Os novos presidentes municipais, Pedro Machado (Assembleia) e Nelson Oliveira (Câmara) abriram e fecharam a sessão solene, que ficou marcada pela estreia da Iniciativa Liberal e do Chega. O anterior e o novo presidente da Câmara colocaram a tónica dos seus discursos nos valores de Abril, reconhecendo que Novembro de 1975 teve um papel histórico importante, mas sem se sobrepor nem relativizar a revolução dos cravos de 25 de Abril de 1974. Os autarcas estiveram igualmente em sintonia ao focar os “perigos” que se deparam à democracia portuguesa, que “tanto custou a conseguir”. Os extremismos partidários, sociais e ideológicos foram visados nos discursos.
No Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lousada, a sessão solene do 25 de Novembro destacou o papel histórico desta data na consolidação da democracia portuguesa, reunindo intervenções dos partidos com assento na Assembleia Municipal.
Alice Vieira, do CDS Lousada, sublinhou que, após o impulso libertador do 25 de Abril, o 25 de Novembro de 1975 assegurou que a liberdade conquistada não fosse desviada por radicalismos, reforçando a centralidade das instituições, do pluralismo político e do Estado de Direito. Destacou o papel decisivo de partidos democráticos e figuras militares, como Ramalho Eanes e Jaime Neves, na defesa da democracia liberal e de princípios como a liberdade de expressão, eleições livres e pluralismo partidário. A responsável lembrou ainda que o CDS contribuiu para que Lousada assinalasse oficialmente o cinquentenário da data, e encerrou afirmando que celebrar o 25 de Novembro é renovar o compromisso com a preservação das instituições democráticas e a construção contínua da liberdade.
Cristina Neves, do Chega, reforçou a necessidade de canalizar esforços para políticas públicas claras, aplicação da lei de forma igual para todos e promoção de oportunidades reais, evitando retóricas de ódio ou confronto. Sublinhou que o dia celebra a capacidade de dialogar com firmeza e respeito, reafirmando o compromisso com o Estado de Direito, as liberdades individuais e a dignidade de cada pessoa. No seu discurso, lembrou que, embora tenha havido avanços nos últimos 50 anos, persistem desafios como desemprego, desigualdades regionais e desilusão com a política, destacando a importância de que o 25 de Novembro continue a inspirar cidadania, cooperação e um futuro de estabilidade e prosperidade para todos os portugueses.
Hugo Ferreira, da Iniciativa Liberal, comparou a importância do 25 de Novembro à própria Revolução de Abril. Recordou que, após a Revolução, o país enfrentou tentativas de limitar o pluralismo e impor modelos autoritários, e que esta data reuniu democratas de várias sensibilidades na defesa de uma democracia aberta e europeia. Ferreira alertou que, hoje, radicalismos, desinformação e fragilidades institucionais continuam a ameaçar a confiança na democracia, reforçando que a liberdade individual deve permanecer no centro do sistema democrático. Sublinhou que essa liberdade se manifesta em Lousada no associativismo, nas escolas, nas empresas e na governação transparente, evocando figuras históricas como Ramalho Eanes, Melo Antunes e Vítor Alves para ilustrar que coragem democrática se traduz em firmeza e caráter. Concluiu defendendo que a determinação é essencial para preservar a democracia e manter aberta a porta da liberdade conquistada em Abril e protegida em Novembro.
Renato Gomes, do PSD, destacou o 25 de Novembro como a vitória dos moderados sobre os radicalismos que ameaçavam a liberdade conquistada em Abril. Afirmou que, no contexto político atual marcado por extremismos, é fundamental reforçar a moderação, o diálogo e o compromisso. Sublinhou que o espírito do 25 de Novembro ensina tolerância e procura de soluções fundamentadas, valores essenciais também para Lousada. Gomes defendeu que o concelho deve contar com todos — instituições, cidadãos e juntas de freguesia — como parceiros, e propôs que se prepare a celebração dos 50 anos das primeiras eleições autárquicas de 12 de dezembro de 1976, homenageando quem ajudou a construir a democracia local. Apelou ainda a reflexão sobre desafios atuais, como emprego jovem, baixos salários, fragilidades industriais, mobilidade, habitação e apoios sociais, defendendo que Lousada precisa de maior ambição e de um novo “25 de Novembro” simbólico para apontar o caminho do desenvolvimento. Concluiu reafirmando que o PSD continuará a defender a liberdade, a democracia e um futuro melhor para o concelho.
Sónia Oliveira, do PS Lousada, enalteceu a importância do 25 de Novembro na consolidação da democracia portuguesa, lembrando que este dia marcou o fim de tentativas de impedir um regime pluralista e multipartidário. Sublinhou que o Partido Socialista, sob a liderança de Mário Soares, foi aliado civil determinante na defesa da liberdade e na moderação democrática, contrariando os extremismos de ambos os lados. Oliveira destacou que abril e novembro são faces da mesma moeda: a construção de um Portugal livre, democrático e europeu, e que o 25 de Novembro representou uma vitória da moderação contra forças radicais.
A responsável socialista disse que não se pode esquecer a herança de um Estado opressor que negava direitos, promovia censura e miséria, e reforçou que a democracia não é um dado adquirido. Exige vigilância constante, compromisso cívico e participação ativa de todos os cidadãos. Este 25 de Novembro, concluiu, serve para reforçar a importância de preservar a liberdade conquistada, promover o respeito pelas instituições e assegurar que os valores de justiça, igualdade e pluralismo continuem a guiar a construção de um Portugal democrático, livre e solidário.
A sessão solene em Lousada, que teve no jornal O Louzadense como único órgão de comunicação social presente, evidenciou que o 25 de Novembro não é apenas uma data histórica, mas uma oportunidade de reflexão coletiva sobre o valor da democracia, da moderação e da cidadania.













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