Quando um elemento da família ou o doente se depara com o diagnóstico de cancro, naturalmente há uma necessidade de busca de informação, procurando fortalecer o doente a ultrapassar a doença e o processo de tratamento. Nesta sequência, a componente da alimentação é uma das temáticas em que mais recai a procura por informação, dado que, na prática, permite um maior envolvimento por parte do doente e dos cuidadores. Consequentemente, há um cruzar de informação/desinformação que, ora por ausência de conhecimento científico, ora por falta de senso crítico terão inferências em escolhas, correntemente erradas, que podem colocar em risco o estado nutricional/saúde do doente. Em consonância, podem derivar situações aliciantes de mudanças apregoadas como saudáveis, veiculadas por desinformação e que se esbatem com modas, como o exemplo da água alcalina, dos “shots para a imunidade”, entre outras. Em correlação, o mercado dispõe de uma panóplia de suplementos alimentares, de venda livre, apresentados como produtos naturais, que curam o cancro ou que prosperam o estado clínico do doente. Porém, dispendiosos, inúteis na maioria dos casos, com a possibilidade de ser uma agravante de causar danos na saúde, na interação com os fármacos utilizados no tratamento e radioterapia.
Neste seguimento, urge a pertinência da educação alimentar para capacitar doentes e cuidadores. Uma alimentação saudável e adequada é preponderante para quem compadece de cancro, porque quer em função da doença e/ou do tratamento, o doente pode ter de alterar a sua forma de comer, bem como, existir alterações na forma como o corpo tolera certos alimentos e utiliza os seus nutrientes. Deste modo, uma alimentação adequada é basilar para que o doente oncológico se mantenha nutrido, hidratado e ultrapasse os efeitos secundários dos tratamentos. Assim, no decorrer da doença oncológica, embora possam se diferenciar umas das outras, dependendo do tipo, localização e estádio, decorre um elevado risco de malnutrição, que atinge cerca de 20 a 70% das pessoas com cancro. Com efeito, a malnutrição, a perda acentuada de peso e de massa magra, mesmo que em doentes obesos, tem um impacto negativo, concludentemente, uma menor resistência aos tratamentos, um maior risco de infeções, de internamentos e de complicações, que eventualmente poderão conduzir a uma redução dos tratamentos ou a sua interrupção, com um resultado desfavorável. Acresce que, os efeitos secundários dos tratamentos oncológicos, podem afetar a ingestão alimentar, manifestando efeitos adversos como, a falta de apetite, as alterações do olfato e paladar, as náuseas e vómitos, a obstipação ou diarreia, incitando um impacto negativo no estado nutricional do doente.
Em resoluto, um adequado estado nutricional, traduz-se em efeitos positivos na função imunitária, na diminuição da taxa de complicações, na eficácia da resposta ao tratamento e no controlo dos sintomas. Deste modo, é fundamental que o estado nutricional seja monitorizado e otimizado o mais precocemente possível para que haja um aumento da qualidade de vida do doente.
Maria Neto
Nutricionista













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