No passado dia 25 de Abril celebraram-se os 50 anos sobre a revolução que derrubou o regime autoritário e autocrático que vigorava em Portugal, devolvendo ao país a liberdade cívica e a pluralidade política que viriam a permitir eleições livres e a consolidação do sistema democrático que conhecemos.
Lousada não foi excepção, com o executivo municipal a promover um programa um pouco mais alargado de comemorações. Infelizmente, o que as celebrações ganharam em iniciativas, perderam em concretização da mesmíssima liberdade que visou homenagear.
Este ano, contrariando a sua própria decisão de deixar de realizar sessões solenes anualmente nesta data, o executivo Socialista decidiu promover uma sessão solene na qual “graciosamente” concedeu a palavra à oposição.
Apenas se esqueceram (ou talvez não) que a oposição, em Lousada, é formada por uma coligação de dois Partidos, PSD e CDS, ambos também fundadores da democracia.
Ora, tratando-se de uma sessão solene regimentalmente distinta da Assembleia Municipal (na qual o grupo da coligação de facto é uno), não posso deixar de entender tal opção, se não como uma forma de encurtar os discursos da oposição, reduzindo, assim, em metade a possibilidade de dissonância com os discursos da Deputada Municipal do Partido Socialista, do Presidente de Câmara do Partido Socialista e da Presidente da Assembleia Municipal do Partido Socialista.
Pese embora a intervenção do líder do PSD, companheiro de coligação, tenha evidenciado muitos dos pontos de vista também partilhados pelo CDS, quer no que respeita ao ideal de liberdade, quer no que ainda falta concretizar de Abril em Lousada, o CDS não se resigna a ser vítima do exercício Socialista segundo a qual, quanto menos a oposição falar melhor.
De facto, de nada vale apregoar a liberdade se, simultaneamente, a caucionarmos à censura do pensamento.
De nada vale apregoar a liberdade se cedermos às pressões das supostas verdades absolutas.
De nada vale apregoar a liberdade se nos conformamos com os imperativos da decisão autoritária.
De nada vale apregoar a liberdade, se aceitarmos por normal um sistema de perpetuação do poder.
De nada vale apregoar a liberdade, se permitirmos a imposição do que é aparentemente válido, aparentemente correcto ou aparentemente aceitável.
A diferença entre liberdade e o autoritarismo está na linha ténue de reconhecer sempre no outro alguém tão livre como eu.
O CDS-PP não cede o monopólio da Liberdade à esquerda, da mesma forma que não esquece a consolidação democrática de Novembro de 1975 e legitimação das primeiras eleições livres de 1976.
50 anos de Abril até podem ser 50 anos de PS, mas são também 50 anos de PSD e 50 anos de CDS!
Viva a Liberdade, viva Lousada, viva Portugal!
Pedro Amaral*
Advogado
*O autor escreve mediante anterior acordo ortográfico












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