Com a chegada do outono, chegam as vindimas e é tempo de colher as uvas das videiras. Dos grandes hectares aos mais pequenos, setembro é tempo de festa. É uma das mais antigas tradições portuguesas e, apesar da constante modernização, o trabalho manual continua a ser necessário.
Apesar da ajuda dos enólogos, ainda é possível perceber quando as uvas estão prontas para as vindimas através do método tradicional, “quando os pés das uvas estiverem murchos e as peles dos bagos começarem a contrair”, explica Joana Castro, enóloga na Quinta de Lourosa. Para a apanha das uvas, o método é mais simples do que se imagina: basta um grupo de pessoas e uma tesoura.
A Quinta de Lourosa nasceu há 25 anos, com 27 hectares, e todos os anos realiza as vindimas, que mais tarde darão origem a vinhos verdes e rosé. Dos 27 hectares, “fazem parte várias castas e várias zonas de produção, umas mais húmidas, outras mais secas, o que faz com que as maturações não sejam todas ao mesmo tempo, prolongando o tempo de vindima”, explana a enóloga.

O processo começa com o colher das uvas, que se realiza com a ajuda de uma máquina e com 15 pessoas a fazer o trabalho manual numa parte da quinta, correspondente a 13 hectares, “num ambiente muito familiar e divertido”, acrescenta.
“Depois de colhidas as uvas, parte delas ficam na nossa adega, são vinificadas e dão origem aos vinhos quinta de Lourosa. Também vendemos parte das uvas para a Adega Cooperativa de Lousada”, confirma. A vinificação na adega é um “processo trabalhoso”, só sendo possível ter os vinhos prontos para consumo e venda no início de dezembro e janeiro.

Apesar do trabalho manual estar a acabar, Joana Castro acredita que nunca desaparecerá, “porque nas vinhas que não são possíveis colher com a máquina, terão de ser sempre à mão”, manifesta.

Quando se fala de qualidade e quantidade de vinhos, não se pode falar de regularidade de ano para ano, “nunca há um ano igual, todos os anos estamos a aprender e este ano está a ser curioso, porque as maturações são ao longo de muito tempo e este ano a uva começou a ficar madura muito rápido”, afirma. A enóloga acredita que este ano “os vinhos a complementarem-se uns com os outros, darão uns vinhos espetaculares”.
Gosto pelas vinhas
Manuel Oliveira tem 50 anos e já há 24 que explora a sua vinha familiar. Começa a vindima com a casta Fernão Pires e, atualmente, “começamos sempre em agosto, porque é uma casta que amadurece rapidamente”, explana.
Quanto às outras castas, só passado uma semana é que estão prontas para colher. Nesta quinta é feito o controlo de maturação, que se realiza cerca de oito dias antes da colheita. “O controlo é feito tendo por base a acidez e o teor de açúcar das uvas”, explica.

Acredita que este ano a quebra terá sido maior devido “às noites frias na altura da floração”, no entanto, não sentiu uma quebra muito grande nas suas vinhas em relação ao ano passado, “foi aproximadamente zero”, acrescenta.
Um dos problemas que mais sente nas vindimas é a dificuldade em arranjar mão de obra, “teremos de começar a optar pela máquina de vindimar, porque é difícil arranjar pessoas disponíveis para a colheita”, lamenta.

Toda a vindima é feita pelo trabalho manual, mas “está-se a trabalhar no sentido de a mecanizar”, porque nos dias de hoje a mão de obra existente é maioritariamente de pessoas idosas e com dificuldade de mobilidade.
O vinho aqui produzido é vendido para uma sociedade agrícola e para consumo próprio dos familiares e, por isso, o engenheiro agrónomo faz um balanço positivo: “a minha produção mantém-se dentro do espectável”, certifica.
Vindimar para manter as tradições
António Pimenta tem 53 anos e desde sempre se lembra de fazerem as vindimas na sua casa. “Fui aprendendo com os meus pais e entre os irmãos continuamos a fazer a colheita”, explica. Com o gosto e a tradição, os irmãos nunca pensaram em deixar de vindimar, porque “é uma coisa bonita, nascemos na terra e gostamos de trabalhar no campo”, outra razão para o continuarem a fazer é terem a mãe ainda entre eles. “Queremos que ela veja que as coisas têm o seu seguimento”, acrescenta.

Apesar da tradição, as diferenças são muitas. “Antigamente as pessoas ofereciam-se para fazer as vindimas, era uma festa. Hoje os jovens já deixam de ter a perceção do que é uma vindima”, lamenta.
Na pequena vinha, esta família vindima cerca de três hectares por ano, “são as ramadinhas tradicionais”, brinca. Podemos encontrar três qualidade de vinho: “o tinto, o branco e o espadal, que agora é relativamente pouco”, explana.
O processo começa com a colheita das uvas para o vinho branco, “que é o que está agora no lagar e é o que amadurece primeiro”, depois o tinto e, por último, colhem-se as uvas para o espadal, “que é o que demora sempre mais amadurecer”, esperando sempre cerca de 15 dias.

Todos os processos de vindima começam sempre pelo colher da uva, “é ralado para o lagar, depois é passado para a prensa. Já os tintos fermentam no lagar, cerca de dois dias. “Todos os dias devemos mexer o baganho (bagaço da uva), porque quanto mais se mexer mais o aroma da uva o vinho vai apanhar e mais cor vai dar”, expõe.
Quando o vinho deixa de fermentar, é despejado pelas torneiras do lagar, passa para as cubas e “o resto do baganho vai para a prensa, onde é espremido”, refere. Este ano a produção dos vinhos não foi a melhor para a família de António, comparativamente ao ano passado, “mas penso que a qualidade será boa”, reflete.












Parabéns pelo excelente trabalho realizado por vocês .NA.QUINTA.LOUROSA.