Joaquim Nunes Teixeira, de 89 anos, é natural e ainda residente da freguesia de Cristelos, porém, passou por vários locais dada a sua profissão. Filho de lavradores, aplicou todos os ensinamentos na sua vida dedicada ao campo. No entanto, a sua atividade profissional direcionou-se para os Comboios de Portugal (CP), onde cumpriu 40 anos. Conheça a história deste cidadão.
Bragança, Senhora da Hora, Novelas, Boim … foram zonas onde Joaquim viveu, mas numa fase da sua vida comprou terreno e construiu casa em Cristelos. A sua infância foi passada a jogar à sueca e a tocar instrumentos com outros rapazes novos, sobretudo, de sábado para domingo porque à semana trabalhavam ou estudavam.
O lousadense completou apenas o 3º ano de escolaridade porque os progenitores desejavam que começasse a trabalhar. “Ajudei toda a vida no campo os meus pais até eles deixarem a atividade”, afirma. Estes eram lavradores e Joaquim sempre gostou deste trabalho e, hoje em dia, tudo o que sabe deve-se aos mesmos.
“O meu pai era muito engraçado e bem disposto e quando comecei a ser maior ele disse-me para ir com ele até ao monte”, conta. Assim foi e iniciou a sua etapa de aprendizagem que, passados uns tempos, já sabia tudo e ia sozinho. Com 89 anos, em conjunto com a sua mulher, continua a não dispensar um bom quintal, referindo que neste não entre uma única máquina.
Os seus progenitores eram de Lousada e tiveram 14 filhos, tendo o lousadense 13 irmãos. Como referido, no 3º ano abandonou a escola e até cumprir serviço militar obrigatório esteve a trabalhar com os pais. Aos 21 anos foi para a Tropa em Penafiel e completou o 4º ano no quartel pois havia a oportunidade de aumentar os estudos. “Aproveitei e acabei o 1º ciclo, ajudando-me a entrar nos Comboios de Portugal”, refere.
Joaquim esteve 18 meses em Penafiel nos serviços de transmissão e, segundo o próprio, os seus superiores gostavam bastante de si. Posto isto, foi congratulado pelo seu bom comportamento e dedicação à unidade. O respeito fez sempre parte da índole do lousadense e, mesmo sendo um serviço obrigatório, não descurou.
“Era soldado e nunca quis ser cabo, apesar das insistências, porque tinha de permanecer mais tempo na Tropa e também tinha que dar instruções aos novos recrutas e não queria”, confessa. A experiência foi incrível e não tem dúvidas que aprendeu bastante, pois, quando entrou pouco sabia e quando saiu era um homem mais sábio e completo.
Posteriormente, entrou nos Comboios de Portugal (CP) e foi para Bragança durante 4 anos. Os primeiros 2 anos foi na condição de solteiro e os restantes na condição de casado, na medida em que casou pelo meio. “A minha mulher servia perto de onde eu morava e as maneiras dela cativaram-me”, acrescentando o facto de ser meiga, trabalhadora e organizada. No dia 18 de julho de 1959 aconteceu o matrimónio e a esposa foi consigo para Bragança.
Durante este período, tiveram o primeiro filho. No meio da conversa, o lousadense recorda com carinho os vizinhos que eram uns autênticos amigos. “Às vezes saíamos e eles olhavam pelo nosso menino”, declara. Devido a este envolvimento, quando vieram embora toda a gente chorou.
Joaquim havia pedido para sair de Bragança dado os custos de vida e mudou-se para a Senhora da Hora, em Matosinhos, onde permaneceu durante 16 anos A mulher e os filhos ficaram em Lousada e este vinha a casa frequentemente.
Entretanto, veio para Cete, uma freguesia do concelho de Paredes. Manteve-se 20 anos, terminado o seu percurso profissional nesta. A sua função na CP nos 40 anos de serviço passou por organizar as manobras dos comboios e, apesar de gostar do que fazia, um inspetor queria levá-lo a fator e o lousadense com medo das responsabilidades não aceitou.
“Eu pouco conhecia e não almejava mais e, hoje, sei que foi um erro. Aliás, cheguei a arrepender-me mas já foi tarde pois já não havia hipótese”, salienta com bastante lucidez.
Joaquim tem 4 filhos, sendo 3 rapazes e 1 rapariga. Para mais, tem 9 netos e 5 bisnetos. “Os meus filhos estão todos bem, os meus netos respeitam-me muito e os meus bisnetos são super queridos”, declara. A família numerosa é a sua alegria, sendo que todos os domingos visitam-no.
Esta família abundante é sustentada pelo lousadense e pela esposa que completam 64 anos de casados no presente ano. De acordo com o próprio, dão-se muito bem e às vezes acontece “uma trovoada seca” que rapidamente é resolvida. “A minha mulher é muito minha amiga e, sem dúvida, somos o companheiro um do outro”, conta.
A esposa já teve alguns problemas de saúde que foram ultrapassados com sucesso e pode afirmar-se que ambos estão bem de saúde. Todos os dias, à exceção dos dias que faz chuva, o casal faz a sua caminhada durante 1h30m. Para mais, passam muito tempo no quintal e veem alguma televisão.
“Estive em vários locais, mas nunca me esqueci de Lousada pois esta vila é diferente das demais”, finaliza Joaquim Nunes Teixeira.
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