Louzadenses com Alma – por José Carlos Carvalheiras
O cidadão que hoje protagoniza esta página deu muito ao desporto lousadense. Foi um grande desportista que teve potencialidades para ser um atleta de renome nacional, mas os anos 60 e 70 não foram favoráveis a isso. José Manuel “Dâmaso” foi um grande apaixonado pelo desporto em geral, sobretudo pelo futebol, hóquei em campo, futsal e pelo atletismo, tendo sido um dos fundadores desta secção na Associação Desportiva de Lousada, que fez furor na primeira metade da década de 1980. Além disso, José Manuel “Dâmaso” destacou-se noutras áreas da vida.
José Manuel Alves Teixeira Pinto “Dâmaso” nasceu em 24 de novembro de 1937, uma quarta-feira, mas só na sexta-feira é que foi registado. Embora não tivesse sido batizado com o sobrenome “Dâmaso”, era tratado como tal, a exemplo dos descendentes e parentes do seu pai, Manuel Dâmaso Teixeira Pinto. Este foi um afamado alfaiate lousadense, que tinha alfaiataria no seu domicílio, na Rua Visconde de Alentém. Foi casado com Lucinda de Campos Alves.
José Manuel teve seis irmãos: António (um dos mais valorosos promotores da fundação da Associação Desportiva de Lousada), Ana Adelaide e Maria Otília (duas extraordinárias modistas, felizmente ainda vivas), Jorge Manuel (foi o único que seguiu a profissão do pai), Luís António (proprietário da prestigiada Ourivesaria Dâmaso) e Maria Lucinda (recentemente falecida, foi regente, deu aulas e trabalhou na Delegação Escolar).
José Manuel partiu para Moçambique em meados da década de 1960, com 24 anos. Naquela antiga colónia portuguesa trabalhou na conceituada firma Lopes Cravo & Arnaut, na secção de tecidos. Ali conheceu Maria Helena Raposo, com quem casou e com quem teve dois filhos: Eduardo Jorge e Paula Alexandra.
Foi um desportista e um apaixonado pelo desporto em geral, mas sobretudo por quatro modalidades, que praticou com muito talento: futebol, futsal, hóquei em campo e atletismo. O filho, Eduardo Jorge, afirma que “como jogador de futsal, o meu pai era um jogador calmo, ágil e perspicaz, pois sabia desarmar bem o adversário e quando metia o pé para desarmar, o adversário muitas vezes ficava sem a bola ou com dores”, afirma com um largo sorriso.
“Muitos contam-me que o meu pai era um grande jogador da bola, tanto no Lousada como em Moçambique, onde jogou nos principais clubes: o Belenenses de Lourenço Marques e o no Desportivo da Ilha (filial do Benfica). Mas também foi um grande jogador de ténis de mesa e eu presenciei vários torneios em que ganhou. Era muito ágil com a raquete e com a bola. O meu pai trabalhou vários anos no Ciclo, onde havia uma ou duas mesas de ténis e desafiavam o meu pai para jogar”, descreve Eduardo Jorge.
Ao longo da sua vida conquistou vários troféus: “existe uma foto do meu pai em Moçambique, talvez com 27 anos, a levantar um troféu, após jogo contra o Sporting”. Quando regressou a Lousada em 1975, tratou depressa de regressar à prática desportiva, na ADL, onde tinha sido futebolista na juventude.
Gostava de ensinar e treinar
Foi trabalhar para a antiga fábrica de mobiliário Estofex, que era um portento industrial em Lousada naquele tempo. Entretanto, José Manuel concorreu para trabalhar no Ciclo Preparatório de Lousada, onde desempenhou várias funções, nomeadamente na secção de papelaria, onde ganhava facilmente a estima da estudantada e do professorado.
