemplar chefe de família, comerciante honrado à frente da drogaria fundada pelo seu pai, a sua terra Natal viu também amadurecer um homem que fez jus ao ditado que diz que “quem sai aos seus não degenera”. Como seu pai e outros antepassados, participou na vida associativa e institucional lousadense com espírito solidário e abnegado.

Nos Bombeiros, chegou rapidamente ao mais alto posto da Corporação, onde se manteve durante quase 40 anos; na Câmara Municipal esteve como vereador e presidente durante 27 anos; foi presidente do Conselho Fiscal da Associação Comercial de Lousada entre 1994 e 2000; desempenhou igual cargo em duas entidades centenárias de Lousada, a Santa Casa da Misericórdia, entre 1982 e 1985, e a Assembleia Lousadense, entre 1995 e 1997; foi o primeiro presidente da Assembleia Geral da Associação de Cultura Musical de Lousada, em 1975, tendo também desempenhado funções no Conselho Fiscal, em 1977 e 1978; foi presidente da Assembleia Geral da Associação Desportiva de Lousada desde 1972 e 1979, com um interregno em 1974/75, época em que foi presidente da Direção.

Entrou para o Executivo da Câmara Municipal de Lousada, em 1962, retirando-se da vida autárquica 27 anos depois, em 1989. A estreia sucedeu no mandato de Joaquim Burmester de Abreu Malheiro, da Casa da Costilha, tendo assumido vários pelouros entre 1962 e 1968. A versatilidade e boa vontade permitiam-lhe acolher vários pelouros. No mandato seguinte integrou o elenco chefiado pelo advogado Dr. Adelino Carvalho de Andrade. Foi um mandato cumprido entre 1969 e 1973, que antecedeu o do Professor António Ildefonso dos Santos, que ficou pela metade devido à revolução de 25 de Abril de 1974.

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