Dizem que é tão inócuo fazermos futurologia como vivermos reféns do passado. No caso dos portugueses, após quase 10 anos de governação socialista, só nos resta, de facto, viver no presente sem obcecarmos com a ineficácia do que já passou e, muito menos, sem sofrermos com aquilo que nunca se concretizará.
A proposta do orçamento do Estado para 2024 tem por estes dias feito correr muita tinta, motivando ampla discussão e impelindo os portugueses para as ruas. De mal o menos (digo eu), que aqueles que há cerca de 2 anos entregaram uma maioria absoluta a quem nos governou desde 2015 perceba agora (e mais vale tarde do que nunca) que, afinal, António Costa não “inventou a roda”, tendo, muito pelo contrário, estagnado o país na sua melancólica rotina de indignação sazonal entre veraneantes idas a banhos.
Em 2015, 2019 e 2022 António Costa vendeu aos portugueses a ilusão de que tudo ia ser melhor, que a austeridade acabara, que nunca mais em Portugal os portugueses iriam padecer de um terrorismo fiscal asfixiante para sustentar o Estado. O problema, caro leitor, é que na política, como na tropa, não se inventa nada, está tudo inventado.
Costa simplesmente mudou a aritmética substituiu a fórmula de PSD/CDS segundo a qual com menos receita orçamental se providenciavam melhores serviços, por uma equação segundo a qual se asfixiam os portugueses com impostos indirectos, se obtém um exorbitante excedente orçamental, e o país está completamente fora de serviço. Hospitais fora de serviço, escolas fora de serviço, justiça fora de serviço, forças armadas e de segurança fora de serviço, segurança social fora de serviço….
E, agora, Governo fora de serviço!..
Pedro Amaral*
Advogado
*Escreve mediante o anterior acordo ortográfico












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