por | 22 Mar, 2024 | Desporto, Sociedade

PISTA DA COSTILHA, QUE FUTURO?

Coração diz para manter, mas a Razão pede mudança

Um debate bastante participado foi pedido na Assembleia Municipal pelo líder da oposição, Leonel Vieira, e o assunto está instalado nas conversas e reflexões. Até foi tema no podcast “Piston de Ataque”, do projeto JPRally, onde veio ao de cima a dicotomia afetividade vs racionalidade. Há 40 anos naquele local, a pista desenvolveu nos lousadenses do desporto automóvel uma paixão e identidade que faz pender a vontade para a permanência. Mas o aparecimento de prédios e arruamentos que se perspetiva para os terrenos envolventes fazem questionar sobre o futuro do circuito naquele local.

“Há 30 anos Jaime Moura e o CAL entendiam que a Pista da Costilha não era o local ideal, pois não reunia, nem reúne hoje as condições necessárias para a realização de provas internacionais”, afirmou aquela social-democrata, que desta forma lançou o assunto na atualidade lousadense. “Tal como há 30 anos, as debilidades da Pista da Costilha mantêm-se. Há que encontrar soluções. Ampliar as atuais instalações ou construir uma nova pista noutro local do concelho. Qual a melhor solução?”, questionou Leonel Vieira, que de seguida alvitrou que “a resposta a esta pergunta não pode ser decidida num qualquer gabinete, por duas ou três pessoas que provavelmente estão mais interessadas na especulação imobiliária do que no futuro do desporto automóvel em Lousada”.

O ruído, a poluição e proximidade com as “várias centenas de habitações” que para ali estão previstas, a falta de estacionamento para os espetadores que queiram assistir às provas, são fatores que apontam para a necessidade de equacionar o futuro da pista.

A importância avultada que o desporto automóvel adquiriu em Lousada é para este dirigente motivo para uma aposta estrutural: “mais que uma pista para desporto automóvel, temos que criar um Complexo do Desporto Automóvel, com uma pista funcional para vários desportos motorizados, e não só automóveis”, sugere Leonel Vieira, que propõe que “no mesmo Complexo do Desporto Automóvel tem que haver espaço para um hotel temático, restaurantes, bares, um museu do desporto automóvel.  Para o mesmo Complexo do Desporto Automóvel temos que atrair empresas na área dos automóveis e até escolas de formação em mecânica ou noutras profissões ligadas aos automóveis ou ao desporto motorizado”.

PISTA PRECISA DE RENOVAÇÃO

O tema foi tratado no podcast online da autoria de João Henrique Fernandes, promotor do projeto JPRally, que se dedica à atualidade informativa do desporto automóvel. Os convidados foram o campeoníssimo Joca Gonzaga e o juiz de provas motorizadas Salvador Dias. Para o piloto lousadense “o que tem de haver é coragem política de toda a gente, não apenas do Município, pois se for para mudar, tem que ser uma coisa que valha  pena”. Explicou que “a alterar tem que se alterar muito e bem” e declarou ainda que “se a ideia for mudar o paddock e manter a pista conforme está, é um investimento que mais vale estar quieto, porque vamos ter mais do mesmo; continua a haver os mesmos problemas e as mesmas questões, pois só se muda o paddock de sítio”. Um novo traçado, que possibilite zonas de maior velocidade e pista mais larga para possibilitar ultrapassagens, são requisitos que Joca Gonzaga defende e que parecem ser defendidas pela generalidade dos pilotos.

João Henrique Fernandes (ao centro), Joca Gonzaga e Salvador Dias.

“Ser aqui ou noutro sítio, o que importa é criar tudo de novo neste local ou noutro sítio e eu gostava que fosse aqui porque foi sempre aqui e conheço desde os 5 anos de idade, mas é preciso modernizar, nomeadamente construir uma pista de karting”, referiu Joca Gonzaga.

Na opinião de Salvador Dias, que viu a pista nascer há 40 anos, “não tenho dúvidas nenhumas, o sítio da pista é aqui onde ela está”. Alega este experiente dirigente e fiscal de provas que “corre-se o risco de mudar a pista para outro local e acabar com o desporto automóvel em Lousada ou perder o protagonismo que tem”. Posto isto, Salvador Dias recorda “o que aconteceu por exemplo em Castelo Branco, que na minha opinião tinha a melhor pista do país, e depois de mudar de sítio, perdeu capacidade de atração de público e não só”.

OPINIÕES DIVIDIDAS

Ao longo daquele programa (podcast), que teve várias centenas de espetadores, foram surgindo comentários sobre o assunto, dos quais colhemos alguns.

Para Daniel Couto, “A pista ser ou não no local onde o é hoje, obviamente que depende de diversos fatores. Agora pensem: seremos sempre uns ingratos desvairados. Se a pista se mantém, e não dá em nada, iremos criticar porque foi feita assim ou assado. Mas, e se fazem um novo circuito, e de igual forma não dá em nada? ( Não queiram exemplos de alguns estádios em Portugal, e no mundo – sim porque não são só os Portugueses que fazem tenda) O que iremos dizer? Que foi dinheiro mal gasto! Portanto, no meu ponto de vista, as coisas devem ser feitas com calma, ponderação e que haja uma abertura para diálogo com quem percebe do assunto.

A partir da Suíça, Paulo Sousa considerou uma “falta de respeito” por considerar que se está a “fazer o funeral da pista”. Na sua opinião, “alguns não sabem o que seria de um lousadense viver sem este local”, que “é um enorme ponto de referência nosso e reconhecido na Europa”.

Na opinião de José Paiva, de Aveiro, a pista de Lousada precisa de ser melhorada a nível de espaço, “mas já peca a nível de estacionamento em dia de provas e no Rali de Portugal então é um caos”. Crê que “tudo depende do que idealizem para o futuro: se fosse tentar receber provas europeias, se calhar seria de apostar numa nova pista, com melhores condições”.

Por outro lado, António Mendes, de Lousada, diz que “a atual pista da Costilha se deveria manter como um espaço emblemático onde tudo começou, (…) criando ali todo um processo de museu, salas de conferência de desportos motorizados, etc… mais valias podiam ser implementadas no atual espaço. Quanto à sua deslocação acho que é muito vago dizer sim ou não porque não se conhece projetos, localização, etc… mas acredito ser uma mais valia a sua deslocação com a criação de uma pista renovada, inovadora, com maior amplitude”.

Pista da Costilha_Foto TPNP

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