por | 14 Mar, 2020 | Opinião

As escolas, os alunos e o Covid-19

Estamos a viver, como comunidade, um período bastante difícil, que convém enfrentar com calma e com preocupações cívicas e sociais, tentando encontrar, de acordo com as informações disponibilizadas pelas entidades competentes, os comportamentos mais adequados para protegermos a nossa saúde, a dos nossos familiares e da nossa comunidade em geral. Aguardemos serenamente que as autoridades de saúde atuem e que possamos voltar rapidamente à “normalidade”, prestando a nossa melhor colaboração.

No que concerne às escolas, a questão é muito particular, uma vez que estão todas encerradas, nos concelhos de Felgueiras e de Lousada. Assim sendo, os alunos estarão sem atividades letivas, nestes dois concelhos, nos próximos dias e até decisão da Direção Geral da Saúde (DGS) de reabrir as escolas. Ora, este tempo de pausa forçada não tem que ser tempo perdido em termos educativos, nem um desespero para os pais que têm de continuar a trabalhar normalmente e não querem os filhos todo o dia “pendurados” nas redes sociais.

Em primeiro lugar, há muitos docentes que têm ferramentas eletrónicas de comunicação com os alunos/turmas, a partir do segundo ciclo, e que podem utilizar para indicar trabalhos a realizar ou matérias a estudar. Convinha neste contexto, como habitualmente, que os pais colaborassem, certificando-se que os filhos seguem as indicações dos professores. Por exemplo, na disciplina de Português há sempre textos nos manuais que os alunos podem ir lendo, ou até obras completas, no caso do Ensino Secundário, que também podem ler nestes dias menos atarefados. Em segundo lugar, quando não tiverem tarefas escolares para desenvolver ou quiserem fazer uma pausa, podem sempre aproveitar o seu tempo em atividades úteis que conseguem fazer sozinhos em casa, como ler, escrever, ouvir música, ver filmes ou séries, etc… Com algum critério, os livros, a música, os filmes ou até mesmo a televisão podem ser excelentes veículos de cultura e, por isso mesmo, de educação. Para os mais novos também se podem encontrar atividades lúdicas e, ao mesmo tempo, educativas, quer por via dos professores que podem aconselhar aos pais leituras ou atividades adequadas à idade dos respetivos filhos, quer por recurso a meios/recursos que estejam disponíveis fisicamente ou através da internet. Em terceiro lugar, também não faz mal a ninguém ter algum tempo livre…
Este período vai ser um grande desafio para todos, a começar pelas autoridades de saúde, passando pelas autoridades com responsabilidades públicas noutras áreas e terminando em cada um de nós. A nossa resposta coletiva a esta crise vai depender muito da resposta individual que conseguirmos dar nos próximos dias. E para essas respostas, entre outras coisas, vão ser essenciais alguma assertividade de comportamentos e alguma criatividade na organização dos nossos quotidianos. Sobretudo no que diz respeito à proteção coletiva e à ocupação educativa, fora das Escolas, das nossas gerações mais novas. E podemos estar a desenvolver experiências interessantes para o futuro: há especialistas em Educação que acreditam que o futuro pode passar mesmo pelo ensino à distância com recurso à internet, em que os alunos podem ficar em casa e ser ensinados por um professor que, também sem sair de casa, orienta os respetivos alunos e corrige os seus trabalhos/testes…

Enfim, depois de devidamente informados, que cada um encontre a melhor forma de dar um contributo válido para que os restantes não se sintam sozinhos e para que, em conjunto, possamos encontrar o caminho mais seguro e mais rápido para ultrapassar esta situação.

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