Na minha perspetiva, os alunos de hoje não diferem substancialmente daqueles que conheci no início da minha trajetória profissional. O que se alterou de forma significativa foi a realidade em que estão inseridos, e não os seus desejos ou aspirações. As metas que eles almejam alcançar e os sonhos que cultivam para o futuro não divergem, de maneira essencial, daqueles que eu próprio nutria há três décadas. As mudanças que observamos dizem respeito, sobretudo, aos contextos, valores e circunstâncias que moldam as suas vivências.
O principal desafio que vislumbro para o aluno do futuro não se refere necessariamente a uma questão de aquisição de conhecimento ou desenvolvimento de competências técnicas, mas sim a um desafio de natureza humana. É imprescindível que ele preserve a sua humanidade, cultivando o contato interpessoal, a interação direta e o diálogo presencial. Na minha avaliação, a maior ameaça contemporânea reside nas novas tecnologias que, apesar de representarem ferramentas de imenso potencial, possuem o risco de comprometer essa essência humana. Redes sociais e plataformas como Instagram, Twitter ou Facebook não podem, de forma alguma, substituir a riqueza do contato direto entre as pessoas. Elementos como a conversa olho no olho, o toque e os gestos são insubstituíveis.
As novas tecnologias devem ser encaradas como instrumentos destinados a apoiar nossas necessidades, jamais como um fim em si mesmas. Devem estar a serviço das pessoas, e não o inverso, onde os indivíduos se tornam subordinados ou manipulados por essas ferramentas. Esse é um desafio que se impõe não apenas aos estudantes, mas à sociedade como um todo, e será determinante para o futuro. A chave para a construção de um mundo mais equilibrado, autêntico e verdadeiramente conectado reside no estabelecimento de um equilíbrio entre a tecnologia e a essência da humanidade.
José Carlos Silva
Diretor do Agrupamento de Escolas Lousada Este













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