Pandemia obriga a olhar para o digital com outros olhos

Marketing digital impõe-se

Diogo Sampaio começou a estudar desporto, mas a vida levou-o para o marketing digital. A frequentar a universidade e a morar com um colega que estudava Marketing, cedo percebeu que lhe interessavam mais as leituras do colega do que as que era obrigado a fazer para concluir o curso na área do desporto. O gosto enraizou-se de tal forma que concluiu o mestrado em Marketing Digital. Terminada a etapa dos estudos, embrenhou-se no mercado de trabalho. Depois de passar por algumas empresas, fixou-se numa agência. “Nessa agência, fui subcontratado como freelancer pelo grupo OLX, um grupo grande, que me deu muito trabalho”, conta. A partir daí os trabalhos foram surgindo. Sem que tivesse programado, abriu a Weboost, uma agência de marketing digital. “Somos uma empresa jovem, muito dinâmica e muito ativa, mas somos um grupo de amigos e isso faz toda a diferença. Por isso, estamos sempre a querer mais, a puxar uns pelos outros”, declara.

Pandemia gerou oportunidades de negócio

Os últimos tempos têm sido vividos com apreensão e sobressaltos. Diogo Sampaio destaca dois momentos críticos: “O primeiro momento foi o shutdown, quando todos tivemos de ir para casa. As empresas são pessoas e todos nós entramos um pouco em pânico”, relata. A paragem poderia hipotecar o projeto. Mas, na semana seguinte, tudo mudou. A porta da empresa continuou fechada, mas o canal online, aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano, ganhou força. “As pessoas começaram a ganhar consciência e nós começamos a ter crescimentos a nível online. De repente, começaram aparecer uma quantidade de empresas a pedir lojas online, digitalização de empresas, aplicações”, conta. Negócios que não existiam até aí na Internet começaram a ter o seu espaço digital, como o contabilista, “que não tinha um site e agora teve a necessidade de o ter. Com uma simples pesquisa pode conseguir logo um contabilista”, exemplifica.

O Weboost é uma empresa pequena e jovem que, apesar de ainda não ser muito divulgada, o “passa a palavra” tem ajudado muito, pois agora aparece no topo das pesquisas com as palavras “agência de marketing digital”. “Quando as pessoas procuram especificamente a nossa área, encontram-nos. A nossa bandeira é mesmo essa: somos tão novos e de repente passamos à frente de tantas empresas que estão no mercado”, afirma, com satisfação. Não se pense que é fácil. Diogo esclarece que é preciso muito trabalho e muito critério nas opções. Para além disso, conta com a divulgação da empresa através dos anúncios Google e Facebook. “Levamos o nosso negócio às pessoas que estão interessadas. O online é mesmo isso. Nós conseguirmos segmentar muito bem, orientar as pessoas que estão à procura do serviço ou do produto e fazemos chegar até elas o nosso serviço”, esclarece. Este tipo de publicidade tem outra vantagem, que é a possibilidade de medir o alcance dos seus anúncios. “As pessoas que compraram ou que estiveram próximas de comprar é um aspeto importantíssimo. Quantas lojas é que o conseguem fazer? Numa loja online, conseguimos saber quantas pessoas entraram na nossa porta e quantas agarraram o produto, e isto é importantíssimo. É esta beleza que o digital tem para os empreendedores e para os profissionais, que querem realmente tirar lucros do seu negócio porque é uma exigência fundamental”, explica.

Diogo Sampaio salienta que os tempos de pandemia levaram a um incremento do digital. “Eu vejo o meu pai, ele assiste televisão e com a mão no telemóvel. Estamos muito mais ligados ao digital, não é uma realidade, é já uma obrigação”, sustenta. Este jovem empreendedor considera ainda que estamos muito aquém daquilo que acontece um pouco por toda a Europa, que olha para o digital de forma mais séria há muito tempo. “Nós não olhávamos para o digital como deveríamos sempre ter olhado”, menciona. No entanto, a pandemia veio acelerar tudo. “Por exemplo, a SONAE olha para o canal online dando-lhe cada vez mais importância”, ilustra.

O antes e o depois Covid (a.C. e d.C)

Para mostrar o impacto da pandemia, Diogo recorre a uma analogia: “Isto é quase como antes de Cristo e depois de Cristo. Os empresários vão começar a olhar para os processos de uma forma mais eficiente. Os apoios 2020 eram muito para isso, mas ainda se olhava para este mercado com muita desconfiança. Agora não, quem está nessa área sabe que é necessário”, transmite.
O digital estará em todo o lado. O jovem empresário não tem dúvidas. E a desconfiança com que muitos encaravam o digital começa agora a desvanecer-se. “Um cliente meu de Lisboa era muito desconfiado, mas tinha abertura para nos ouvir. Montamos um plano estratégico e um plano de investimento em publicidade. No final do segundo mês, começou a faturar e, hoje em dia, fatura cerca de cinquenta mil euros por mês. Ele olhava para o canal online como algo que nunca iria chegar perto das nossas farmácias. Como isto mudou em três meses! Ele agora está a vender para Portugal inteiro e para o mercado externo”, conta. Tudo isto acelerado pelo facto de as pessoas evitarem fazer compras fisicamente. “Com esta retração por causa do vírus, cada vez mais vamos trabalhar online. Basta um simples site. Nesta primeira fase, o que interessa é começarmos a mexer com a economia. Poucas são as empresas que não podem utilizar o online”, menciona.

Capacidade de adaptação é crucial

O período que se segue é de adaptação. As empresas que melhor conseguirem fazer essa adaptação terão mais oportunidades de negócio. Diogo salienta a importância de “conseguirem ler o consumidor, receber os dados que ele nos dá e saber interpretá-los. Cada vez mais é importante a leitura de dados para descrever o comportamento do cliente e preparar cenários”, sustenta, mostrando-se otimista – “Acho que não vai ser tão dramático. Até estamos a ser um exemplo, fizemos bem e bem feito. Nós em Lousada temos uma capacidade de adaptação, temos essa garra. É aproveitar todos os canais. O futuro é o digital e as empresas têm de olhar para essa vertente”, deixa o recado.

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