“Esta força, esta perseverança, este inconformismo, esta capacidade de luta e superação ainda hoje são a imagem de marca do hóquei”, Luís Ângelo

Hóquei: meio século em livro

O livro “Lousada: 50 Anos de Hóquei” foi apresentado no dia 8 de novembro no Espaço AJE. A obra, da autoria de Luís Ângelo Fernandes e Carla Magalhães, foi editada pela Câmara Municipal.

Pedro Machado referiu-se a esta iniciativa como sendo o culminar de uma promessa feita aquando do 50.º aniversário do surgimento do hóquei em Lousada. “Uma grande aventura seguramente na altura, mas houve alguém que teve essa coragem, e essa aventura deu muitos passos em frente, com imensa dificuldade”, referiu o autarca.

Meio século foi o suficiente para tornar o hóquei uma referência no concelho de Lousada. O livro é, assim, mais um elemento que irá, segundo Pedro Machado, perpetuar o passado, “prestar o tributo a todos aqueles que deram o seu contributo e mostrar às gerações vindouras que vale a pena”, salientou. O presidente da Câmara agradeceu, ainda, a todos os que contribuíram para a publicação do livro, especialmente ao professor Luís Ângelo, “que colaborou connosco nestes trabalhos que temos vindo a fazer, trabalhos de grande qualidade”. Relativamente à obra, “de facto, está muito bonita”, referiu.

Luís Ângelo e Carla Magalhães são os autores

▲Os autores do livro, Carla Magalhães e Luís Ângelo Fernandes

O professor Luís Ângelo, que escreveu o livro em coautoria com Carla Magalhães, descreveu o hóquei como estando na “vanguarda desportiva, cultural e educativa” e, por isso, obreiro de uma “revolução social e cultural”.

O professor dividiu a história do hóquei em Lousada em três períodos. A primeira década diz respeito ao nascimento, organização e integração na AD de Lousada. Em 1977, iniciou-se uma nova fase, caracterizada pela imposição da secção em termos desportivos: “Impôs nessa época um empate ao FC do Porto”, lembrou. Já a terceira fase iniciou-se com a construção do Complexo Desportivo, “que surge precisamente por causa do hóquei em campo”, referiu.

O autor recordou, ainda, a abertura às mulheres: “Para o futebol ter uma primeira equipa feminina foram precisos cinquenta anos. O hóquei conseguiu isso em vinte anos. Foi a mentalidade e a superação que permitiu essa abertura”, realçou.

Luís Ângelo admite que este “é um livro para as novas gerações”, que têm, assim, a oportunidade de conhecer uma história de dificuldades, mas também de coragem e capacidade de acreditar: “Esta força, esta perseverança, este inconformismo, esta capacidade de luta e superação ainda hoje são a imagem de marca do hóquei”, disse.

Este livro também é fruto de uma exposição realizada há dois anos com o objetivo de celebrar os 50 anos de hóquei em Lousada. Nesse âmbito, Carla Magalhães recolheu fotos e realizou entrevistas, que passaram da exposição para o livro, sendo este de um enorme enriquecimento profissional segundo a autora. Para Carla Magalhães, o principal objetivo é reconhecer um desporto que não tem sido muito apoiado, mas que tem resultados importantes a nível nacional e internacional: “Era importante o reconhecimento de todos os atletas e entidades que se envolveram durante estes 52 anos de sucesso”, realça.

Joaquim Valinhas: um vida dedicada ao hóquei

Joaquim Valinhas é um dos nomes pioneiros do hóquei em Lousada e aproveitou a oportunidade para recordar algumas “peripécias” do início: “Só tinha dois carros, um levava cinco e outro levava seis. As pessoas pagavam 5 escudos cada para eu ter gasolina no carro”, contou. Foi preciso, pois, “muita vontade” para praticar o desporto de que gostavam, já que, para o futebol, “não tínhamos muita habilidade”, referiu.
Joaquim Valinhas enalteceu o papel da Câmara Municipal neste âmbito e, em particular, o recente piso sintético, que mostra que a autarquia “reconhece a importância desta modalidade”, salientou.

Há cinquenta anos ligado ao hóquei, vinte dos quais como jogador e dois anos na equipa de reservas federada, teve a oportunidade de trabalhar com atletas de todas as faixas etárias: “Sempre tive a preocupação em insistir com os jovens que em primeiro lugar estavam os estudos”, disse.

O ex-atleta garante que ainda tem mais para dar ao hóquei: “Quem sabe se eu não vou voltar a dar de novo uma mão para que o hóquei continue com a mesma pujança?”

Vítor Valinhas, presidente da Associação Desportiva do Lousada Hóquei Clube, parabenizou os autores do livro, que dão a conhecer a muita gente os cinquenta anos do hóquei, “uma história de sucesso que foi crescendo e, nos últimos anos, tem sido brutal em termos de sucesso desportivo”, sustentou.

António Ribeiro, da Juventude de Hóquei Clube, lembrou também os tempos passados: o fim dos seniores, a aposta na formação, o regresso dos seniores competitivos, capazes de chegar às meias finais: “Se nos tivéssemos empenhado mais, poderíamos ter conseguido alcançar o troféu”.

Lamentou apenas que sejam escassas as mãos para trabalhar nos clubes: “Há muita gente que gosta de hóquei, mas para trabalhar nos clubes ninguém aparece”.

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