A Casa Nobre no seu contexto histórico XXVI
A Estrutura Arquitetónica de Lousada, segundo as Memórias Paroquiais de 1758
Os Efeitos do Terramoto de 1755 em Lousada
Cabeça do concelho de Lousada, em meados do século XVIII, S. Miguel de Silvares, compreendia 150 fogos (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 35: fl. 1229) e a igreja e a casa da residência ficavam no «meyo da freguezia para a parte do nascente, aonde habita somente o reverendo Sancho, e os cazeyros.»1
Casa do Assento da Igreja, à esquerda e na atualidade, e a antiga Residência Paroquial – revelando uma curiosa arquitetura -, à direita.
O templo desta freguesia ficava distante do núcleo populacional, em local ermo «por sima das cazas, e eirado dos cazeiros do paçal» (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 35: fl. 1229) e era arquitetonicamente singelo. Sabe-se da sua existência desde o séc. XIII.2
Igreja Matriz de S. Miguel de Silvares (Lousada).
Eram cinco os altares que esta igreja possuía. No altar da capela-mor estava o Santíssimo Sacramento do Viático, no sacrário, a imagem de S. Miguel Arcanjo, o padroeiro, e a imagem de S. Gonçalo. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 35: fl. 1229). O arco cruzeiro tinha dois altares colaterais. No altar colateral, da parte direita, estavam colocadas as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Glória e Santa Luzia. E no altar colateral esquerdo encontrava-se a imagem do Santo Nome de Jesus. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 35: fl. 1230). Os dois outros altares tinham sido adossados ao corpo da igreja (metidos no arco cruzeiro). No altar da parte direita viam-se a imagem de Santo António e de S. Sebastião. O altar da parte esquerda pertencia à Confraria das Almas. Neste altar achava-se a imagem de S. Francisco de Bórgia. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1231).
Altar-mor da igreja de Silvares e imagem de S. Miguel Arcanjo, o seu titular.
Em Silvares tinham sido erguidas duas capelas privadas: Stº António e Stº Adrião; e uma pública: Capela do Calvário. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1231).
A capela de Santo António, cujo orago era o santo do mesmo nome, contava com as imagens de Nossa Senhora, do Menino Jesus, de Santa Ana e de Santa Luzia; foi edificada no lugar do Torrão, e pertencia ao Capitão Manuel Nunes Bandeira «morador na sua quinta chamada do Pinheyro (…) a qual a mandou reedificar a sua custa no anno de mil, sete centos, e vinte e sinco.» (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1232).
Capela de Stº António, à esquerda, e à esquerda o seu retábulo com o seu titular no trono.
Na quinta de Santo Adrião havia uma capela, cujo padroeiro era também o santo do mesmo nome, sendo administrada pelos seus proprietários. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1234).
Capela de Santo Adrião (Século XVII), na quinta do mesmo nome. Destaques: Torre sineira e data da sua edificação.
A capela do Senhor do Calvário, ficava alcandorada sobre o vértice do monte do Calvário, local aonde finalizava a via-sacra, perto da igreja de Silvares, tendo sido reedificada por um devoto desta freguesia em 1754 ou 1755. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1234). Nela, as imagens do Senhor Crucificado «que he dos engenhos e serve para todos os Passos,» (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1234), de S. João Evangelista, de Santa Maria Madalena e a de Nossa Senhora – imagens oferecidas pelo mesmo devoto.
No lugar de Ponterrinhas foi construída uma ponte em cantaria, de um só arco, que teria oitenta palmos de comprido e adossado às suas guardas estava um cruzeiro. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1236). A ponte foi erigida em 1726 para evitar «os grandes perigos em razam das muitas aguas que naquelle bosque se ajuntavam no tempo de inverno que descem do lugar de Lagares, e do lugar das Covas desta freguezia,» (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1237) e permitir a passagem da Estrada Real que vinha do Porto para Celorico de Bastos e daí para Chaves com destino a Bragança e Miranda do Douro. E por esta mesma estrada passava o Correio que ia para Mondim de Basto. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1236).
S. Miguel de Silvares contava com sete moinhos. Dois na serra do Calvelo e cinco no regato do Santão – todos eles negreiros. (Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21: fl. 1237).
Moinho de Ponterrinhas
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1 – Jornadas Europeias de Património, p. 23; Cf. À Descoberta do Vale de Sousa. Rotas do Património Edificado e Cultural… – p. 111., LOPES, Eduardo Teixeira – Lousada e as suas freguesias na Idade Média. Lousada: Edição da Câmara Municipal de Lousada, 2004, p. 345.
2 – LOPES, Eduardo Teixeira – o. c., 2004, p. 345. Cf. Jornadas Europeias de Património, p. 23.
3 – «(…) local onde finaliza a via-sacra, (…).» I. A. N. /T. T. – Dicionário Geográfico, 1758, vol. 21, fl.
Obras consultadas:
– Capelas Públicas de Lousada, 1995.
– À Descoberta do Vale de Sousa. Rotas do Património Cultural Edificado…, 2002.
– Dicionário Geográfico, 1758. vol. 21.
– Jornadas Europeias de Património.
– Silvares, um percurso pela sua história, 2009
– Terra Prendada, 1996
Nota: Todas as fotografias são de agosto de 2023, exceção para a da capela do Calvário (1997), e pertencem ao Arquivo particular de José Carlos Silva.
Exceção para as do Altar-mor da igreja, do retábulo da capela de Santo António, dos destaques da capela de Santo Adrião e do moinho de Ponterrinhas (Silvares, um percurso pela história, 2009). A da capela de Santo Adrião foi retirada da página da União de freguesias de Silvares, Pias, Nogueira e Alvarenga (Lousada): (https://www.facebook.com/jf.spna). A da Ponte de Ponterrinhas pertence ao Álbum do Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa, que tem circulado desde essa época histórica.
Autor: José Carlos Silva, Professor e Historiador
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