Foi apresentado no passado sábado, dia 5 de junho, o livro “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada: História e Identidade”, da autoria de Pedro Magalhães.
O convite surgiu em 2017 e foi no mesmo ano que Pedro Magalhães colocou mãos à obra. “Sendo eu de Lousada, e sendo sobre Lousada, fiquei muito orgulhoso e satisfeito por fazer parte da história daquilo que iria acontecer, a publicação de um livro, ficamos sempre na memória daquilo que foi feito”, revela o autor.
O processo criativo “vai surgindo de acordo com aquilo que a informação vai permitindo. Há uma parte de estrutura de trabalho que é transversal a outros trabalhos, mas depois vai dependendo da informação disponível. Felizmente, os Bombeiros Voluntários de Lousada têm um arquivo bastante significativo, o que facilitou o trabalho. Foi necessário, obviamente, consultar outras informações, porque há coisas que não estão disponíveis nas atas, nos livros de contas”, relata.
Para encontrar estas informações complementares, “foi necessário consultar arquivos de família, há sempre registos e memórias, e os jornais locais, neste caso o ‘Jornal de Lousada’, ‘Vida Nova’ e o ‘Jornal Heraldo’, que foram as grandes fontes de informação complementar ao arquivo dos bombeiros”, refere.

As maiores dificuldades, explica, “foi chegar a algumas pessoas e algumas informações, porque é um trabalho de pesca à linha. Vamos uma vez, temos de ir uma segunda, as pessoas não nos conhecem, demoram a confiar. Mas é um trabalho que é demorado. Agradecer também o facto de nos terem confiado material, mas também procuro ser muito zeloso naquilo que é o compromisso que assumo com a pessoa”.
“De uma forma geral, não há pessoa em Lousada que nunca tenha contactado com os bombeiros, de alguma forma precisou. Toda a gente tem esta ligação aos bombeiros. Alguns por motivos trágicos, outros por motivos mais culturais, pelas vivências da vida, e é importante que todos saibam o que existe e como chegou até aqui. É preciso honrar aquilo que foi feito e continuar a trabalhar”, termina.
Aparecimento do livro
“Notamos que havia uma certa falta de compilação de documentação, de saber a história real da associação, então quisemos elaborar uma obra que de facto nos desse a conhecer a realidade de toda a história dos bombeiros, e foi isso que procuramos fazer”, explana Antero Correia, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lousada (AHBVL).
O objetivo é que a obra fosse “uma obra história da associação”. Ainda assim, “com certeza ficaram alguns pormenores que não foram contados, contudo, demos inicio a que mais gente possa procurar compilar e atualizar a verdadeira história dos bombeiros. O trabalho foi muito bem feito, foi um trabalho exaustivo do Dr. Pedro Magalhães. Está muito bem estruturada e espelha a realidade dos bombeiros, descreve muito bem as dificuldades que tiveram, a forma como se foram implementando na sociedade e, sobretudo, a resposta que deram à sociedade nos perigos iminentes”, garante.

“95 anos foi o ano escolhido para o lançamento do livro e, ainda, de uma homenagem a todos os ex-presidentes, e é na hora certa que chega o livro. É um prazer ter esta obra e disponibilizá-la aos lousadenses”, reflete presidente.
A presença das mulheres nos bombeiros
“A revisão cientifica é um processo de discussão em que vamos discutindo a estrutura, as questões que surgem, a interpretação da documentação, a leitura final, é um trabalho de acompanhamento, mas, devo dizer, no caso do Dr. Pedro não tenho dificuldade nenhuma. Aprendo imenso, porque estou sempre a ver elementos novos e temas diferentes”, refere Inês Amorim, professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e responsável pela revisão científica da obra.

Para a professora, “é fazer história com os elementos e com as questões que colocamos em cada momento. Quem fizesse a história dos Bombeiros de Lousada há 20 anos, andar a preocupar-se com o tema da presença das mulheres nos bombeiros, nem sequer colocava. Isto tem a ver com as questões que hoje colocamos. Outra coisa que é muito interessante, é a tipologia de acidentes, de catástrofes, e aqui também encontramos esse colossal desse quotidiano”.












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