As lendas e superstições

As lendas foram contadas e recontadas através dos tempos, em sítios diversos como aos serões, nas noites de Natal, nos encontros familiares e de amigos, ao calor das lareiras acesas e dos borralhos, num tempo em que a amizade e convívios eram bem diferentes dos nossos dias apressados.
No entanto, com alguma paciência e sem pressas, pois caso contrário acrescentaríamos mais que um “ponto” e a lenda aparecia desvirtuada e sem qualquer parecença da original, vamos recontar três lendas do concelho de Lousada, ligadas à Virgem Maria, em forma de “convite” à perpetuação da alegria que era, o reinventar de histórias, mais ou menos credíveis e que levavam o povo a entusiasmar-se com a imaginação humana que verdadeira ou não, repassava de geração em geração e, foram sofrendo alterações à medida que foram contadas. Tivemos o ensejo de ler estas lendas, em vários livros já noutros crónicas nomeados, e ainda, ouvidas da boca dos mais idosos que nos deliciaram com estas narrações.

Começamos pela lenda de Nossa Senhora de Silvares:

Há muitos anos a esta parte, apareceu uma imagem de Nossa Senhora, num monte, situado entre as freguesias de Silvares, concelho de Lousada e da freguesia de Idães, no concelho de Felgueiras quando as gentes de Idães andavam a apanhar lenha para o lume.

Pegando na Imagem, levaram-Na para a Igreja da sua freguesia. No entanto, como o monte dividia as duas freguesias, as gentes de Silvares acharam que Esta lhes pertencia e reclamaram a sua pertença, através de lutas ferozes entre as duas comunidades.

Sendo vencedores as gentes de Lousada, levaram-Na consigo para a igreja de Silvares. Mas, a Santa, quando mal tinha chegado, desapareceu, tendo sido encontrada, novamente, pelos lenhadores de Idães, no alto do monte, voltando estes a levá-La para a sua igreja.

A cena repetiu-se três vezes. O povo de Silvares vendo que a Santa não queria ficar na sua terra, prometeram-Lhe que a levariam, todos os anos em procissão, a Idães. Então, só assim, é que conseguiram que se mantivesse em Lousada, numa capelinha que Lhe construíram a propósito, cumprindo assim a promessa por muitos e muitos anos!…

Ainda hoje o monte é conhecido pelo nome de Monte da Senhora.

A lenda da Nossa Senhora das Neves:

Decorria os finais de mês de Agosto de um ano desconhecido, mas da Era de Nosso Senhor Jesus Cristo, e estava muito calor. As pessoas amanhavam a terra, principalmente na rega do milho e da vinha e a água era muito pouca. Durante vários dias, já tinha havido novenas, procissões e rezas, a rogarem a vinda de chuva.

Nossa Senhora das Neves

Nesse dia de finais de Agosto, para espanto de todos, começou a nevar intensamente e as águas de repente atingiram caudais acima da média. Perante facto tão insólito, e nunca visto, o povo interpretou-o como sendo um Milagre de Nossa Senhora.

A Nossa Senhora das Neves (Santa Maria Maior) passou a ser Padroeira de Meinedo e ainda hoje é venerada, numa festa anual no 2º Domingo de Setembro.

A lenda da Senhora Aparecida:

Na freguesia do Torno, em Lousada, venera-se desde meados do séc. XIX, a Senhora Aparecida.

Em finais do séc. XVIII, esmolava por essas paragens, um pobre ermitão que se dizia que tinha vindo do Oriente e que era uma alma angelical. Toda a gente gostava dele e quando se aproximava das pessoas para pedir esmola, apresentava um Oratório com uma imagem da Virgem para demonstrar a sua bondade e veneração a Nossa Senhora. Toda a gente o ajudava conforme podia.

▲Nossa Senhora Aparecida

Pernoitava num subterrâneo de uma antiga mina seca que existia no Monte da Conceição, lugar onde atualmente se encontra uma moderna ermida em honra de Nossa Senhora Aparecida.
Voltando a falar sobre “nosso” ermitão, sabe-se que ele pedia esmola por terras longínquas e passava dias e meses sem ser visto por estas paragens.

Um dia desapareceu mesmo!…

As pessoas andavam intrigadas com tal desaparecimento e questionavam sobre o seu paradeiro. Teria voltado à sua terra Natal? Teria morrido? Que teria acontecido.

Passaram-se dezenas de anos e o pobre ermitão passou ao esquecimento.
Em meados do séc. XIX, fenómenos estranhos aconteciam na zona do Monte da Conceição. As estrelas cadentes caiam na zona da mina em noites sucessivas. Os raios em dias de tempestade, ali vinham cair inofensivamente.

O Padre da Freguesia juntou-se ao povo e cheios de curiosidade resolveram fazer escavações e encontraram a mina aluída e no seu interior apareceu a Pequenina Imagem da Virgem que tantas vezes foi vista no Oratório do Ermitão. Perto da Imagem encontrava-se uma panela enferrujada e restos de carvão, indícios claros que era ali que o pobre homem descansava e que foi ali a sua sepultura. Foi, por certo, um grande aluimento de terras que o soterrou, mas a Imagem da Virgem permaneceu incólume através dos anos. Neste local o povo erigiu uma Ermida que ainda hoje existe, debaixo do adro da Capela (Igreja) de Nossa Senhora da Conceição.

Outras versões existem da lenda de Nossa Senhora Aparecida, mas todas elas vão de encontro ao aparecimento da Imagem neste local de culto e veneração situado no Monte da Conceição.

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