por | 26 Abr, 2025 | Desporto

Uma lousadense campeã no andebol

Mathilde Carvalho Ferreira, começou em Santo Estêvão e joga em Fafe

Começou em Santo Estêvão (Barrosas) e joga em Fafe. É uma promessa do andebol feminino apesar da sua juventude. No sexto ano de escolaridade, quando a família estava emigrada em França, a professora de Educação Física de Mathilde Ferreira era uma antiga jogadora de andebol “e estava sempre a falar do mesmo, nas aulas todas fazia sempre referência à modalidade, foi assim que conheci o andebol e decidi que no ano a seguir iria entrar num clube”. A partir daí nasceu uma paixão que se prolongou até aos dias de hoje e promete continuar.

A jovem Mathilde foi recentemente campeã regional de sub-14 em andebol. Revela que “desde pequena, sempre quis jogar futebol, porque ao meu redor só se falava disso; cheguei a pedir à minha mãe para entrar no clube onde jogava o meu irmão Ruben, mas ainda não tinham equipa feminina”. Aos poucos foi desistindo dessa ideia, mas o desporto estava nos seus objetivos e aderiu ao andebol. No sétimo ano mudou-se de França para Portugal e começou a jogar aquela modalidade em Santo Estevão (Barrosas), e no primeiro treino, percebeu que queria seguir aquilo.

Em campo, joga na posição de ponta esquerda “e às vezes também jogo na ponta direita mesmo sendo uma posição para esquerdinas. Nas pontas jogam as andebolistas que rematam com menos ângulo e, em geral, têm de ser as mais rápidas para poder fazer contra ataques”. Por isso a jogadora revela que as suas características “são a rapidez, a agilidade, o tempo de reação que contribui para os contra ataques” e destaca também “a minha visão de jogo, a comunicação com as minhas parceiras”.

Acrescenta que nesta modalidade, como em qualquer desporto, é “muito importante, saber gerir as emoções e conseguir ter cabeça para lidar com qualquer fase que possa vir”.  

É uma atleta mais baixa que a generalidade das outras jogadoras. Sobre isso diz que “na minha equipa, sou a mais baixa de todas, apesar de ter algumas mais novas do que eu, mas isso não dificulta o meu progresso e a minha evolução em nada, pois consigo na mesma defender adversárias com 20 ou 30 cm a mais do que eu”, esclarece Mathilde.

A andebolista de Lousada lembra que o seu pai “sempre disse que somos todas iguais, temos todas duas pernas, dois braços, dois olhos e uma cabeça. A minha altura ajuda me em certas situações nomeadamente na minha agilidade, mas é claro que em certas situações, às vezes, desejava ser mais alta”.

Com treinos intensos e muito frequentes, é de perguntar se isso interfere com os estudos: “conjugar os treinos e os jogos com os estudo em geral, não é muito difícil, mas pelo facto de jogar em Fafe e ainda ser um bocado longe, torna-se mais complicado. Para ir ao meu treino saio às 17h30 de casa e volto às 21h30 sendo que o treino é das 18h30 até às 20h, chego a casa, tenho que jantar, tomar banho só às 22h30 é que posso estudar para um possível teste que esteja para acontecer”, revela a jovem.

Acredita que não é qualquer um que aguenta essa rotina, “mas para quem gosta mesmo como eu, tem que ser. Desde que o andebol entrou na minha vida, nunca mais quis ir para outro desporto, apesar de ter passado por épocas más, onde cheguei a pensar em desistir, mas persisti sempre”.

Aos 14 anos tem sonhos relacionados com este desporto: “eu gostava de poder ajudar o andebol a tornar-se um desporto mais conhecido e levar, principalmente, o andebol feminino ao mais alto nível para que haja mais clubes. Em termos concretos, como qualquer atleta, sonho em poder chegar ao nível mais alto da modalidade, que é ser profissional e poder representar a seleção. Ser campeã pela mesma e ganhar muitos títulos, mas para isso preciso de trabalhar imenso”.

Estuda na escola secundária de Lousada, no 9°ano e quer seguir economia, “para seguir, se o meu sonho de ser jogadora profissional não se realizar”. Nos estudos a sua área preferida é a matemática. “Poder trabalhar na área contabilidade ou gestão de empresas é uma das vias que gostava de seguir”, afirma a aluna.

Voltando ao tema do andebol, Mathilde diz que os seus ídolos são Nikola Karabatic e Mikkel Hansen, “que são o equivalente do Ronaldo e do Messi mas a nível de andebol e são considerados os pais do andebol por terem feito descobrir o andebol a muitas pessoas.  Também há vários jogadores de cá que admiro, jogadores mais jovens como os irmãos Costa, o Kiko e o Martim, o Salvador e e claro que não posso deixar de referir o nosso eterno Alfredo Quintana”. A nível feminino a atleta destaca Lena Grandveau e Cléopâtre Darleux, duas jogadoras da seleção francesa.

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Vera Silva e Ana Sousa ultrapassam com êxito desafio do Hybrid Day em Beja 

Num ambiente com temperatura nos 38°, as atletas lousadenses Vera Silva e Ana Sousa lançam-se no...

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, POR ERNESTO GONÇALVES ________________ A UVA — Entre a terra, o trabalho e a memória

A uva, o cacho, a vide, a videira, a ramada, o bardo, o esteio, a vindima, o vinho, o bagaço, a...

Casa do Rio: quando preservar o passado é também preparar o futuro

Há datas que ficam na memória de uma casa. Na Casa do Rio, em Torno, Lousada, a de 22 de agosto de...

Cool Dance levou dança e emoção ao Euro RX em Lousada

O grupo de dança Cool Dance, a convite do Clube Automóvel de Lousada (CAL), marcou presença no...

Chega setembro, regressam as aulas e, com elas, algumas das memórias de infância e juventude desse...

NOVOS BOMBOS EM LOUSADA (1)

Os Magnetenses: a tradição que ganha nova força Um novo grupo de bombos nasceu em Meinedo com 20...

O ESCUDO INVISÍVEL NO CIRCUITO INTERNACIONAL DE LOUSADA

ED4 levou a segurança no desporto automóvel ao patamar mundial Vamos falar de uma equipa que não...

Edifício da Adega nasceu há 70 anos

OBRA CUSTOU “DOIS MIL CONTOS” Assinalam-se este mês 70 anos do início de um dos projetos mais...

Grande Entrevista a LUÍS MARINHO (CAL)

“Não procuro ficar na história, procuro continuar a fazer mais e melhor” Aos 38 anos,...

JULIANA COSTA, UMA ARTISTA QUE SE REVELA FORA DE LOUSADA

Das raízes em Figueiras à afirmação na arte texturizada Natural de Figueiras, no concelho de...

Siga-nos nas redes sociais