Após várias tentativas infrutíferas de algumas pessoas para implementar o atletismo em Lousada, José Manuel Dâmaso juntamente com o seu irmão Luís, Joaquim Ferreira, José Manuel “doceiro” e Manuel Afonso da Silva criaram o NAL – Núcleo de Atletismo de Lousada, que teve tanto sucesso em 1979 e 1980, que passou a figurar como secção oficial da Associação Desportiva de Lousada (ADL), em 1981. A semente lançada nesta modalidade germinou durante alguns anos.
Naquela época surgiram atletas com talento, tanto masculinos como femininos, que eram muito incentivados por José Manuel Dâmaso, que era um excelente conselheiro e treinador, além de ter alguns conhecimentos de fisiatria e motricidade. Em 1985, a atleta lousadense Emília Monteiro, da secção da ADL, venceu a IV Meia Maratona Internacional de Viseu.
Eduardo Jorge recorda que “a minha irmã era uma excelente atleta, ela e a Fernanda Ribeiro, que veio a ser uma grande campeã, e quando se encontravam na mesma corrida era um gosto ver”.
Na época de 1983/84, José Manuel “Dâmaso” foi tesoureiro da secção de hóquei em campo da ADL, que era composta por António Almeida (Presidente), Joaquim Augusto Peixoto (Vice-Presidente), António Miguel e Joaquim Valinhas (Secretários), António Cunha e José Manuel Dâmaso (Tesoureiros).
No futebol também aplicou muitos dos conhecimentos angariados ao longo da carreira e gostava de ensinar os mais novos e foi treinador dos Iniciados da ADL. E no início deste século, foi um dos fundadores da primeira escola oficial de futebol no concelho de Lousada. Chamava-se “Crescer Aprendendo” e estava sediada em Romariz (Meinedo).
“Depois de tudo que o meu pai fez pela Associação Desportiva de Lousada e pelo desporto em geral em Lousada, fico com uma certa mágoa por ele nunca ter sido reconhecido quer pela ADL, quer pela Câmara Municipal de Lousada, mas a vida é assim mesma, ficam os valores que o meu pai sempre e as bonitas memórias que temos dele. Creio que o maior reconhecimento é andar pela rua e ouvir jovens e menos jovens quando falam do meu pai com estima, deixa-me orgulhoso”, desabafa Eduardo Jorge.
José Manuel Alves Teixeira Pinto faleceu em 17 de Agosto de 2004, deixando muitas memórias. Quem o conheceu descreve-o como um homem pleno de qualidades e valores: honesto, trabalhador, humilde, corajoso, inteligente, aventureiro e solidário.












Tudo verdade, a sua simplicidade e humildade bondosa ou bondade humilde de Homem do Desporto que nunca se punha em bicos de pé, nunca se colava aos protagonismos é que explicam tanto esquecimento e falta de tributo público! No Ciclo, com quem trabalhei vários anos era um exemplo de qualidade de serviço, de autonomia de serviço e de qualidades de colega de trabalho!!!!! Não há funcionário algum que não tenha a recordação mais simpática e a saudade de coração do Sr. Pinto, do Sr. Dâmaso, ou do Zé Manuel Dâmaso ou Pinto!!!!!!!!!Um abraço, esteja onde estiver o seu Karma!!!!!!!!!!!!
Tive o previlegio de conhecer o Sr. Dâmaso, pai do meu amigo Jorge.
Nessa altura jogava-mos futebol de salão no fim do trabalho, no Pavilhão do Ciclo de Lousada, tempos inesquecíveis, toda a gente tinha um respeito e consideração pelo Sr. Dâmaso, um verdadeiro Senhor.
Não esquece, fica a saudade, abraço Jorge.
Grande senhor com quem tive muitas conversas de futebol e sobretudo do nosso Benfica por quem era ferveroso adepto. Grande figura de lousada e acima de tudo excelente ser humano, sempre pronto a ajudar lembro muito bem dele como gerente da papelaria do ciclo preparatório de lousada Grande a abraço a toda a sua familia o sr. Dâmaso nunca será esquecido.