por | 30 Abr, 2019 | Cultura

Teatro da Linha 5: há 10 anos na linha do teatro amador

Por altura da criação do Cais Cultural em 2008, o fundador António Meireles lançou o desafio à Patrícia Queirós (atriz de profissão e apaixonada pela cultura e por Caíde) no sentido de criar um grupo de teatro amador residente no Cais. Ora, o desafio foi prontamente aceite pela Patrícia e 10 anos depois o grupo é um dos maiores projetos do Cais Cultural e ainda hoje a atriz patricipa no projeto. A partir de 2014, a Patrícia passou a direção do grupo para Luís Peixoto, responsável também pela Associação Albano Moreira da Costa, ficando ela apenas com a responsabilidade artística. Aproveitando o fecho do Festival FESTAC, fomos conhecer melhor este grupo entrevistando o seu responsável, Luís Peixoto:

Fale-nos da primeira iniciativa deste grupo.

Digamos que a primeira iniciativa foi a realização de uma pequena animação na inauguração do Cais Cultural em dezembro de 2008. No entanto, oficialmente o grupo foi apresentado à comunidade no dia 27 de março de 2009 (Dia Mundial do Teatro) com a estreia da peça de teatro “O Avarento” (criado e encenado por Patrícia Queirós), com 20 pessoas em palco. Ainda hoje me lembro dessas duas atividades, principalmente da estreia da peça em que o Cais Cultural estava a abarrotar de público. Nessa altura já fazia parte do grupo e, 10 anos depois, continuo no grupo e com a responsabilidade da sua direção desde 2014.

Que balanço faz destes dez anos?

São 10 anos do Teatro da Linha 5 extremamente positivos e isso reflete-se no nosso trabalho e vitalidade. Já passaram pelo grupo dezenas de elementos, perto de cinquenta peças e animações, dezenas de palcos já pisados, mas principalmente milhares de pessoas que já riram connosco. É pelo público e para o público que trabalhamos e queremos fazer sempre mais e melhor. Queremos continuar a fazer do Teatro da Linha 5 um grupo de referência na região.

Quais são os momentos mais importantes deste projeto? E os mais difíceis?

Ao longo dos 10 anos destacamos alguns momentos importantes: a criação do festival de teatro amador, a participação no Biofest, a realização de teatro de rua (com especial participação no Mercado Histórico de Lousada), e o aumento considerável da itinerância de peças de teatro (cerca de 40 representações desde 2016). Os momentos mais difíceis são quando queremos ter cenários e figurinos mais elaborados, mas infelizmente os nossos recursos financeiros não o permitem. Tentamos sempre com pouco fazer muito.

Caracterize-nos o momento atual do grupo Teatro Linha 5.

Neste momento passamos por uma fase muito boa, com vários projetos e apresentações marcadas, com destaque para o teatro de proximidade (projeto Cais na Rua), onde faremos apresentações de peças ao ar livre em diferentes concelhos e ainda a participação no projeto de teatro comunitário sobre o Zé do Telhado, numa comunhão entre atores profissionais e amadores do concelho. Partilho que, infelizmente, já nos vemos obrigados a rejeitar convites atendendo à limitação de datas disponíveis.

Uma das principais iniciativas é o Festival de Teatro. Como surgiu?

A ideia da criação do festival surgiu no final de 2015, no sentido de podermos receber vários grupos pelos quais já tínhamos passado, por forma a cumprir as permutas teatrais. Ora, em 2016, realizámos o primeiro festival e, desde então, queremos fazer do Cais Cultural uma referência a nível do teatro amador, com a realização do FESTAC entre março e abril, por ocasião do aniversário do grupo e Dia Mundial do Teatro.

Como correu esta 4.ª edição do Festival?

