por | 11 Mai, 2025 | Cultura

Uma trave mestra da cultura lousadense

BODAS DE OURO DA ASSOCIAÇÃO DE CULTURA MUSICAL – Parte I

A celebração dos 50 anos da Associação de Cultura Musical de Lousada foi recheada de eventos inolvidáveis, incluindo o lançamento de uma monografia sobre a história da coletividade. Todos os eventos foram condizentes com o peso que esta entidade tem na cultura local, A Associação de Cultura Musical de Lousada (ACML) é uma instituição promotora de cultura, com competências na área da formação musical, certificando habilitações académicas através do conservatório do Vale do Sousa; promove e difunde a cultura musical e vocal através da sua Banda de Música e Coro Feminino; promove e certifica habilitações académicas ao nível da dança clássica na Escola de Ballet.. O ensino do teatro, há muito visto como disciplina a adotar, ainda está por efetivar, mas é um desejo para o futuro.

“Em 12 de Abril de 1975 foi criada por escritura pública no Cartório Notarial de Lousada, a Associação de Cultura Musical de Lousada, com a finalidade de organizar e dinamizar a banda de música de Lousada, existente desde o ano de 1855, conferindo-lhe desta forma a legalidade necessária através da criação  de estatutos próprios”, lê-se na página desta vetusta entidade lousadense.

Teve a sua primeira sede na rua de S. Sebastião, onde está hoje o edifício dos Serviços Técnicos da CML, “em condições que, apesar da sua precaridade, possibilitaram  um trabalho empenhado por parte dos seus dirigentes,  tendo como consequência um aumento do número de sócios e a melhoria da qualidade artística da banda de música”.

Em Abril de 1981, o Conselho de Ministros, presidido pelo então ministro Pinto Balsemão, reconheceu a ACML como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública, estatuto de prestígio que muito beneficiou a coletividade.

Marcante foi o que saiu de uma reunião da Assembleia Geral da Câmara Municipal de Lousada realizada em Junho de 1984, na qual foi “deliberada a doação, à Associação de Cultura Musical de Lousada, de um terreno a ser delimitado na Quinta das Pocinhas, para construção do auditório municipal e sede da referida instituição. Anos mais tarde, em 1990 a Câmara Municipal de Lousada outorga por escritura à ACML o direito de superfície sobre o lote 12 da Quinta das Pocinhas para a construção referida e em 1991 é lançada a primeira pedra”.

Realizada esta importante etapa, “houve que lançar mãos à obra para tratar de questões de natureza burocrática, projeto arquitetónico entre outras, tendo sido determinante, para a agilidade e  sucesso  deste processo, o contributo inestimável da CML”.

Em 1998 “o sonho concretizou-se com a inauguração do Auditório Municipal e sede da Associação de Cultura Musical de Lousada”, num evento que contou com a presença do ministro da cultura, Manuel Maria Carrilho.

No decurso da construção, ocorreu uma mudança provisória da sua sede;  a atividade da associação desenvolveu-se em torno da sua banda de música, cujos músicos, a exemplo da maioria das bandas deste País, foram formados pelos músicos mais velhos e experientes. Ao longo de mais de um século, promoveram a cultura musical, dinamizaram atividades recreativas, participaram em eventos de natureza religiosa, homenagearam pessoas e instituições.

“Apesar desta história de que todos nos orgulhamos, a direção demonstrou suficiente lucidez e visão de futuro ao perceber que a formação académica musical seria uma mais valia para os músicos da banda, como para todos aqueles que escolhessem estudar música; após muita persistência e empenho, em outubro de 1994 foi criada a Academia de Música da Associação de Cultura Musical de Lousada, com autorização provisória de lecionação; a autorização definitiva ocorreria em 1999”.

A Academia de Música teve como principal objetivo proporcionar aos jovens e a todos os interessados, um ensino artístico de qualidade, ministrado por professores com habilitação académica reconhecida.

O desenvolvimento de atividades em prol da cultura no concelho de Lousada,  promovidas pela  associação, mereceram o reconhecimento e votos de louvor por parte do Ministério da Cultura e Município de Lousada. E esse reconhecimento persiste, de tal forma que já foi anunciado que a ACML receberá em evento a decorrer em 2025 a medalha de ouro de Mérito Municipal.

De todos os que lutaram pela concretização desta obra, é unanimemente destacada a pessoa de Paulo Afonso da Cunha, presente na direção da ACML durante um longo período de tempo, desde 1975 até ao ano 2000, tendo assumido a sua presidência a partir de1989.

A partir dessa data, nova direção administrativa assumiu a gestão da Associação, numa fase em que a situação financeira da mesma apresentava dificuldades consideráveis. A ACML  iniciou uma nova fase a que correspondeu um percurso de crescimento e desenvolvimento das suas vertentes. A Banda de Música desenvolveu a sua atividade artística na senda do caminho há muito trilhado;  a Academia de Música, com a aposta no ensino articulado da música assim como com a implementação de novos projetos, aumentou de forma considerável o seu número de alunos, possibilitando-lhes, através do ensino articulado,  o acesso gratuito a este tipo de ensino; a aposta numa outra forma de expressão artística, o ballet clássico, veio aumentar a oferta de atividades de índole cultural no Concelho.

O Coro Feminino do Conservatório do Vale do Sousa, composto por cantoras que fizeram a sua formação no Conservatório do Vale do Sousa, assim designado desde 2005, integra a partir de 2015 a nossa Associação, na qualidade de vertente de natureza vocal.

O crescimento da instituição teve como consequência o aumento das instalações e a  necessidade de contratação de pessoal docente e não docente de forma a garantir um ensino de qualidade e um normal funcionamento dos serviços. A criação de um número significativo de postos de trabalho, a contratação de serviços, o estabelecimento de protocolos e parcerias com entidades e instituições e outras, obrigou a uma estrutura organizativa considerável.

A ACML pelas várias vertentes que possui “é um dos maiores agentes culturais da região do Vale do Sousa” e o seu património cultural material e imaterial “é o orgulho de todos os seus associados e da comunidade em que está inserida”, sublinham os seus dirigentes.

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