Tipologias – XII | Capela II
A capela podia ser levantada por forma a dar seguimento à fachada da casa, comunicando com o seu interior através da tribuna, da qual os senhores da residência assistiam às cerimónias religiosas, ficando o corpo da capela para os serviçais, criados e povo. São deste modelo exemplos as casas de Rio de Moinhos, Porto, Juste, Valteiro, Ribeiro, Real, Alentém, Valmesio, Outeiro, Bouça, Lama e Cáscere. Esta tribuna encontra-se vulgarmente por cima da entrada. A existência deste elemento tem a ver com o tamanho das capelas, na sua maioria de pequena a média dimensão; quando a capela é destacada da casa, não é construída a tribuna.1
É na centúria de setecentos que surge o tipo de casa que integra a capela na fachada e que a questão da casa e capela se resolve, desta vez estabelecendo um padrão de casa tipicamente português, quando a fachada apresenta «maior simetria,»2 oportunidade para integrar a capela num dos extremos.

Na análise da relação entre ambas as construções, só duas casas estão isentas de capela: Argonça e Renda; cinco capelas estão destacadas: a de Vilela, paralela e no início da fachada Este; a da Seara, alinhada com a fachada principal, a Sul; a de Vila Verde, defronte para a fachada principal, virada a Oeste; a do Cam, à direita da fachada Este; e a da Tapada, à direita da fachada Sul. Mas temos também capelas integradas nas fachadas, como as de Juste e de Rio de Moinhos, que formam um ângulo reto, estando as duas situadas a Norte; as capelas da casa do Cáscere, do Valteiro, Pereiró e Outeiro rompem a cornija do lado direito da fachada; do lado esquerdo, ficam as do Ribeiro, da Lama, de Real, de Valmesio e do Porto – finalmente as capelas das casas da Bouça e de Alentém, situam-se a Oeste da fachada principal. Feita esta leitura, impõe-se uma outra: a das fachadas. Só cinco das capelas estão integradas na fachada: Pereiró, Porto, Ribeiro, Real, Pereiró e Valteiro, acompanhando a composição da casa e repetindo os seus elementos – portas e janelas.

| Relação entre ambas as construções no concelho de Lousada | ||
| Isenta de capela | Com capela integrada | Com capela destacada |
| Argonça e Renda | Pereiró, Porto, Real, Ribeiro e Valteiro. | Cam, Vilela, Seara, Vila Verde, Tapada e Alentém |
Classificamos as portadas das capelas em oito tipologias: três capelas exibem portadas molduradas, como é o caso de Alentém, Vilela e Juste, enquanto nas da Bouça e Ribeiro se acrescentou à moldura o lintel curvilíneo; e na do Outeiro adiu-se, a tudo isto, o frontão interrompido. As portadas das capelas da Quintã e da Seara são dissemelhantes num só pormenor: na primeira a portada é arquitravada e coroada com frontão interrompido por flor-de-lis, enquanto na segunda, moldurada com frontão interrompido por flor-de-lis. A diferença reside no moldurado ou no arquitravado. As sobrantes: Real e Rio Moinhos, mostram tipologias distintas, expondo a primeira portada com cornija, painel superior coroado por frontão interrompido. E a segunda portada arquitravada com lintel curvilíneo, com fecho ao centro e cornija de pequeno ressalto.
| Portadas das capelas da casa nobre do concelho de Lousada | |
| Capela | Portada |
| Alentém, Vilela e Juste | Moldurado |
| Lama, Valmesio e Valteiro | Arquitravado, com cornija e painel superior |
| Bouça e Ribeiro | Portal moldurado com lintel curvilíneo |
| Real | Portal com cornija, painel superior coroado por frontão interrompido |
| Quintã | Portal arquitravado com frontão interrompido por flor-de-lis |
| Rio de Moinhos | Portal arquitravado com lintel curvilíneo, com fecho ao centro e cornija de pequeno ressalto |
| Outeiro | Portal moldurado com lintel e frontão interrompido |
| Seara | Portal moldurado coroado com frontão interrompido por flor-de-lis |
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1 – STOOP, Anne – o. c., p. 11.
2 – AZEVEDO, Carlos de – o. c., p. 81
Obras consultadas:
1 – BATISTA, João Maria – Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Lisboa: Typograhia da Academia Real das Sciencias, vol. II. 1875.
2 – SILVA, José Carlos Ribeiro da – As Capelas Públicas de Lousada. Seminário de Licenciatura em História-Variante Património. Universidade Portucalense Infante D. Henrique (Policopiada). 1997.
3 – STOOP, Anne – Palácios e Casas Senhoriais do Minho. 2ª Edição, Porto: Editorial Civilização, 2000.
José Carlos Silva
Professor / Historiador












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