por | 28 Set, 2023 | Editorial, Editorial

Editorial 105 | Generosidade

A generosidade envolve o ato de dar, partilhar de forma desinteressada, ajudar por bondade. E quando assim se estabelece, a generosidade fortalece os laços sociais, ajuda a construir relações mais fortes e positivas entre as pessoas, promove comunidades mais sustentáveis, socialmente mais empáticas e inclusivas, gera o bem-estar geral. Generosidade gera gratidão. 

Há dias assistimos, com bastante apreço, ao espetáculo “Ruy, a história devida”, de Ruy de Carvalho. O ator, do alto dos seus 96 anos, abriu o coração e partilhou com o público histórias inéditas da sua longa e inspiradora carreira. Histórias de amor, histórias de humor, histórias e mais histórias, todas elas contadas na primeira pessoa. Impressionante encontrar pessoas com memória e lucidez aos 96 anos de vida! Admirável a atitude de, mesmo com 96 anos, querer dar e continuar a partilhar com o público um pouco (muito) de si. Um ato sincero de generosidade, pois o que recebeu em troca foi muito menos daquilo que nos deu. E aquilo que nos deu foi mais do que “história devida”, o ator deu-nos uma “lição de vida”.

Mais recentemente, o ciclista Joaquim Aires protagonizou a iniciativa Pedaladas Solidárias, de Lousada até Paris, percorrendo dez etapas em bicicleta, em que cada etapa estava associada ao apelo de donativos para uma das dez IPSS’s parceiras do concelho. Mais um exemplo de generosidade, meritório e louvável!

Admira-nos, pois, que Portugal seja um dos países menos generosos do mundo. Os resultados do World Giving Index, uma iniciativa da Charities Aid Foundation, indicam que Portugal é o segundo país menos generoso, ocupando a posição 113, do total de 114 países, sendo apenas ultrapassado pelo Japão.

As questões que nos parecem pertinentes colocar são introspetivas: quando foi a última vez que ajudei um estranho em dificuldade; doei dinheiro ou algum bem para uma instituição de caridade; pratiquei voluntariado; fui gentil e solidário? Se as respostas forem positivas estamos no bom caminho, mas os dados revelam-nos o contrário. Ainda registamos um baixo índice de participação em ações de voluntariado, somos “forretas” no apoio à arte, na doação que fazemos a instituições sociais, nos gestos gentis que temos uns para com os outros.

Pesquisas mostram que a generosidade pode ter benefícios significativos para a saúde mental, como a redução do stresse e o aumento da felicidade. Assim é, ser feliz quando se dá sem esperar nada em troca. Ser feliz a fazer os outros felizes. Assim é a generosidade, um valor fundamental da humanidade, que pode contribuir para um mundo mais compassivo e solidário.

Comecemos a educar as nossas crianças pelo exemplo. Cuidemos do futuro com a prática de pequenos atos de generosidade no dia a dia. O mesmo é dizer: “queira o bem, plante o bem, faça o bem. O resto vem!”

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