por | 9 Dez, 2023 | Política, Sociedade

“QUO VADIS”, PORTUGAL?

INQUÉRITO SOBRE A SITUAÇÃO POLÍTICA

Insegurança, receio e desconfiança são as palavras mais ouvidas num inquérito que realizamos para auscultar a opinião dos cidadãos sobre a situação política e para onde caminha Portugal. Quase todos os inquiridos consideram que o Presidente da República esteve bem ao dissolver o Parlamento e convocar eleições. Não obstante, a maioria das pessoas pensa que o ato eleitoral de 10 de março próximo vai resultar em instabilidade ou alianças difíceis.

“Para onde vais, Portugal?”, parece ser a pergunta que todos os cidadãos fazem. A resposta não parece fácil. Numa dezena e meia de inquérito realizados de forma ad hoc e aleatória, percebemos que as pessoas estão inseguras quanto “ao que aí vem”. Muitos dizem que “o que tínhamos” era um mal menor”. A estabilidade que uma maioria parlamentar transmite é sinónimo de segurança para muitos portugueses. Mas há também o oposto, quem veja na instabilidade ou nas minorias parlamentares uma obrigação de formar alianças, consensos e acordos, e logo, uma divisão do poder poderá ser mais democrática. Esta última será porventura uma fórmula complicada mas que em Espanha parece estar a resultar, apesar da aliança que tem tanto de contestada como de inesperada de Socialistas com os Independentistas Catalães.

Se em Portugal e na Península Ibérica a situação geopolítica parece delicada, também  outros países da Europa e do Mundo vivem situações periclitantes e até de extrema gravidade por causa da guerra que os assola. Incerteza e preocupação parecem ser as palavras e os sentimentos dominantes na cena geopolítica mundial. Neste contexto global

Portugal vai a votos no próximo dia 10 de março.

Ana Lúcia Melo

A professora de artes visuais Ana Lúcia Melo pensa que “a situação do Governo estava desde à muito insustentável, foi suportada até um limite quase desastroso” e apoia a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa. Afiança que “a situação política nacional reflete o estado do país e da desresponsabilização generalizada das entidades e indivíduos responsáveis”. Para justificar esta declaração contundente diz que “o desinvestimento na Educação, na Saúde e na Justiça, as três áreas basilares de qualquer sociedade, resultam de uma classe política mal preparada para a gestão e com uma grande falta de valores sociais, essenciais para o respeito e valorização de uma sociedade e prosperidade da mesma”. Defende Ana Lúcia que “é urgente mudar o paradigma político e a forma de fazer política, a forma de se ser político tem de mudar, ser modernizada e credibilizada”. Do que aí vem após as eleições diz não ter perspetivas muito animadoras, o teatro político continua o mesmo, os debates os mesmos, os discursos não são convincentes, são apenas construídos com intuitos eleitorais, pelo que muito pode mudar até março, ou tudo pode ficar na mesma…. Mas se não mudarmos mentalidades, se não educarmos, se não criarmos seres pensantes e atuantes, o caminho não será certamente o melhor”, remata Ana Lúcia Melo.

José Teixeira

Para José Teixeira, de 42 anos, oficial de assistência e vigilância diz que “neste momento a situação política em Portugal está a passar por uma fase delicada e com agravamento para o futuro”. Concorda com a dissolução do governo e convocação de eleições, mas faz um reparo: “se marcou eleições poderá haver novo governo e o mesmo vai começar a governar com o orçamento de estado aprovado por um governo que foi destituído , acho um grande erro”. Quanto às eleições, “espero que o povo levante o rabo do sofá e que acorde, que vá votar; o nosso País precisa de sentir que o povo está na luta e não querem ser comandados por políticos maus”, conclui José Teixeira.

Nuno Rebelo

O empresário Nuno Rebelo, de 59 anos, afirma que “Portugal mergulhou num ambiente de corrupção e compadrio sem precedentes. O presidente fez bem em convocar eleições. A minha perspetiva para as eleições é que a direita se entenda e perceba que a veemência dos discursos de um partido não pode ser razão para o diabolizar”. Nuno Rebelo vê Portugal como “um país de desequilíbrios sociais e económicos estrondosos, mergulhado em megalomanias de obras públicas, esquecendo a saúde pública em colapso e a qualidade do ensino na lama, a segurança pública e um Estado lastimável. Estamos em recessão económica neste momento. Os números e relatórios do governo não coincidem com a realidade. As empresas sufocam em impostos. O governo sobrevive da sangria tributária record e o maior volume de dinheiro de que há memória e mesmo assim colapsa a economia e os serviços públicos. Estes são os factos. Tudo o resto quanto a mim não passam de narrativas”, declara.

António Pacheco

O viticultor de 51 anos, António Pacheco, não tem dúvidas ao afirmar que “atravessamos uma época de descrença política devido à falta de responsabilidade e seriedade dos nossos políticos num país onde falta muito aplicar a Justiça”.Também este lousadense pensa que o presidente da república fez bem convocar eleições e quanto ao futuro, “não tenho perspetiva alguma, uma vez que as pessoas que criaram os problemas atuais na saúde na educação na TAP, na CP e nas administrações das instituições públicas, lá irão continuar sem que nada os impeça e sem responsabilização”, lamenta. A concluir diz que “importante seria termos alguém com uma estratégia industrial e empresarial nacional para médio e logo prazo tendo em vista um crescimento sustentável”.

Júlio Mota

O agente imobiliário de Lagoas, Júlio Mota, está pessimista: “o que se passa é, no mínimo é uma situação perigosa para a democracia. Temos todos que refletir sobre os avanços exponenciais do radicalismo, principalmente da Direita”.  Ao contrário da generalidade dos inquiridos, Júlio Mota diz que “o Marcelo fez mal ao dissolver a Assembleia. Deveria ter tido mais calma e não ter aceitado a demissão do Costa de imediato. Tanto é que, os motivos pelos quais essa demissão foi apresentada, rapidamente se esboroaram e deram em nada. É só ver e ler o que aconteceu. Pessoas detidas durante quase uma semana e no final…bola”. Para este inquirido “o PS vai ganhar as eleições sem maioria e muito provavelmente vamos ter uma geringonça à Direita, com o Chega a viabilizar um governo”.

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