por | 30 Jan, 2025 | Associativismo, Cultura, Sociedade

Pátio Bravo veio trazer mais-valia cultural

ASSOCIAÇÃO CULTURAL COMEMORA 3 ANOS

Duas jovens e algumas sinergias congeminaram-se para criar em Lousada uma associação cultural que respondesse a várias solicitações e necessidades no campo das artes. Por intermédio de Rebeca Rego e de Catarina Silva, mais uns quantos implicados na cultura local, surgiu a original Pátio Bravo. A associação faz três anos no próximo sábado e a efeméride vai ser assinalada com concertos em Lousada e Amarante no segundo fim de semana de fevereiro.


A Pátio Bravo surgiu da vontade “de criar mais e novos projetos de cariz cultural e social que promovessem diferentes formas de arte e o intercâmbio nacional e internacional de vários artistas e projetos”, começa por dizer Rebeca. Tal como a sua colega Catarina, “colaboramos com diferentes entidades e associações culturais, mas sentimos a necessidade de explorar novas ideias e espaços criativos, e a Pátio Bravo – Associação Cultural veio responder a isso”.
O nome é original e “foi inspirado num ideal de espaço físico que temos para a nossa associação. Gostávamos de, um dia, ter uma sede onde as pessoas se juntariam para ouvir concertos, para ver exposições, para participar em oficinas artísticas, etc. Esse local teria uma relação íntima com a natureza. Haveria um pátio natural, com árvores, ervas e folhas caídas. Ocorreu-nos então brincar com o conhecido «pato bravo»”, esclarece a jovem dirigente associativa.
Nestes primeiros anos de atividade têm “desenvolvido vários projetos, como concertos, livros ilustrados, oficinas de criação artística e intercâmbios culturais”. Em 2023 receberam em Lousada “um coro da Roménia, que apresentou dois concertos no concelho. Ainda nesse ano apresentamos um concerto participativo na Mata de Vilar. Já em 2024, com o apoio da DGArtes, realizamos dois ciclos de concertos em parceria com Rota do Românico”.
Levaram vários projetos a outros concelhos, como Braga, “onde criamos e orientamos um Coro Comunitário de Mulheres, o Braga Fora, que terá continuidade em 2025; e uma coletânea de livros ilustrados sobre o São João de Braga e as suas tradições”.
Para o presente ano de 2025 “voltaremos a fazer um ciclo de concertos em monumentos da Rota do Românico, em parceria com eles e com financiamento da DGArtes”, divulga Rebeca. Neste momento estão a fazer dois livros ilustrados, “um sobre a Semana Santa em Braga, e outro que fechará a coletânea de quatro livros sobre o São João de Braga”.
Também com o apoio da DGArtes, “estamos a produzir um espetáculo que será apresentado muito em breve em Amarante e em Lousada. Aproveitamos esta entrevista para convidar as pessoas a estar presentes”.
São concertos do DoBaú Ensemble, a 7 de fevereiro, no centro Cultural de Amarante, pelas 21h30, e no dia seguinte, 8 de fevereiro, no Auditório Municipal de Lousada, à mesma hora.

EXEMPLOS DO ALTO MINHO


Pronunciando-se sobre o “estado da arte” ou ponto de situação da  cultura lousadense, diz a nossa interlocutora que “a mediação cultural é um trabalho complexo e demorado” e enaltece que “embora muito possa ainda ser feito, sentimos que tem havido um crescente esforço por chegar a mais públicos”.
Refere ainda que tem notado “uma aposta noutros tipos de arte, para além da música e do teatro”. Dá o exemplo das artes visuais e plásticas, que se vislumbram em várias ruas do concelho. “Também a literatura infantil tem ocupado algum espaço no panorama cultural de Lousada, onde temos visto algumas publicações muito interessantes”, acrescenta. 
Falando de espaços e locais para as artes em Lousada, a diretora de Pátio Bravo entende que “mais do que um auditório maior, achamos que seria importante a criação de mais e diferentes espaços e dinâmicas culturais ou eventualmente uma aposta em locais já existentes que, com algum investimento em  programação, produção e gestão, podem oferecer mais variedade artística e cumprir as necessidades culturais do concelho”.
Olhando para a região, com os olhos de quem está no âmbito da cultura, Rebeca Rego diz que “olhando para Viana do Castelo, Braga, Ponte da Barca e outros concelhos do Minho, destacamos a atenção e investimento feito na preservação daquilo que são as tradições orais, musicais e etnográficas dessa região”. Explica que “ver e viver uma Senhora da Agonia, um São João de Braga ou um São Bartolomeu é ouvir cantigas tradicionais, ver e vestir os trajes etnográficos e conhecer um pouco mais sobre os costumes antigos, sobre as raízes do nosso país. Isso é algo que nos fascina e que gostávamos de ver mais, não só em Lousada, mas em todo o país”.

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