por | 15 Dez, 2024 | Espaço Cidadania, Sociedade

Quando o futebol é mais que um desporto

PEDRO LEAL: LESÕES IMPEDIRAM CARREIRA (AINDA) MELHOR

Natural de Nespereira, há 50 anos, Pedro Leal vive o futebol com uma intensidade e uma paixão que vão para além do próprio desporto. Disso nos fala este cidadão, que tem formação de treinador de futebol, monitor de culturismo, monitor de educação e recuperação física. Mas não se fica por aqui. Está a terminar um curso ligado à fisioterapia, manipulações osteopáticas, massagem desportiva e de recuperação física. Espera exercer atividade dentro em breve nestas áreas.

Há jogadores de futebol que se destacam de várias formas nos campeonatos mais pequenos ou secundários, mas nem por isso deixam de ter carreiras de mérito e um papel importante na modalidade e no desporto local e regional. É o caso de Pedro Leal.

Quando começou no futebol tinha cerca de 10 anos de idade. Foi no clube da sua terra natal, o Futebol Clube de Nespereira, que se revelou jogador. Aconteceu em torneios entre freguesias e recorda que por essa altura deu nas vistas, precisamente durante uma ação de captação de atletas para a Associação Desportiva de Lousada (ADL).

“Tive a felicidade de ser recrutado para os iniciados, percorri os escalões de formação e no último ano de juniores com 17 anos tive o convite do Sport Clube e Freamunde, aceitei esse desafio e joguei o campeonato nacional”, relata o antigo jogador.
No ano seguinte aconteceu outro marco importante na sua carreira: “foi quando assinei contrato de jogador profissional de futebol pelo Freamunde. Foi um sonho tornado realidade, pois ser profissional de futebol, esteve sempre na minha mente e isso aconteceu na extinta segunda divisão nacional da zona norte”.

Pedro Leal_S C Freamunde

Anos mais tarde regressou a casa, às origens, ou seja, à sua freguesia, Nespereira, como jogador amador e ali contribuiu para a expansão da modalidade, a qual considera o seu “grande vício e paixão”.

Taticamente muito forte e com um empenho e espírito combativo acima da média, este ex-atleta nespereirense podia ter chegado mais longe no futebol, embora tenha atingido níveis alcançados por poucos daqui da região. São muitos os que consideram que este antigo jogador podia ter ido mais longe e o próprio concorda com isso.

“Nunca fui um fora de série, mas a paixão que tinha pelo treino e jogo juntamente com a resiliência e o querer, acho que conseguiria eventualmente atingir outros patamares”, declara Pedro Leal.

Numa carreira cheia de alegrias, também aponta algumas tristezas ou fatores negativos. Entre estes, as lesões estão em lugar de destaque, sobretudo as que afetaram um tornozelo, ao qual foi operado várias vezes e que motivou a sua saída do futebol profissional. Recentemente também esse problema físico o obrigou a abandonar a prática do futebol na equipa Masters (veteranos) da Associação Desportiva de Lousada. A propósito deste projeto, o ex-jogador Pedro Leal enaltece que é uma iniciativa que já vai com 15 anos e que é mais que um projeto de futebol, é uma continuidade das alegrias e das amizades que se ganham no futebol.

MEMÓRIAS QUE FICAM PARA A VIDA

É uma área onde sucedem vivências dignas de registo e que ficam para a vida. Disso dá conta Pedro Leal ao contar episódios inesquecíveis vividos no futebol.

Um deles, aconteceu no distrital, pelo Nespereira: “íamos para campo do Custóias, um jogo às 15 horas, apanhamos muito trânsito e tivemos que passar a feira em dia da mesma, já estava em cima da hora do jogo, fechamos as cortinas do autocarro e equipamos-nos durante a viagem. Muita roupa espalhada naqueles bancos e pelo chão do autocarro, que ficou transformado em balneário. Chegamos ao campo em cima da hora do jogo, prontos para ir aquecer e perguntarmos se o jogo que estava a decorrer demorava a terminar; resposta de um adepto: «este jogo começou agora». Conclusão: o nosso jogo era às 13 horas… houve engano da nossa parte quanto ao horário”.

Outra história: “nos seniores de Freamunde tínhamos uma figura típica (como todos clubes têm), uma pessoa querida que nos engraxava as chuteiras, mas desemparelhava-as e isso chateava os jogadores; quando chegamos para treinar e víamos tudo trocado, metemos o homem na banheira dos banhos e massagem”.

A sua experiência é muito valiosa para se pronunciar sobre o estado do futebol e o que é preciso mudar: “a evolução é notória a todos os níveis, nas condições de treino, nos treinadores mais capazes, a própria organização dos clubes melhorou bastante”. Mas muito há ainda “para desbravar, principalmente a nível da mentalidade dos miúdos e dos pais dos miúdos”, conclui Pedro Leal.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Equipa de Shinkyokushin conquistou seis pódios

O WIBK Dojo Verdadeiro Espírito, do lousadense Paulo Rente Silva marcou presença no Torneio...

Atleta de Lousada convocada para Jogos do Eixo Atlântico

A jovem Daniela Pereira, natural da freguesia de Pias, em Lousada, foi convocada para integrar a...

"Talvez seja por isso que gosto tanto das nascentes. Porque, ao contrário dos rios, que toda a...

Campeões Nacionais de Natação Adaptada

Os atletas lousadenses do clube Lousada Século XXI estiveram em grande evidência no Campeonato...

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, foi uma das convidadas do...

Forte internacionalização do Inferno das Febras

O Inferno das Febras regressa ao Parque de Lazer e Merendas de Casais, em Lousada, nos dias 28 e...

O treinador penafidelense João Paulo Guedes Silvestre, de 36 anos, é referido por várias fontes...

Protocolo para projeto de turismo cultural assinado entre a CCDR-N e Vidas em Cena

A Associação Vidas em Cena, de Lousada, está entre as dez entidades culturais da Região Norte...

A celebração dos 100 anos dos Bombeiros Voluntários de Lousada constitui um momento de...

Na passada semana, Portugal assistiu a algo que deveria ser praticamente impensável numa sociedade...

Siga-nos nas redes sociais