por | 26 Fev, 2021 | Uncategorized

“Estamos a vencer as batalhas mas não ganharemos a guerra!”

Opinião de Ana Margarida Teixeira – Farmacêutica e militante da JSD Lousada

A ameaça de uma 3.ª Guerra Mundial sempre esteve presente nas nossas cabeças, mas certamente a pensar num país rico contra um país ainda mais rico, por causa de tecnologia ou armamento nuclear. A prepotência, o dinheiro e a vontade de demonstrar quem seria mais forte sempre foram vistas como as principais ameaças para a despoletar. Com uma guerra tecnológica coloca-se em risco a subsistência das gerações.

O que a maioria da população nunca pensou, ao contrário do que os cientistas e especialistas têm vindo a alertar, é que a 3º grande Guerra Mundial seria contra um vírus invisível a olho nu, mas que deixa um rasto de destruição gigante.

Dia após dia é travada uma batalha contra este inimigo comum que é preciso vencer para tentar ganhar esta guerra. Mas a verdade é que só venceremos a guerra se conseguirmos investir fortemente na saúde, nas infraestruturas hospitalares, na ciência e na investigação. Sem a procura constante de novos conhecimentos, o Mundo e a Sociedade não evoluem (e não vale a pena negar isso)!

Mas a verdade é que Portugal tem investido pouco nesse sentido: existem milhares de alunos que após terminarem o seu percurso académico gostariam de continuar a sua carreia científica, muitas vezes iniciada voluntariamente durante a faculdade, mas que devido ao pouco investimento que é colocado nessa via (poucas bolsas de investigação e de doutoramento e os seus difíceis requisitos de entrada), levam a que a maioria abandone essa hipótese e siga por uma carreira menos precária.

Consubstancializado isto desta forma, não é avanço para futuras guerras virais ou bacterianas que são muito prováveis de acontecerem nos próximos anos! Para ganharmos esta guerra é também necessário um investimento abrupto na saúde mental.

A saúde mental não é só a ausência de uma doença intelectual, é sim um nível de qualidade de vida cognitiva e emocional necessário para atravessar todos os momentos bons e menos bons do nosso dia-a-dia. Depois deste ano atípico, mas que não será certamente o único nestes próximos tempos, a saúde mental de todos foi e será uma parte da guerra que é preciso vencer!

O investimento em saúde mental e em políticas de saúde com a adaptação de projetos inovadores, o apoio psicológico que é preciso fomentar para deixar de ser um estigma na comunidade são essenciais para evoluirmos enquanto sociedade.

Portugal é um dos países com maior consumo de ansiolíticos, hipnóticos e sedativos. Este grupo inclui, maioritariamente, benzodiazepinas e análogos, que são usadas no tratamento da ansiedade sintomática e das alterações do sono, sendo comum a sua prescrição, visível em pessoas cada vez mais jovens.

Devido ao risco de dependência e habituação num número expressivo de pessoas, a interrupção do tratamento está dificultada. Segundo o Programa Nacional para a Saúde Mental (PNSM), o aumento contínuo da prescrição de ansiolíticos representa um risco para a saúde pública. A sua utilização deve ser limitada no tempo (INFARMED).

É necessária a reeducação do paciente e do padrão de prescrição. É essencial a prevenção de danos mais graves nas gerações futuras, as crianças e jovens de hoje serão os adultos do amanhã.

O endividamento para tentar salvar negócios que estão fechados há meses e/ou com perdas de faturação há demasiado tempo, problemas familiares, stress e ansiedade vão levar ao aumento de roubos e violência, transtornos de personalidade, aumento de suicídios e assim em diante… estes temas devem ser abordados e prevenidos, para tentarmos ter soldados sãos para as próximas guerras.

Estamos a vencer as batalhas mas não ganharemos a guerra!

Comentários

Submeter Comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Artigos recentes

Cristina Oliveira: a economista que adora participar em concursos televisivos

A cultura geral, a curiosidade e o gosto pelos desafios levaram Cristina Oliveira a transformar a...

Ter uma casa tornou-se um dos maiores desafios de uma geração. Jovens que trabalham, que poupam,...

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, por Ernesto Gonçalves O MORCEGO — O velho amigo Óscar e os injustiçados monstros da noite

Passou o Halloween e, com ele, desapareceram as abóboras iluminadas, as bruxas, os fantasmas e os...

Lousada Cuida em destaque na RTP no dia dedicado ao Cuidador Informal

O projeto Lousada Cuida, promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Lousada em parceria com a...

Paula Teles lança “Herança” (e traz uma versão dos GNR)

"Herança", o novo single da cantora e compositora lousadense Paula Teles, acaba de ser lançado...

Freguesias de Lousada aderem à Greve Nacional

Tal como as restantes freguesias e uniões, também a União de Freguesias de Silvares, Pias,...

O PSD Lousada congratula-se com o avanço dos trabalhos na E.M. 564-2, mas alerta para problemas por resolver

NOTA DE IMPRENSA do PSD Lousada O PSD Lousada congratula-se com o (agora) andamento acelerado dos...

AMBIENTE & PATRIMÓNIO, POR ERNESTO GONÇALVES – A ROMÃ: Um fruto, mil sementes e histórias por contar

Lembro-me de, em criança, jogar ao famoso jogo do Stop com as minhas primas, no café do meu pai! À...

Stark: O percussionista de Lousada que conquistou os Globos de Ouro com os Duques do Precariado

José Afonso, amplamente conhecido nos palcos como Stark, é o homem do momento na percussão...

RANCHO FOLCLÓRICO DE NOGUEIRA A tradicional desfolhada de uma coletividade que não pára de crescer

A tradição é uma constante no Rancho Folclórico de Nogueira, uma das coletividades do género mais...

Siga-nos nas redes sociais