A palavra “fotografia”, que vem do grego “foto” e “grafia”, significa desenhar ou escrever com luz. É isso que faz Carlos Alberto de Jesus Ribeiro, cidadão popular e estimado dono de um dos estabelecimentos comerciais mais antigos de Lousada. Nasceu em Cinfães a 24 de outubro de 1954, crescido e maturado em Penafiel, mas já se considera lousadense, pois aqui vive há 40 anos. É um afamado fotógrafo mas também se destacou na vida local como bombeiro graduado, dirigente associativo, jurado em concursos e outras funções sociais e culturais.
A vocação pela fotografia foi herdada dos seus antepassados, de quem não herdou o nome Rocha, mas pelo qual é amplamente conhecido . A casa comercial Foto Rocha, em Penafiel, foi fundada em 1950, por um tio do seu pai que em 1956 emigrou para o Brasil. “Ora, o meu pai nessa época era empregado, e aconteceu que ele tomou conta da firma, em Penafiel. A abertura da loja Foto Rocha de Lousada aconteceu por volta de 1960, e era filial da loja de Penafiel”, relata o fotógrafo.
Na juventude, Carlos fez os estudos na Escola Industrial de Penafiel, que terminou em 1970, com 16 anos. Mas já trabalhava desde os 12 anos na arte fotográfica da família.
“Trabalhei sempre em fotografia, com os meus pais, até 1978 quando eu e a minha irmã Branca tomamos conta da loja de Lousada. Por imposição dos meus pais para mudar de nome, atribuímos a designação de Fotografia Orpheu, que se mantém até hoje e é um dos estabelecimentos comerciais mais antigos da vila e do concelho”, esclarece. Entretanto casou com Manuela Mesquita. Este casal teve duas filhas: Raquel e Magda Alexandra.
Do tipo de fotografia que mais gosta de executar diz que “é aquele que envolve pessoas, nomeadamente em reportagem social, em estúdio ou em fotografia de autor. De um modo geral gosto de fazer fotografia na qual o fotógrafo tenha grande domínio na luz, estética, composição e mensagem”, acrescenta.

Sobre os primórdios da sua aprendizagem faz notar que tomou contacto com várias técnicas e equipamentos, que a evolução tecnológica veio a suprimir com o passar dos anos. “Note-se que passei por vários tipos de captações. Ainda manuseei chapas de vidro, embora já na fase em que se tornaram obsoletas; trabalhei com películas rígidas de vários formatos, rolos 220 e 120 em negativo médio formato e rolos 35mm, sendo os rolos a preto e branco e posteriormente a cores, e, depois a era digital”, afirma.
A evolução técnica exige uma constante aquisição de conhecimento e Carlos Ribeiro dedica especial atenção a essa premissa: “A partir dos anos 80, comecei a sentir grande necessidade de evoluir e adquirir vários livros de fotografia, vendo neles a necessidade de aprender mais misturando outros conceitos de fotografia, e daí comecei a frequentar congressos, seminários, workshops de fotografia quer cá em Portugal como Espanha e Itália”.
Nos últimos anos participou em mais de 50 formações para estar a par do que se passa num setor que vive tempos de ebulição e transformação acelerada. Neste contexto, uma das dificuldades com que se deparam os fotógrafos, “é a falta de regulamentação da profissão, pois a nível governamental isso tem sido sempre negado. Outra questão premente, é a falta de conhecimento da população do que é uma fotografia profissional, de uma fotografia amadora”, aponta o fotógrafo.
Dirigente associativo especializado
A proliferação dos telemóveis retirou protagonismo às máquinas fotográficas. Essa mudança radical permite a qualquer pessoa registar momentos e eventos. Mas Carlos Ribeiro esclarece que “antes de mais nada, temos de saber diferenciar entre o que é fotografia e o que é imagem. Tudo o que é capturado por meios digitais, como telemóveis, por exemplo, é imagem. É bom que as pessoas captem muitas imagens com os telemóveis, mas devem selecionar e ir a uma loja de fotografia mandar imprimir as imagens que selecionarem, pois aí é que ficam fotografias para recordar”.
Num congresso de fotógrafos, em 1993, em Viana do Castelo, Carlos Ribeiro juntou-se a muitos profissionais descontentes com o panorama associativo da época e resolveram criar a Associação de Fotógrafos Profissionais , que se veio a chamar, mais tarde, Associação Portuguesa dos Profissionais da Imagem),com sede em Paços de Ferreira, e da qual Carlos Ribeiro foi dirigente durante 23 anos. Nessa entidade foi o responsável pelas Qualificações, segundo o qual “são a melhor formação, que é grátis, para os profissionais da fotografia e do vídeo. As Qualificações são anuais e tem um pendor tecnológico, sobre os conhecimentos que cada profissional se submete a avaliação por um grupo de juízes. Fui eleito Presidente do Colégio de Juízes e fui Diretor Geral das Qualificações, desde a criação daquele serviço em 2007, até 2015”, esclarece o nosso entrevistado.
Uma perda lamentável
Uma verdadeira catástrofe aconteceu há cerca de 30 anos, quando uma inundação de água estragou grande parte do espólio de arquivo de Carlos Ribeiro. Sobre isso diz com pesar: “nem quero recordar essa época, pois tinha todos os registos de negativos meus e do meu pai, aqui na loja todos devidamente acondicionados. Andei desmotivado durante uns tempos, mas passou. Agora, o que tenho arquivado data de 2000 em diante. Foi um grande desgosto, pois perdeu-se meio século de história fotográfica”, desabafa.
Mudando de assunto, perguntamos a este especialista quais são as vantagens e desvantagens de usar o método analógico (antigo) e o digital (atual): “na fotografia analógica o fotógrafo tem de ter mais conhecimentos técnicos, e concentrar-se no domínio das regulações da câmara, perante o que está a fotografar. Na fotografia digital, o fotógrafo quase esquece essas regulações, e atenta-se mais à composição, enquadramento, expressão. Em digital faz muitos mais disparos, pois não gasta rolo e estes eram caros”.


Sobre a escolha de fotografia a cores ou a preto e branco, não tem uma preferência e explica: “ambas têm a sua magia. O preto e branco analógico é mais cru, é como discos de vinil ou CD. Com o digital, através da edição e tratamento de imagem, faz-se magia, tanto a cores como a preto e branco. Por exemplo: fotografia de produto, será sempre a cores e fotografia de época será a preto e branco”.
Invocando os seus fotógrafos famosos preferidos refere que tem “um ou mais para cada estilo ou modalidade. Em fotografia de estúdio gosto muito de Valéria Cassina, em reportagem social aprecio muito os trabalhos de David Murray, em fotojornalismo gosto de Sebastião Salgado e como visionário destaco o Ansel Adams, entre outros”.
Por último, apelamos ao espírito crítico e analítico, que decorrem naturalmente da observação acutilante de um fotógrafo. Sobre a evolução da Vila, diz que “foi acontecendo duma forma regular e aceitável, exceto a criação daquilo a que chamo uma eira num espaço destinado a trânsito rodoviário e estacionamento, que só serve praticamente para a prática de skate, com todos os incómodos inerentes”.














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