Lino Gomes Ribeiro, um aluno brilhante da Fabinter

“Cumprir promessas é a chave do sucesso”

Este é reconhecidamente um dos empresários de maior sucesso em Lousada. Lino Gomes Ribeiro foi um dos muitos “alunos” dessa instituição industrial chamada Fabinter, de onde saiu com os conhecimentos necessários para triunfar. Em 1987, fundou a Grantex, uma indústria de confeções que é uma marca de prestígio em Portugal, tanto assim é que recebeu recentemente o prémio Excelência para PME – Pequenas e Médias Empresas. Nesta entrevista biográfica, o empresário explica a receita para o seu sucesso.

Nasceu em Sousela, há 76 anos, depois viveu em Casais durante 7 anos e voltou para Sousela antes de ir para a guerra do Ultramar. Quando regressou de África estabeleceu-se na sua freguesia de origem, dedicando-se à lavoura, na exploração de uma quinta do seu padrinho. Mas a vida agrícola não lhe satisfazia nos termos em que estava a decorrer e lançou-se em busca da sua realização profissional.

Lino Gomes Ribeiro

O seu irmão António Ribeiro, que estava na Fabinter (Kispo), o colosso das confeções em Lousada nas décadas de 1970 e 1980, chamou-o para lá e ali começou uma carreira de grande mérito.

“Entrei para a Fabinter para trabalhar no armazenamento e embalagem, depois passei para a secção de corte, que era muito exigente e onde aprendi muito, aliás a Fabinter foi uma escola, uma universidade, não só para mim como também para outros empresários de Lousada. Os patrões Hans Isler e Marlene Lagniel confiaram em mim e dei boa conta do recado durante 9 anos”, conta o empresário.

“Quem se aplicou nas confeções e trabalhou bem, teve sucesso, mas a maioria ficou pelo caminho”, nota o nosso entrevistado, que é um dos poucos descendentes da Fabinter ainda no ativo.

A competência e sentido de responsabilidade de Lino Ribeiro fizeram Hans Isler depositar-lhe confiança e delegou nele a gestão da Quinta de Grades, que adquirira em Caíde de Rei com o objetivo de criar gansos para aproveitar as penas para os fatos de esquiadores da neve. “Fui responsável pela quinta durante seis anos, mas deixei essa função quando comecei a ver que o patrão se metia em coisas que não eram da minha concordância”, declara, sem querer explicar a fundo.

Por essa altura, em finais da década de 1980, Lino Gomes Ribeiro faz-se empresário, primeiro em sociedade, na firma de confeções “Alves & Ribeiro”, onde acabou por ceder a sua quota, para se lançar por conta própria. Em Junho de 1987 fundou a “Grantex – Indústria de Confeções”. Recorda com orgulho: “comecei com seis pessoas e hoje temos 175 trabalhadores nos nossos quadros, embora nos tempos áureos tivéssemos chegado a 220”.

Grantex – Indústria de Confeções

“Em todos os ramos há altos e baixos e é preciso saber aproveitar os altos para sobreviver nos baixos”, é a sua filosofia “não só de empresário como de cidadão”. “Além disso é preciso gostar daquilo que se faz, pois de outra forma não se tem sucesso”, acrescenta.

Muita confiança no futuro

Lino Ribeiro recorda que passou por fases “difíceis e complicadas”. Um desses casos aconteceu ao fim de 19 anos de atividade “quando um importante cliente, para quem trabalhávamos em exclusivo, rebentou quase de repente, numa altura de crise forte no setor, e senti dificuldade para aguentar. Foi a única altura em que me atrasei com os pagamentos ao pessoal”, refere com lamento, mas sublinha que se aguentou. “Cumprir, seja no trabalho seja na vida em geral, é sempre fundamental”, salienta.

Nunca pensou mudar de ramo, nem mesmo nos momentos mais difíceis. Um empresário como ele, sempre em contacto com investimento e outras áreas industriais, podia sentir-se atraído para outro ramo, mas Lino Ribeiro nunca se demoveu das confeções: “é isto que eu sempre quis, é disto que eu gosto e tenho conseguido, felizmente, ter sucesso, não só com os conhecimentos que fui ganhando, mas sobretudo com a família a ajudar, os funcionários a colaborar e a sociedade a apoiar”.

Criar espírito de equipa e identidade corporativa são apostas da Grantex. O convívio de Natal realizado recentemente é exemplo disso. Até um desfile de moda com funcionários e funcionárias a passear modelos da própria firma.

“Ao longo do ano a vida não é só trabalho. Temos os nossos convívios, desde a abertura em janeiro com a apresentação dos planos de férias e de eventos como o Carnaval, o passeio anual, o magusto e o Natal”, afirma Lino Ribeiro.

Ainda sobre as razões do sucesso, o empresário faz comparação com um clube de futebol: “Somos uma equipa, com presidente, treinador, dirigentes, jogadores e cada pessoa com as suas funções, em sintonia para o mesmo propósito, que é desempenhar e competir bem e ganhar”, declara o empresário.

Lino Gomes Ribeiro

Quando lhe solicitamos um ponto de situação sobre a atualidade da empresa, numa altura em que se houve dizer que há crise no setor têxtil e nas confeções, Lino Gomes Ribeiro declara com um misto de modéstia e de contentamento: “Na Grantex vive-se mais ou menos bem, com tudo o que é necessário para trabalhar bem e progredir cada vez melhor, com condições para cativar os clientes e produzir cada vez melhor. Estamos bem equipados, com máquinas e instalações do melhor que há e temos trabalho garantido, com três clientes fortes, da Bélgica e da Holanda”.

Amizade e negócio com Valentim Loureiro

Tal como o seu falecido irmão António Gomes Ribeiro, que foi vereador da Câmara de Lousada, também Lino Ribeiro passou pela vida autárquica. “Comecei por fazer parte da lista do PCP, por convite do falecido engenheiro Joaquim Gaspar Guimarães, daqui do Bairral, filho do antigo Dr Hermano, de Lousada, mas eu não ligo muito a ideologias, pois acredito mais nos princípios humanos, na maneira de ser, tanto vale ser de esquerda ou de direita, o que importa é ser progressista e fazer o bem pela terra”, declara.

Recorda com saudade “o falecido Zeca Brito, que foi presidente da Junta e convidou-me para ir com ele na lista, e em boa hora aceitei. Fizemos muito pela freguesia de Covas, como foi o caso da avenida da Igreja, que foi um benefício importante, mas que deu muito trabalho, tanto que ninguém imagina”.

Também sobre a construção do campo de futebol de S. João de Covas tem relatos cheios de entusiasmo e orgulho, mas também de “canseiras e suor, em negociações, trabalho e etc”. Lembra que certo dia foi representar o clube de Covas no Governo Civil para atribuição de subsídios para equipas e coletividades desportivas: “Estavam lá vários presidentes de clubes do distrito do Porto, entre eles o Valentim Loureiro, que levou 100 contos, enquanto eu trouxe 400 contos. Ele virou-se para o governador e reclamou que eu era de um clube de aldeia e ele da cidade, mas o governador disse que ao contrário dele, eu levava todos os comprovativos da legalização dos terrenos e da associação de Covas. Eu ía bem instruído pelo falecido Rui Magalhães, que na altura era vereador da Câmara. O Valentim ficou admirado com a minha competência e ficamos amigos e até me arranjou um cliente sueco que queria um artigo de confeção que pouca gente conseguia fazer”.

Um homem e empresário a fazer “ver” a muita gente.

Lino Gomes Ribeiro

1 Comment

  1. Lurdes

    Um grande exemple

    Reply

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