por | 2 Abr, 2025 | Educação, Sociedade

Voltar a estudar é um desafio “que tem muito que se lhe diga” – Parte II

Glória (Lola) Ferreira: “Muitas vezes ia para as aulas sem jantar”

Um caso de sucesso na aquisição do certificado foi o de Glória Ferreira, a conhecida «Lola», do grupo de bombos Amigas da Terra, de Covas. Iniciou o percurso de RVCC em 12 de Abril de 2023 e terminou a 27 de Fevereiro de 2024. Sobre isso diz que “nem sempre foi fácil, devido aos meus horários de trabalho assim como os do meu marido. Tive dias que fui para as aulas sem jantar, outros dias chegava mais tarde, tive dias em que tive mesmo que pedir à vizinha para ficar com a minha filha, até o meu marido chegar. Tentei sempre arranjar forma, e maneira de não faltar às aulas”.

“Graças a Deus e com o grande apoio do meu marido, o qual foi sempre o meu braço direito e as vezes o esquerdo, assim como vizinhos, amigos e a minha família, consegui sempre estar presente em tudo o que me era proposto fazer ou participar”, afirma com satisfação.

Lola recorda que “estudar na altura obrigatória nunca foi para mim uma prioridade. Gostava muito de ir com o meu pai para uma empresa de vinhos (Caves do Monte). E dizia sempre que queria ir para aquela empresa trabalhar. Esperei pelos meus 15 anos para poder fazer parte daquele empresa, na qual lá trabalhei durante 25 anos”.

Entretanto, anos mais tarde, “em conversa com uma amiga, ela disse que andava a concluir o 12° ano em RVCC , e animou-me muito para que eu também o fizesse. Na altura não valorizei, mas, um dia , decidi ir à Secundária informar-me melhor sobre esse assunto, onde fui recebida pala Dra. Marta Pacheco, a qual fez com que eu entendesse que era uma mais valia para o meu futuro, sendo este um processo diferente, e que não era difícil. Fiz a minha inscrição nesse mesmo dia”.

Declara que teve “a sorte de entrar numa turma que era só gente boa, fixe e animada. Fizemos algumas atividades, onde todos participaram, sempre com grande alegria e entusiasmo e ainda hoje mantemos o nosso grupo no Whatsapp, onde convivemos, rimos e marcarmos uns jantarinhos para matar saudades”.

Pesar das dificuldades sentidas ao longo desse percurso, “tivemos dias em que também me diverti, passei momentos engraçados, e ficaram algumas e boas amizades desta turma, que eu costuma dizer que era a melhor turma da escola”.

Lola Ferreira salienta que “mesmo sendo presidente da associação Amigas da Terra e diretora do respetivo grupo de bombos feminino, isso era por vezes um contratempo, devido aos ensaios, atuações em romarias, etc.. Ainda assim consegui sempre estar presente em todos os eventos”.

Numa análise final a esta experiência escolar, afirma que “sinceramente gostei de tudo, até mesmo das partes mais difíceis, porque foram essas que me fizeram aprender e crescer ainda mais, quer a nível cultural, assim como a nível social. Relembrei também todo o meu passado, e situações que tinham caído no esquecimento. Entrei também numa formação de 25 horas de Excel, fiz também 50 horas de língua inglesa. Achei que tudo isso seria e será sempre uma mais valia na minha vida, no meu futuro”.

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