Clínicas dentárias estiveram paradas durante dois meses

Recomeço com segurança

A atividade dos médico-dentistas foi das primeiras a parar. As intervenções ficaram-se pelos serviços de urgência, o que representou uma quebra brutal nos rendimentos.

A Clinica médico-dentária Sandra Silva sentiu os efeitos severos desta pandemia. O Louzadense esteve à conversa com a proprietária e diretora clínica, Sandra Silva, para conhecer a dimensão dos efeitos da paragem e as medidas tomadas para retomar a atividade com segurança.

Como é que a medicina dentária está a fazer face à pandemia?

Esta área desde cedo que viveu uma situação gravíssima, pois foi logo suspensa a atividade por decreto-lei. Apenas fizemos atendimentos em situações inadiáveis e em casos urgentes. Realmente, o Ministério da Saúde entendeu que era uma área de risco para o atendimento de doentes, de possível contaminação. O que, na minha opinião, sinceramente, em abono da verdade, não é muito real. Porque nós, médicos dentistas, sempre nos pautamos pela prevenção, sempre usamos máscaras e luvas, além dos cuidados que sempre tivemos na desinfeção dos espaços. Era já uma prática o uso de equipamentos de proteção individual. A Associação, logo que surgiu o problema, deu umas linhas de orientação.

Retomamos a atividade condicionada, com as orientações da Direção Geral da Saúde, que estamos a cumprir, pois somos intervenientes na saúde pública, o que levou a um reforço de equipamento, à intervenção nos espaços médico-dentistas, desde a colocação de acrílico, até ao uso de fato completo e touca. A nível do doente, houve um condicionamento, com desinfeção das mãos, dos pés, a medição da temperatura e as perguntas normais: se teve contactos com alguma pessoa contaminada. Isso condicionou o número de atendimentos diários nos nossos consultórios. Atendíamos de meia em meia hora e agora estamos a atender de hora a hora. Temos de atender alternadamente para não haver cruzamento entre clientes.

Será que o receio de contaminação afastou muita gente do médico-dentista?

Claro que sim. No início era um vírus algo desconhecido. As pessoas ficaram assustadas e foram adiando algumas situações e só em casos muito urgentes é que contactavam para atendimento. Agora, a partir desta semana, as pessoas acabam por vir à consulta e veem que realmente houve um reforço em todas as áreas de atendimento, como na receção, e as pessoas vão aos poucos ganhando confiança, sentem-se mais protegidas no tratamento clínico.

Esta paragem criou dificuldades a nível financeiro para este setor?

Sim, claro. Nós estivemos parados estes dois meses. Foi uma quebra substancial, para além destas novas marcações exigirem um tempo maior para haver uma desinfeção do trajeto do doente desde que entra na clínica. Neste tempo de paragem, a faturação foi praticamente inexistente. Só atendemos mesmo caso esporádicos de urgências, situações inadiáveis. Para além disso, os próprios médicos dentistas são na maioria sócios-gerentes e não houve medidas de apoio para os médico dentistas e sócios-gerentes logo desde o início.

E se houver uma segunda vaga? Sente que o setor está preparado?

Eu acho que vamos ter uma segunda vaga. Quero é ter uma segunda vaga o mais controlada possível. A nível de dentistas, acredito que vamos estar preparados para continuar a fazer o tratamento clínico sem haver nova suspensão, ainda para mais com as medidas que tivemos de reforçar. Eu acho que não vamos voltar num futuro próximo livres, digamos assim, do vírus, vamos ter de nos adaptar a uma nova realidade clínica. Dou este exemplo: as consultas têm de ser todas marcadas, mesmo sendo uma urgência, os utentes vão ter de esperar pela hora em que poderão ser atendidos. Eu acredito que este é um recomeço e que as pessoas vão estar confiantes.

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