Juíz Desembargador Serafim Carneiro
A 16 de fevereiro do ano passado, o lousadense Serafim José da Silva Fernandes Carneiro, de 56 anos, entrou para a restrita lista de cidadãos deste concelho que chegaram a Juíz Desembargador. Na juventude e adolescência, a Engenharia Civil piscou-lhe o olho, mas foi no Direito que recaiu a sua escolha. Entre as influências para essa decisão estive o apreço pelas questões da Justiça e da Ética, assim como o desejo de contribuir para a defesa dos direitos das pessoas.
A sua carreira escolar começou com a frequência da escola primária de Cristelos, onde se situa atualmente a Junta de Freguesia. Dessa fase recorda bem Olívia Guimarães, sua professora da primeira à quarta classe. “Depois fui estudar para o Colégio de S. Gonçalo, em Amarante, que frequentei do 1.º ano do ciclo ao 11.º ano de escolaridade”, acrescenta.
Ao aproximar-se o acesso à universidade foi para o Porto onde concluiu o 12.º ano de escolaridade, no Liceu D. Manuel II – Escola Secundária Rodrigues de Freitas. Em seguida ingressou no curso de Direito da Universidade Católica do Porto.
“Concluído o curso inscrevi-me na Ordem dos Advogados, realizei o estágio e exerci a advocacia durante sete anos. Após uma breve passagem pela Direção Geral dos Registos e do Notariado, durante sete meses, ingressei no Centro de Estudos Judiciários para realizar o curso de admissão à magistratura”, explica o juiz desembargador.
Optou no início pela Magistratura do Ministério Público, que exerceu durante oito anos, tendo depois ingressado na Magistratura Judicial, na jurisdição administrativa e fiscal, onde se encontra até hoje.
A escolha do Direito foi a grande decisão da vida deste lousadense natural de Cristelos. “Revela-se difícil conseguir precisar o momento exato em que surgiu o interesse específico numa carreira ligada à área de Direito”. No entanto, está seguro de que essa definição “terá ocorrido, ainda durante os anos de formação escolar, no Colégio de S. Gonçalo, em Amarante, que frequentei no, então, 1.º ano do ciclo até ao 11.º ano, ao contactar com temas estreitamente ligados às áreas das humanidades, designadamente filosofia e história, percebendo, desde logo, uma afinidade e inclinação para os temas que contendiam com questões de direito e justiça”.
Este despertar para a área do direito foi-se consolidando em Serafim Carneiro “com a influência de professores que eram advogados e que lecionavam as disciplinas de relações públicas e direito”. Nessa época, sentiu “uma forte motivação pelos ideais de Justiça e Ética, pretendendo, de alguma forma contribuir na defesa dos direitos das pessoas”.
Recorda que aquela era a época após o 25 de Abril de 1974, “com a luta política muito viva, a dinâmica das campanhas eleitorais, associada à intervenção que os meus pais tinham à época na vida pública e política, também ajudaram a consolidar esse ideal de justiça e direito, por ser uma área com forte participação de pessoas formadas em direito”.
O Direito prevaleceu nas suas escolhas, mas houve um momento em que a engenharia podia ter levado Serafim Carneiro para outro rumo: “recordo-me de que no 9.º ano de escolaridade quando tive de optar pela área que tinha de seguir equacionei a área das ciências por causa da Engenharia Civil”.

Justifica essa eventualidade por “na sua infância e juventude, por intermédio do meu pai, contactei com pessoas ligadas a essas áreas que sempre reputei como muito interessantes. Assisti inúmeras vezes um Engenheiro amigo do meu pai a fazer projetos para casas e empolgava-me a ideia de desenhar a casa no estirador, de idealizar as divisões da casa, a sua funcionalidade, a forma de distribuir as divisões da casa de acordo com os ideais próprios da idade, a visão da vida que tinha nessa época e a possibilidade de realizar o sonho de construir uma casa desenhada por mim. E ficou-me sempre esse imaginário”.
A sua mãe, que foi uma conhecida e estimada professora primária em Lousada, se seu nome Maria da Glória, “teve uma manifesta participação complementar no meu percurso escolar, sobretudo na sua fase inicial, na então escola primária, embora nunca tivesse chegado a ser minha professora. Sempre se esforçou por incutir e incentivar em mim o gosto pela aprendizagem, pela leitura e pelo desenvolvimento intelectual, característica essenciais para qualquer pessoa”.
Além disso, sublinha que a sua mãe “foi um exemplo pela forma como ensinava a transmitir e adquirir conhecimento, pelos seus valores e disciplina com que conduzia as aulas e orientava os alunos. A experiência que adquiri ao ver a forma como lidava com as diferentes personalidades dos seus alunos também me ajudou a crescer e a criar a minha personalidade e a moldar a minha maneira de ser”.
Os pais de Serafim Carneiro foram militantes e dirigentes locais do CDS. “A sua participação na vida pública e política foi própria da época em que viveram”, esclarece o nosso entrevistado, que aproveita para referir que não pondera a participação na vida política. “A carreira que abracei exige, por natureza e por lei, reserva, descrição e impõe limites à participação política e na vida pública que tenho de respeitar, que me levam a ter uma vida mais recatada e sem inspirações públicas e políticas. Em termos de vida pública só espero ser reconhecido, acima de tudo, tal como os meus pais e o meu irmão, como boas pessoas”, conclui Serafim Carneiro.













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