Pianista João Xavier conclui curso em Moscovo

Talento lousadense pelo mundo

João Xavier nasceu em 1993, em Lousada. Com apenas 26 anos é um jovem pianista promissor, laureado em vários concursos, tendo obtido o 1º lugar no V Concurso de Piano da Póvoa de Varzim, no X Concurso Florinda Santos e no 12º Concurso Sta. Cecília. Conquistou ainda o primeiro lugar no Prémio Jovens Músicos 2011 (Piano – nível superior) e, em 2014, o 3º Prémio no Concurso Internacional Jaén, em Espanha.

Apresentou-se já em grandes salas de espetáculos, como o Salão Nobre do Palácio da Bolsa, o Grande Auditório da Fundação Gulbenkian (com a Orquestra Gulbenkian) e a Sala Suggia da Casa da Música (a solo e com a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música). Tocou ainda com a Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, em Madrid, Badajoz, Volgogrado e no grande auditório do Conservatório Tchaikovski de Moscovo.

Paixão pela música surgiu cedo

A paixão pela música surgiu muito cedo. Com aproximadamente 6 anos, ouviu pela primeira vez música clássica. “Os meus pais compraram alguns discos com música de Bach, Beethoven e Tchaikovsky. Nós ouvíamo-los em casa, e isso despertou-me o interesse e a curiosidade de tal forma, que eu comecei a ouvi-los cada vez mais”, conta. A partir daí, não mais parou de ouvir música clássica. Acumulou discos e pediu aos pais que o inscrevessem na então Academia de Música de Lousada.

Atraído pela sonoridade do piano, decidiu aprender o instrumento. “Na altura, foi uma decisão quase inconsciente, mas ainda hoje me sinto agradecido por ter escolhido precisamente o piano. É, de todos, o instrumento com mais possibilidades e tem um universo infindável de repertório à disposição”, diz.

Durante oito anos, estudou na Academia de Música de Lousada, agora Conservatório do Vale do Sousa, seis dos quais com a professora Luísa Ferreira. “Foi a escola onde cresci e que me ajudou a descobrir a música. Tenho muito boas recordações, tanto da escola, como dos professores, que me ensinaram e apoiaram no meu percurso”, refere.

Mestres são grandes nomes do piano

Seguiram-se dois anos com o professor Pedro Burmester na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto. Continuou os seus estudos com a grande pianista e professora Eliso Virsaladze, primeiro em Florença, na Scuola di Musica di Fiesole, e depois em Moscovo, no conservatório Tchaikovsky, onde terminou este ano o curso.

Porquê Moscovo? É a pergunta que se impõe. “O Conservatório é um dos melhores e mais prestigiados a nível mundial, com uma grande tradição ligada a nomes como Tchaikovsky, Rachmaninov, Scriabin e grandes mestres como Neuhaus, Oborin, Goldenweiser e muitos outros”, responde. Além disso, João Xavier tem trabalhado com a “lendária” pianista Eliso Virsaladze, “uma das últimas representantes da grande escola russa de piano”: “A experiência mais relevante e inesquecível para mim”, diz.

O desafio de viver num país tão diferente

Sobre a experiência no estrangeiro, considera-a um “grande desafio, principalmente no início, porque a Rússia é um país com uma cultura extremamente diferente”. Passadas as primeiras dificuldades, adaptou-se e hoje sente-se bem no país: “Moscovo é uma cidade muito dinâmica culturalmente, que me permite tanto desenvolver-me artisticamente, como partilhar em palco o resultado do meu trabalho, uma vez que tenho aqui a possibilidade de tocar em público com certa regularidade”, diz.

Ao longo da sua carreira, têm sido muitos os momentos altos, quer por atuar em locais emblemáticos, quer por ter obtido bons resultados nos concursos ou pela forma como foi recebido pelo público.

Ciente de que o mundo artístico é “bastante ingrato” e que nem sempre a qualidade artística é o mais importante para um músico se estabelecer no meio concertístico, tenta fazer o seu melhor, sem pensar no sucesso. “Há milhares de músicos a tentar estabelecer-se no meio concertístico, e apenas uma pequena percentagem consegue fazer a chamada carreira”, reconhece.

Ensino da música está nos seus planos

Sem poder fazer grandes previsões para o futuro, visto que a vida de um músico é “incerta e imprevisível”, espera, no entanto, ter sempre a oportunidade de partilhar o seu trabalho com o público, “pois todas as horas e toda a energia investidas no estudo de uma obra só fazem sentido quando posteriormente o resultado fica à vista de todos”.

Para além dos concertos, alimenta o sonho de se dedicar também ao ensino, que considera “ser um fator importantíssimo na transmissão da cultura musical”.

A todos os leitores, João Xavier deixa um apelo: “Vão a um concerto e ouçam música genuína, pois tenho a certeza de que nela vão encontrar ajuda e felicidade”.

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