por | 25 Abr, 2025 | Educação

Falta de respeito reflete-se cada vez mais nas escolas

MAU COMPORTAMENTO E INDISCIPLINA NAS ESCOLAS – Parte III

RUI LIMA PEREIRA (PSICÓLOGO)

Compreender a Indisciplina na Escola

Partindo da premissa de que a Escola deve propiciar o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos para a vida em sociedade, é importante compreendermos a indisciplina escolar a partir das representações sociais, uma vez que o comportamento indisciplinado é dinâmico, cheio de diferentes questões e situações que variam de acordo com a época. A preocupação com a indisciplina em meio escolar, e dentro da sala de aula, tem sido crescente entre a comunidade escolar, mas não tem tido a proporcional preocupação por parte dos decisores políticos Se no passado, a autoridade dos professores era incontestável e com esse facto conseguia-se criar um ambiente de respeito e seriedade na maior parte das escolas. Hoje, vemos a autoridade do professor ser posta em causa por todos, dentro ou fora da escola, muito por culpa destes devido à utilização de maus instrumentos pedagógicos. Da mesma forma a educação excessivamente permissiva por parte dos pais (a maior parte tem graves dificuldades em dizer “Não” e mais que isso em explicar as razões do não), também agrava a situação. A consciência parental, a consciência social da autoridade dos professores e o encarar a escola com seriedade de alguma forma perdeu-se. A autoridade para os jovens de hoje é vista como atentatória aos seus direitos, as regras e os cânones são conceitos do passado e, portanto, são educados com o sentimento de que tudo lhes é devido, de preferência sem esforço.

Sendo a indisciplina um dos maiores desafios que a Escola, no seu todo, enfrenta hoje em dia, temos de a analisar nos seus diversos fatores, desde fatores sociais, como a família e a escola, a fatores pessoais. Este problema afeta os alunos, os professores e, consequentemente, toda a comunidade escolar. A indisciplina compromete a aprendizagem dos alunos e contribui para a instabilidade dos professores, que gastam uma parte significativa do tempo de aula a lidar com a mesma. Estudos sobre estratégias utilizadas pelos professores e pelas respetivas escolas para lidar com a indisciplina, mostram que, das estratégias utilizadas pelos professores em sala de aula a maior parte delas são remediativas e preventivas. Das estratégias remediativas, referem-se a estratégias corretivas e a estratégias punitivas.

É de salientar que o diálogo com alunos e encarregados de educação é a estratégia mais utilizada pelos professores para lidar com a indisciplina. Relativamente às estratégias utilizadas pelas escolas, a maior parte são estratégias remediativas e poucas são estratégias preventivas.

No que concerne às estratégias remediativas, a utilização de estratégias corretivas é menor que estratégias punitivas. No geral, os resultados sugerem que os docentes consideram que recorrer ao diálogo é uma das estratégias mais eficazes para lidar com a indisciplina, e que as escolas recorrem mais frequentemente a estratégias punitivas como a aplicação de medidas disciplinares e o encaminhamento para gabinetes de apoio. A forma como um professor utiliza a linguagem corporal e o tom de voz, de acordo com Debreli e Ishanova (2019), são formas eficazes de lidar com a indisciplina, ou seja através da sua postura e forma de comunicar o professor demonstra o tipo de comportamento que deseja e leva os alunos a ajustar o seu.

A aplicação de estratégias punitivas privam os alunos da aprendizagem (Jean-Pierre & Parris, 2018) e agravam o problema. A utilização de estratégias como ações de sensibilização, formações e planos de ação dirigidos revelam-se como formas mais eficazes de combate à indisciplina escolar (Meyers & VanGroningen, 2019). Não existindo estratégias únicas para lidar com este problema, é de suma importância que cada escola encontre e delineie as suas de acordo com os atores e meio onde se insere. Mais importante é ter de existir uma coordenação entre professores e a escola no seu todo, uma vez que os professores tendem a utilizar estratégias mais proactivas e a escola estratégias mais punitivas, até porque é isto que a sociedade espera que a escola faça (Maag, 2012). Mais do que tentar remediar, a Escola deve e pode aumentar o seu conhecimento por forma a implementar programas de promoção de competências prossociais (Sugai & Horner, 2006) e formação de professores e assistentes operacionais para desenvolverem competências relativas à gestão da indisciplina (Shanka & Thuo, 2017).

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