Caro leitor,
Hoje escrevo-lhe em jeito de carta, porque em jeito de carta terminou o acontecimento de que lhe venho dar nota.
No passado dia 27 de Junho na Assembleia Municipal defendi, em nome da coligação PSD/CDS, uma Moção com vista à promoção pelo Município de uma Sessão Solene do Cinquentenário do 25 de Novembro em Lousada.
Fi-lo num espírito de união, apelando aos valores comuns e à matriz centrista e moderada de PS, PSD e CDS enquanto partidos históricos fundadores da democracia que, naquela data, se colocaram ao lado das liberdades cívicas e políticas contra os extremismos revolucionários que se procuravam impor.
À Moção da Coligação – alicerçada na defesa do sistema constitucional, no agradecimento aos militares, na importância do poder autárquico, na responsabilidade dos partidos de centro e no compromisso com os valores da liberdade e democracia – o Partido Socialista de Lousada escolheu responder com acusações de apropriação da data, imputações de alergia aos ideais de Abril e alegações de tentativas de reescrever a história. A Moção acabaria por ser aprovada apenas com os votos favoráveis de PSD e CDS e, nesse sentido, ganhou a democracia.
Da minha parte, caro leitor, pensei que a postura do Partido Socialista de Lousada fosse diferente dos seus camaradas na Assembleia da República em relação a similar proposta do CDS, mas enganei-me, porque hoje, aparentemente, muito pouco separa uns e outros na partidarite. Se em tempos se assumiram como “charneira “, hoje preferem a trincheira. Os socialistas de 1975, provavelmente, assumiriam outra atitude.
Com a sua posição, o Partido Socialista de Lousada acabou a sua intervenção na Assembleia Municipal da mesma forma que acabaria se a mesma fosse uma carta aos lousadenses…
Com um Postscript:
PS Abstenho-me
Pedro Amaral*
Advogado
* Escreve mediante o antigo acordo ortográfico













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