por | 5 Mai, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

Diziam que a patinagem era para meninas, mas o Gabriel não desistiu do sonho

JOVEM DE 13 ANOS É UM PATINADOR PROMISSOR

O jovem Gabriel Bessa Ferreira é atleta da APALOU – Associação de Patinagem Artística de Lousada. É um talentoso e promissor valor da patinagem, que já foi campeão nos dois anos anteriores. Recentemente conquistou o segundo lugar na prova de patinagem livre em modo longo, no campeonato distrital. Para o futuro, quer continuar o sonho de patinador e “chegar o mais longe possível”.

Quantas pessoas, sobretudo jovens, deixaram de realizar os seus sonhos por causa da opinião alheia, do preconceito social, da tradição? Em sociedades conservadoras é comum o abafar de sonhos, projetos e desejos que saem fora da caixa, que não se enquadram nos preceitos tradicionalistas. Diante de tudo isto, um jovem (e seus pais) de Aveleda, ousou fazer finca pé, ou melhor dizendo, ousou fazer rolar os pés em patins.

Chama-se Gabriel, tem 13 anos e é feliz na patinagem. Começou com 4 anos, numa altura em que a irmã também praticava esta modalidade. Cresceu a vê-la patinar e a conviver com atletas portugueses, alguns deles campeões europeus e mundiais.
Ainda com três anos e meio quis experimentar e adorou, mas só aos 4 quatro anos era permitido entrar para o clube (APALOU – Associação de Patinagem Artística de Lousada).

“No início, como era muito pequenino, não aconteceu nada de problemático, mas com a ida para a escola primária aconteceram algumas situações desagradáveis com os colegas, pois quase todos praticavam futebol e gozavam com ele, diziam que ele praticava um «desporto de menina»”, conta o pai, Carlos Ferreira.

Obviamente, “o Gabriel ficava muito triste e numa altura chegou mesmo a pedir para experimentar futebol e foi. No fim do primeiro treino, o que nos respondeu quando perguntamos se queria continuar, foi que a paixão dele era a patinagem”.

O talento foi-se revelando cada vez mais e Gabriel sagrou-se campeão logo na categoria inicial de Benjamins; depois, no primeiro ano de infantis (em 2021) ficou em terceiro lugar, que equivale à medalha de bronze.

Gabriel Ferreira

“Isso aconteceu no regresso à competição, após dois anos caóticos de pandemia, da qual a nossa zona foi uma das mais afetadas e a nível da patinagem houve muitas limitações, entre as quais os pavilhões encerrados para treinos”, lembra o pai.
Seguiram-se dois títulos de campeão, nos Iniciados. Isso foi o reafirmar do seu talento e crescimento na patinagem. “Em relação a ter sido campeão distrital dois anos seguidos, tanto para ele como para nós, pais e irmã, foi fantástico, pois foi o resultado do grande esforço e dedicação, que ele tem pelo desporto que pratica”, revela Carlos Ferreira.

Para o jovem Gabriel, “a patinagem é um desporto que exige muito, é até bastante complicado, pois é preciso conciliar escola, conservatório de música e treinos”. Os pais sentem-se “orgulhosos, não só por ser excelente como atleta, mas também como aluno e como músico”.

“CONDIÇÕES DE TREINO NÃO SÃO AS MELHORES”

Qualquer competição desportiva requer boas condições de treino, mas uma modalidade tão técnica e específica como a patinagem certamente requer atenções também especiais. Sobre isso os pais referem que “sinceramente, as condições de treino não são as melhores, pois um atleta quando chega a um certo nível da competição deverá treinar praticamente todos os dias, o que não acontece no clube onde está, pois só tem três treinos semanais”.

Outra questão importante tem a ver com os apoios. “É muito complicado, pois não existem praticamente apoios nenhuns na patinagem, mas isto é a nível nacional”, diz Carlos Ferreira, que lamenta que a patinagem seja considerada “um desporto de elite e os principais patrocinadores são os próprios pais, de cujos bolsos sai tudo, desde equipamentos e deslocações, por exemplo”.

A dedicação é um fator fundamental. Quisemos saber se alguma vez o Gabriel voltou a esmorecer perante alguma dificuldade ou dúvida. O pai afirma que “ele tem-se esforçado muito para ter uma evolução excelente, nem sempre é possível por falta de condições, mas tenta sempre o seu melhor, isso é inquestionável”.

Indagamos sobre os planos para o Gabriel e os pais reafirmam que a aposta na patinagem é inequívoca e com pretensões de “continuar a sonhar, pois para o futuro temos em vista melhorar muito mais, para que possa chegar ao Campeonato Nacional e, quem sabe, ao Europeu ou até Mundial”.

Por último, Carlos Ferreira fez questão de “enviar através do Louzadense, um conselho para todas as crianças e pais: pratiquem o desporto que gostam de verdade e não só porque parece bem para a sociedade. Para os pais, em especial, pensem na felicidade dos vossos filhos e não se importem com o que os outros pensam ou dizem”.

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