por | 17 Jun, 2022 | O Garante da Gestão, Opinião

(Des)Cruzar Liderança com Liberdade, (n)a guerra

O Garante da Gestão – Por Assunção Neto

História(s), personalidade(s), objetivos, ambições estão na prominência da procura do ter, do ser, do atingir, porém tudo tem um preço, um valor, para quem vence ou para quem é vencido e implicando uma Liberdade ampla ou restrita, e uma Liderança fechada ou aberta. Quando se cruza a Liderança e a Liberdade estamos perante um problema ou uma solução, um caminho seguro e com futuro, ou um fecho, um controlo.

A Europa começa a sentir dolorosamente a “invasão” da Rússia que tem trabalhado na manipulação das democracias consolidadas. Uma invasão que deturpa o outro, para o bem e para o mal, faz parte da nossa existência e é provavelmente, a maior força de influência no outro. Na situação atual que a Europa atravessa, será que a Liberdade não é posta em causa e que a Liderança se cruza com esta, e tem força de dissipar e ser imparcial, quando perante uma guerra. Nesta dualidade e numa guerra, ainda que exista um vencedor, podemos considerar sua aplicabilidade no seu todo? Quando pessoas envolvidas e não envolvidas sofrem com decisões e atitudes de outrem, quando a vida do ser humano é posta em causa, é ferida pelo altruísmo, pelo vínculo sem fim de um estar em sociedade que comporta a óbice do direito humano, da vida humana. A Liderança supera a Liberdade ou esta última tem força de dar fim? 

Nos dias de hoje, com a evolução do ser humano e de diversas esferas da vida, seria suposto a guerra não estar presente nos nossos dias. A guerra é a falência do direito em si, da Liberdade obstruída, da Liderança impetuosa de um ser que teve Liberdade para o efeito, e tudo estar em suas mãos. 

A Liberdade é basilar na sociedade, mas quando “bem aplicada”, e não interferida por Lideranças tóxicas. Contudo, observamos frequentemente Lideranças pouco saudáveis, pautadas em turbulência e agressividade. Perdemos a capacidade de dizer basta, de impor, quando a Liderança é mais que a Liberdade do outro, dos outros, das partes envolventes, em soma do todo. E o resultado disso é o hoje que estamos a viver. É necessário aniquilar modelos turbulentos e agressivos que ainda acreditam que o respeito se constrói com tanques de guerra e mortes e não com o pensamento, o diálogo e a construção conjunta.

Assistimos à transformação dos tecidos empresariais e sociais pela sementeira de pessoas/líderes alimentados por potências hostis e autocráticas. Este perigo é sentido pelas empresas, pelas pessoas, em que esta vulnerabilidade está longe de ser corrigida.

Mais inquietante é pensarmos nos movimentos de interferência oculta, protegidos pela lógica liberal da economia (micro/macro), das empresas, das pessoas, na nossa sociedade, onde a Liberdade manifesta ser emersa e presa a um início sem fim. A resposta acontece com abordagens próprias e criativas, em que a primeira rede social é a proximidade entre pessoas, nichos, primando na interatividade, na fomentação de uma Liberdade sentida e aceite. 

Em dois L`s (Liberdade e Liderança) onde o democratismo não se vive diariamente, o Outro é interpolado.

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