por | 23 Dez, 2019 | Grandes Louzadenses, Sociedade

AMI alimenta o sorriso das crianças lousadenses

Há 15 anos em Lousada

O núcleo de Lousada da AMI é o maior núcleo nacional. Um dado que muitos desconhecerão sobre uma instituição que ajuda muitas famílias em Lousada há 15 anos, possuindo todas as valências.

O enfermeiro Vasco Bessa, presidente da direção do núcleo da AMI de Lousada, esclarece que a ajuda prestada às famílias é abrangente e depende da época do ano: “Distribuímos roupa; no Natal, distribuímos brinquedos aos mais necessitados e, no início do ano escolar, damos uma mochila aos alunos, com tudo o que precisam”. Assim, com a mochila completamente equipada, ficam só a faltar os livros, que agora são emprestados pelo estado.

No dia 20 de dezembro, vai ser realizada a festa de Natal, com oferta de um brinquedo às crianças, que poderão também contar com um lanche. “São estas ações que me fazem sentir bem. Ver o sorriso deles é o meu Natal. Fico muito feliz”, afirma. Vasco Bessa revelou-nos, ainda, outra faceta, a de “Dr. Brinquedos”, já que está a reparar alguns para entregar aos meninos no dia 20.

O número de famílias apoiadas por esta instituição varia em função da ajuda prestada, mas as crianças merecem destaque. São cerca de 70 as apoiadas. Em relação à vertente alimentar, recebem auxílio 44 famílias. Já o vestuário chega a aproximadamente 70 famílias. Sobre esta ajuda, o enfermeiro lança um apelo: “Nós temos muita roupa e agradecemos que venham cá buscá-la, pois temos muita e boa roupa para dar”.

Não há um dia em que não entre alguém nas instalações da AMI. “Diariamente vêm sempre sete a oito pessoas”, conta.

Lousadenses são generosos

O enfermeiro Bessa não se queixa da falta de solidariedade dos lousadenses. Pelo contrário. A generosidade fica bem vincada aquando dos peditórios: “Conseguimos quantidades extraordinárias de dinheiro. É um povo solidário. Também sabem que a AMI faz um bom trabalho”, diz. Por isso, este ano o peditório realizou-se cinco vezes, com a ajuda de vários voluntários.

O apoio das empresas também é importante, especialmente das grandes superfícies, que não descartam a sua responsabilidade social. “Temos o apoio do hipermercado. O Continente dá-nos todos os dias alimentos excedentários”, exemplifica.

O presidente do núcleo lousadense reconhece que existem muitas pessoas com necessidades e que, se não fosse a AMI, viveriam ainda com mais dificuldades. Para aferir as dificuldades, o enfermeiro esclarece que existe um processo de seleção. “Os que apoiamos têm mesmo necessidade, vivem com dificuldades”, sustenta.

Crianças e idosos são os mais vulneráveis

O espaço ocupado pelo núcleo é patrocinado pela Autarquia, que paga a renda, condição essencial para poder continuar o seu trabalho. O local é reservado e, por isso, ideal para aqueles que não querem demonstrar as suas necessidades: “Temos um espaço ótimo, pois é reservado, um pouco escondido e as pessoas vêm aqui e não têm vergonha”, diz o enfermeiro. A “pobreza encoberta” é, aliás, a que mais o assusta, principalmente aquela que envolve crianças e idosos. “Temos idosos que trabalharam uma vida inteira e têm uma reforma pequenina, com necessidade de comprar medicamentos e vivem mal. Eu adoro as crianças, mas a dificuldade de ver os idosos a chorar…”. É por eles que não desiste. “Tenho 67 anos, há quinze anos estou aqui e, enquanto tiver forças, isto vai continuar”, assegura.

São necessários mais voluntários

As dificuldades estão relacionadas essencialmente com a grande carência de voluntários: “Hoje só temos aqui uma pessoa”, lamenta, acrescentando: “São precisas mais mãos, mais apoio, mais ajuda”. A solidariedade é aquilo que o faz sentir bem e, portanto, a sua presença é constante.

Apesar de toda a solidariedade, o enfermeiro sente que está a lutar sozinho na instituição: “A direção sou eu”, diz, lamentando que as pessoas não queiram os cargos para trabalhar. “Tudo o que está aqui dentro fui eu que paguei. Tenho algumas ajudas, mas, quando não chegam, sou eu que dou. A minha carrinha é que está aqui a fazer serviços. Começa logo de manhã. Vou aos supermercados trazer produtos alimentares”, conta.

O presidente revela que está a pensar entrar agora na rede social e que, no futuro, o gostaria de concretizar os eventos que a AMI tinha no passado para a angariação de fundos, retomar a Festa do Idoso e a Gala de Fados. “Vou ter mais tempo livre e vou tornar a realizar rastreios e muitas outras coisas. Recuperar aquilo que a AMI era em tempos. Existe muita saudade destas iniciativas. O problema é que sai sempre do meu bolso”, lamenta.

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