O 4º FESTAC foi um sucesso. Os grupos de teatro participantes apresentaram peças de muita qualidade e a adesão do público foi muito boa. Durante as cinco noites de teatro tivemos cerca de 500 pessoas a assistir e perto de 80 elementos dos grupos de teatro, entre atores e técnicos. Ficou evidente que é uma atividade para perdurar.
Quais são as maiores dificuldades na realização desta iniciativa?
As principais dificuldades prendem-se com os poucos recursos financeiros da associação, que limitam as formas de divulgação do evento, as refeições servidas aos grupos e os materiais de som e luz do auditório do Cais. Como ainda não trabalhamos com reserva prévia de bilhetes, ficamos sempre reticentes quanto à adesão do público.

Qual tem sido a recetividade em relação ao festival por parte dos outros grupos?

Felizmente o Teatro da Linha 5 tem recebido muitos convites para participar em vários encontros de teatro, o que faz com que, através de permutas, consigamos sempre ter vários grupos disponíveis para participarem no nosso festival. Há sempre uma grande disponibilidade e abertura dos grupos, principalmente a nível das datas e adaptação ao nosso palco.

Para si qual é a importância deste festival para a associação?

É, sem dúvida, uma das atividades mais importantes da nossa associação. Durante o decorrer do festival, o teatro amador é rei e traz muita gente ao Cais Cultural, quer grupos, quer público. Este evento segue a linha de querermos tornar o Cais um local de referência a nível do teatro amador.

Quais são os principais apoios?

Os principais apoios são as bilheteiras do nosso festival, quotas dos associados, subsídios do município de Lousada e muito trabalho voluntário de muitos amigos.

O que gostaria de conseguir para o futuro do Teatro Linha 5?

Queremos tornar o Teatro da Linha 5 um grupo de referência na região, com destaque na itinerância de peças de teatro por vários palcos e espaços ao ar livre. Queremos levar o teatro ao encontro das pessoas, pelo que um dos nossos lemas é o teatro de proximidade. No que toca ao festival de teatro, queremos alargar a participação de grupos das ilhas e Espanha, por forma a termos contacto com outras realidades. Somos um grupo sempre disponível a abraçar novos desafios.

Quais são os segredos para o sucesso deste vosso projeto?

Não há segredos, apenas dedicação, responsabilidade e entrega. É de salientar que todos nos sintamos muito bem no grupo e há um espirito de segunda família. A paixão comum pelo teatro sobrepõe-se e tudo dá certo.

Sente apoio da comunidade local?

Sim, cada vez mais sentimos que a comunidade gosta de assistir às nossas peças e isso é evidente com o aumento de público no nosso festival. Quais os segredos do sucesso do v/ projeto?

Uma mensagem final…

O teatro amador vive dos aplausos do público. É importante que o público assista a teatro e saiba valorizar todo o trabalho desenvolvido.



Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Lousada ultrapassou os 50 mil habitantes, devido ao aumento da população estrangeira

Análise do jornal O Louzadense aos mais recentes dados provisórios e preliminares do Instituto...

Equipa de Shinkyokushin conquistou seis pódios

O WIBK Dojo Verdadeiro Espírito, do lousadense Paulo Rente Silva marcou presença no Torneio...

Atleta de Lousada convocada para Jogos do Eixo Atlântico

A jovem Daniela Pereira, natural da freguesia de Pias, em Lousada, foi convocada para integrar a...

"Talvez seja por isso que gosto tanto das nascentes. Porque, ao contrário dos rios, que toda a...

Campeões Nacionais de Natação Adaptada

Os atletas lousadenses do clube Lousada Século XXI estiveram em grande evidência no Campeonato...

A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco, foi uma das convidadas do...

Forte internacionalização do Inferno das Febras

O Inferno das Febras regressa ao Parque de Lazer e Merendas de Casais, em Lousada, nos dias 28 e...

O treinador penafidelense João Paulo Guedes Silvestre, de 36 anos, é referido por várias fontes...

Protocolo para projeto de turismo cultural assinado entre a CCDR-N e Vidas em Cena

A Associação Vidas em Cena, de Lousada, está entre as dez entidades culturais da Região Norte...

A celebração dos 100 anos dos Bombeiros Voluntários de Lousada constitui um momento de...

Siga-nos nas redes sociais